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Vereador do Rio Grande do Sul mobiliza empresários para demitirem ‘esquerdistas’ e promete lista de indicação de trabalhadores da direita

Vereador do PL no interior do Rio Grande do Sul defende campanha de demissão de trabalhadores que apoiam Lula.Foto: Reprodução/Redes Sociais/ND Mais

Uma declaração do vereador Almiro Fortes (PL), da cidade de Ijuí, no Rio Grande do Sul, vem gerando repercussão ao incentivar a demissão de trabalhadores alinhados à esquerda.

O episódio ganha destaque no momento em que o MPT (Ministério Público do Trabalho) registra um aumento expressivo de casos de assédio eleitoral no país: foram 530 denúncias recebidas apenas nos dois primeiros dias após o resultado das eleições de 2026.

O que disse o vereador gaúcho ao defender demissão de ‘esquerdistas’

Em sua manifestação, o parlamentar relatou ter conversado com empresários locais sobre o que chamou de uma “onda nacional de demitir o pessoal de esquerda que votou no Lula”.

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Almiro Fortes defendeu a prática, ironizando a situação ao classificá-la como uma “libertação” para os trabalhadores.

“Normalmente esquerdista entende que tudo cai do céu, que o patrão é opressor. […] Eu acho que esse movimento de desligamento das empresas não é ruim; pelo contrário, eu acho que a gente tá provendo a libertação do oprimido”, afirmou o vereador.

O parlamentar também sugeriu um boicote ideológico no mercado de trabalho local.

“Vamos trocar um esquerdista por alguém de direita. Tem muita gente de direita sem trabalho”, declarou, revelando já ter criado um grupo de empresários para facilitar essa troca.

“Logo vamos estar também fazendo uma lista daqueles trabalhadores de direita que querem vir e ocupar a vaga daquele esquerdista que foi libertado”, disse.

A postagem teve mais de 56 mil curtidas e 11 mil comentários até a noite desta terça-feira (27). Nas interações, apoiadores endossaram o pensamento do parlamentar com relatos de demissão após o resultado das eleições.

“Ontem dispensei minha diarista. Ela chegou toda feliz comemorando a vitória do Lula. Fez a faxina normalmente e, como sempre, ofereci café, bolo e pão. […] Ela tem todo o direito de comemorar o governo em que acredita. E eu tenho o direito de cuidar do meu dinheiro. Se ela acredita que o papai Lula vai melhorar a vida dela, espero que melhore mesmo! Porque, aqui em casa, quem paga as contas somos nós”, disse uma seguidora.

“Amando a campanha de empresários e médicos de cancelarem ajuda filantrópica, campanha de natal, distribuição cestas básicas e etc”, comentou outra usuária.

“Nada mais justo! Eles querem a escala 5×2, nada mais justo que a escala 0x7”, ironizou outro seguidor do parlamentar.

Houveram também comentários questionando a conduta do vereador sobre se tratar de crime eleitoral.

Explosão de denúncias no MPT

A postura relatada pelo vereador gaúcho reflete uma prática que acendeu um alerta máximo no Ministério Público do Trabalho.

Segundo dados divulgados pelo órgão, entre as 23h59 do domingo de eleição (25) e o fim da tarde de terça-feira (27), o volume de queixas por retaliações políticas disparou.

As 530 denúncias recebidas nesse curto intervalo representam 21,4% do total de 2.467 queixas registradas ao longo de todo o ano de 2026.

Em comunicado à imprensa, o MPT destacou que ameaças de demissão, dispensas, recusa de contratação e outras formas de retaliação motivadas pelo voto dos trabalhadores configuram assédio eleitoral.

O órgão reforça que tais práticas continuam sendo monitoradas e investigadas mesmo após o encerramento da votação.

“O empresário é dono do negócio, e não do voto do seu empregado. Demitir trabalhadores por sua convicção política é ilegal e será alvo de atuação do MPT perante a Justiça do Trabalho”, declarou o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira.

O órgão orientou que trabalhadores que sofrerem ou presenciarem situações de assédio eleitoral podem registrar queixas de forma remota e sigilosa pelo site oficial do MPT (www.mpt.mp.br).

O órgão orienta que os denunciantes reúnam o máximo de provas possível, como capturas de tela de mensagens, publicações em redes sociais, áudios e informações sobre possíveis testemunhas, para auxiliar nas investigações.


Fonte: Clique aqui

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