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Um ano após agressão, mulher espancada com 61 socos é candidata a deputada estadual no RN: ‘Vi a necessidade’

Juliana Garcia, jovem espancada com 61 socos pelo ex, é candidata a deputada estadual no Rio Grande do NorteFoto: Juliana Soares/@julianagarcia13113/Instagram/Reprodução/ND Mais

Um ano após ser brutalmente agredida dentro do elevador de um condomínio com 61 socos pelo ex-namorado, Juliana Garcia dos Santos Soares transformou a violência sofrida em uma bandeira de luta contra a violência de gênero.

O caso completou um ano em 26 de julho, no Rio Grande do Norte, e teve repercussão nacional.

Juliana foi atacada pelo então namorado, o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral. Em menos de um minuto, ela levou 61 socos. Igor está preso e aguarda julgamento por tentativa de feminicídio.

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Para a reconstrução facial, foram necessárias sete placas de titânio, presas com 31 parafusos.

Hoje, aos 36 anos, Juliana disputa uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Ela é candidata a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições deste ano.

Juliana Garcia é candidata a deputada estadual pelo PTFoto: Juliana Soares/@julianagarcia13113/Instagram

Agressão com 61 socos motivou Juliana a entrar na política

A história também passou a fazer parte da trajetória política de Juliana, embora a candidatura não tenha sido uma decisão tomada imediatamente após a agressão no elevador, em que levou 61 socos do ex-namorado.

Em entrevista ao BNews RN, ela afirmou que recebeu convites de diferentes grupos e partidos, mas resistiu inicialmente.

O que mudou sua posição foi, principalmente, a insistência de mulheres que passaram a procurá-la para pedir que ocupasse um espaço de representação política.

“As pessoas me sondaram, procuraram saber se eu tinha interesse. Eu sempre fui muito resistente. Inicialmente disse que não queria, que não queria de jeito nenhum. De fato, eu não queria, mas as mulheres me pediram para que eu ajudasse, para que eu tomasse alguma providência, para que eu ajudasse de alguma forma”.

Juliana Garcia decidiu entrar na política após inúmeros pedidos de diversas mulheresFoto: Juliana Soares/@julianagarcia13113/Instagram

Juliana conta que não tinha a noção da proporção e do tamanho do problema.

“Como pessoa física, eu não vou conseguir ajudar. Só como pessoa física, não. É uma situação estrutural que é complicada. Então eu resolvi lançar a minha candidatura. As mulheres pediram e eu vi a necessidade”.

A candidata, que foi vítima de uma tentativa de feminicídio, também lembrou que sofreu outro tipo de violência durante sua exposição pública.

“Eu sofri muita política de gênero. Com a violência da política de gênero, quando eu me posicionei, quando eu posicionei o meu lado partidário”.

Ela destacou que os níveis de violência foram aumentando com o passar do tempo.

“Por isso resolvi usar isso como forma, como gás, para lutar mesmo. Então, é converter essa energia, sabe? É mudança de energia mesmo”, explicou Juliana Garcia.

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    Juliana foi agredida por Igor Cabral em julho de 2025 – Reprodução/Domingo Espetacular/ND

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    Juliana foi agredida por Igor Cabral em julho de 2025 – Reprodução/Domingo Espetacular/ND

Como aconteceu a agressão no elevador?

A agressão, que terminou com os 61 socos, aconteceu na tarde de 26 de julho de 2025, após uma discussão entre Juliana e Igor Cabral dentro do elevador do condomínio onde ela morava, na Zona Sul de Natal.

O agressor teria ficado com ciúmes depois de ver algumas mensagens no celular de Juliana. Ele jogou o aparelho dela na piscina e subiu ao apartamento para pegar os próprios pertences.

Juliana subiu atrás dele, utilizando outro elevador. Com medo de ser agredida, ela permaneceu no elevador porque não havia câmeras no corredor. Durante a discussão, o agressor avançou sobre a vítima e a socou no rosto por mais de 60 vezes.

Moradores contiveram Igor Cabral até a chegada da polícia, e ele foi preso em flagrante na sequência. Juliana precisou ser hospitalizada e, sem conseguir falar, prestou depoimento à polícia por meio de um bilhete escrito.

A vítima também passou por uma cirurgia que durou mais de sete horas. A reconstrução facial exigiu sete placas de titânio e 31 parafusos, em consequência das lesões provocadas durante a agressão.


Fonte: Clique aqui

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