A federação União Progressista, formada pelo Progressistas (PP) e União Brasil, decidiu adotar uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República em 2026. Com isso, a legenda não embarcará na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto. A informação foi divulgada pela CNN Brasil.
A decisão foi tomada durante uma reunião realizada na noite de terça-feira (21), liderada pelo presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), com dirigentes da legenda. A expectativa é que a posição seja formalizada oficialmente pela federação nos próximos dias.
Segundo integrantes da reunião, a ampla maioria das lideranças defendeu que a União Progressista mantenha neutralidade na eleição presidencial, preservando a autonomia política das direções estaduais. O entendimento é que cada estado poderá definir livremente seu palanque, apoiando Flávio Bolsonaro, o presidente Lula da Silva (PT) ou qualquer outro candidato à Presidência, de acordo com sua realidade política local.
A definição reforça a avaliação já apresentada por Ciro Nogueira aos correligionários, de que cerca de 90% das bases do Progressistas são favoráveis à neutralidade. Esse posicionamento deverá ser um dos principais argumentos do senador em conversa com Flávio Bolsonaro.
Além da consulta às bases, dirigentes do PP apontam que a prioridade da federação é fortalecer sua atuação nas eleições proporcionais. O projeto político prevê a formação de uma das maiores bancadas da Câmara dos Deputados, com cerca de 120 parlamentares, objetivo que poderia ser prejudicado por um alinhamento nacional, devido à necessidade de dividir recursos do fundo eleitoral entre campanhas majoritárias e proporcionais.
Outro fator citado nos bastidores é o desgaste político provocado pela falta de apoio de Flávio Bolsonaro quando Ciro Nogueira foi alvo de uma operação da Polícia Federal, episódio lembrado por aliados do presidente do PP como um dos elementos que dificultaram uma composição eleitoral.
Apesar da decisão da União Progressista, interlocutores do PL avaliam que ainda existe espaço para negociação antes do início oficial da campanha. Por esse motivo, a definição do candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro foi adiada. Paralelamente, o partido também mantém conversas com o Republicanos, que igualmente sinaliza para uma postura de neutralidade na disputa presidencial.
Na avaliação de dirigentes partidários, a decisão da União Progressista representa um revés para a estratégia de Flávio Bolsonaro de consolidar o apoio de partidos do Centrão antes do avanço do calendário eleitoral e das convenções partidárias, reduzindo as chances de uma aliança nacional ampla neste momento.

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