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Gelson Merisio defende propostas durante sabatina do Grupo ND

Gelson Merisio durante sabatina do Voto+, do Grupo NDFoto: Alan Pedro/ND

Nesta quarta-feira (19), o ex-deputado estadual e candidato ao Governo de Santa Catarina, Gelson Merisio (PSB), foi o terceiro entrevistado na série de sabatinas promovidas pela NDTV RECORD.

Ao longo de 15 minutos, o candidato respondeu perguntas selecionadas sobre os temas mais pertinentes à Santa Catarina e defendeu suas principais propostas de governo para as eleições de 2026. Veja a entrevista na íntegra.

Voto+: Em seu plano de governo, o senhor está propondo tarifa zero no transporte e investimento em áreas estratégicas, como Saúde, Educação, Infraestrutura, além de valorizar o funcionalismo. De onde virá o dinheiro? Aumento de receita, redução de despesas, endividamento ou recursos federais?

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Nós temos que primeiro fazer uma reflexão. Se nós voltarmos a 2015, o Estado arrecadava R$ 22 bilhões por ano aproximadamente. Hoje são R$ 56 bilhões de reais. Se nós atualizarmos os R$ 22 bilhões para final de 2025, vão ser R$ 36 bilhões. Quer dizer que nós temos R$ 20 bilhões a mais de receita corrigida do que nós tínhamos em 2015. Isso dá R$ 80 bilhões em um mandato.

Se nós temos uma folga financeira, nós passamos a ter escolhas políticas a serem feitas. E, com todo o respeito, eu entendo que o governo errou muito nas escolhas políticas. Porque se olhar a infraestrutura, nós não tivemos investimento em duplicação de rodovias. Nós temos um problema de mobilidade muito crônico. A opção é o transporte coletivo. E o que custeia hoje o transporte coletivo é um imposto horizontal.

Quem paga são as pessoas que pagam a tarifa, seja ela pobre, rica, enfim, quem usou o ônibus paga o transporte. Na tarifa zero, que eu acho que é possível ser implementado, você tem a contribuição patronal que é obrigatória acima de 11 funcionários; você tem o subsídio das prefeituras; e você tem o imposto, que esse sim deve ser horizontal para cobrir uma área da sociedade que é mais carente. Quem anda de ônibus, anda porque precisa para ir trabalhar para sua locomover.

E na minha concepção, o transporte público é um direito fundamental como é o SUS.

Ora, por que que você estrutura um processo a começar pelas regiões metropolitanas. Ou o caso aqui de Florianópolis, onde se encontre um modelo que pare em pé economicamente, levando em conta já o vale-transporte das empresas, levando em conta os subsídios dos municípios, levando em conta as gratuidades que já existem, desonerando com a cobrança, os custos de cobrança e administração do processo, eu sinceramente acredito que é viável ser implementado, de forma que o trabalhador possa andar livremente, a dona de casa ou jovem, sem estar preocupado com o custo com o transporte que vai ser no final das contas. Coberto por um imposto que já existe de uma forma horizontal.

Voto+: A falta de infraestrutura é um dos gargalos de Santa Catarina. A gente tem a questão do ritmo das obras federais que são lentos e também no caso do Morro dos Cavalos que depende da capacidade de articulação política entre o governo e a União. Se eleito, como o senhor pretende atuar junto ao governo federal para acelerar esse tipo de obra?

Vamos de novo voltar em 2019. Presidente Bolsonaro eleito, governador Moisés eleito, senador Jorginho Mello eleito, o diretor do DNIT por indicação do Jorginho Mello. Eles, esse grupo, esse governo, construiu o projeto de concessões das rodovias federais e das rodovias estaduais alimentadoras em Santa Catarina. O projeto feito por eles previa R$ 24 bilhões para duplicação das rodovias federais e também para as estaduais alimentadoras.

Em 2022, ganhou a eleição presidencial o presidente Lula. O que faz o governador Jorginho Mello? Retira as rodovias estaduais, projeto que eles incluíram e eles fizeram, portanto, não há de entrar no mérito se é certo ou errado, eles fizeram. Retira as rodovias estaduais. Qual é o efeito prático disso? Todo o processo que já tinha audiência pública, projeto de viabilidade financeira, cai por terra. Tem que refazer tudo do zero, agências públicas, um novo processo de viabilidade.

O Paraná, que na mesma época em 2019 iniciou o processo junto com o governo federal, o governo do Paraná, continuou de onde parou. Aliás, se tivesse ganho o presidente Bolsonaro, com certeza o governador de Santa Catarina não teria retirado o projeto daqui.

Muito bem, o Paraná já investiu nesses 3 anos R$ 8 bilhões de reais. Santa Catarina nenhum real, nem rodovia federal, nem rodovia estadual. O que precisa é ter uma relação que seja republicana com o governo. Seja ele quem for.

Se o Jorginho não gosta do Lula, o problema é dele, não tem nada que ver com isso. Aliás, o Lula não deve gostar dele também, porque ele veio para cá e nunca foi recebido pelo governador. Não há uma solicitação de audiência do governo de Santa Catarina com a o presidente da República. Isso não é correto. São Paulo é tão oposição ao governo federal quanto Santa Catarina, Paraná é a mesma coisa, mas tem uma relação republicana.

Essa lacração de rede, essa necessidade de se mostrar distante do governo, ali num sinal de fraqueza, de imaturidade, é um prejuízo brutal aos catarinenses que convivem com rodovias saturadas, que não tem investimento nenhum em infraestrutura efetiva, porque faz tanta propaganda de Estrada Boa, mas é zeladoria, é manutenção. Onde é que estão as duplicações que o Paraná está fazendo, que São Paulo está fazendo? Não existe porque não há sinergia entre Santa Catarina e o Brasil.

Eu tenho dito que nós temos que reencontrar o Brasil com Santa Catarina, coisa que é muito, mas muito culpa da postura totalmente equivocada do governo do Estado para com o governo federal.

Voto+: Em 2018, o senhor declarou voto em Jair Bolsonaro. Hoje é candidato de uma frente de esquerda que pretende ser o palanque de Lula em Santa Catarina. O que mudou? O senhor ou o seu projeto político?

Eu mudei. Falo isso com toda a tranquilidade e toda a sinceridade. Se você acompanhar o desempenho do Jair Bolsonaro e do governador Moisés, ele é incompatível com uma reeleição. Tanto é que os dois não se reelegeram em 2022. Eu fui derrotado em em Santa Catarina em 2018 por um processo de verticalização do 17 e eu respeitei isso, não menospreza ou diminui o candidato, mas foi um processo de verticalização.

Em janeiro de 2019, quando assumiram os dois, a partir de então, não houve uma audiência do presidente da República com o governador de Santa Catarina. Nem aqui, nem lá. A condução da pandemia, para mim foi uma tragédia, foi um crime cometido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro com o Brasil e com Santa Catarina. Muitas pessoas morreram sem precisar, por falta de protocolo, por atraso nas vacinas.

Chegou 2022, eu fui conhecer o presidente Lula. Eu não conhecia o presidente Lula, fui encontrar ele em São Paulo, conheci um ser humano que me deixou muito entusiasmado pela vontade de trabalhar, de servir, pela experiência e a partir daí virei um admirador dele.

Ajudei a coordenar a eleição dele em 2022 com o Décio. Participei como assistente com muito entusiasmo desse governo. E eu volto de novo a 2022, os empresários de Santa Catarina: “Olha, o Brasil vai quebrar, vai virar uma Venezuela”.

Hoje, nós temos uma economia que vai muito bem, obrigado. Nós temos uma taxa de inflação que é a menor dos últimos 20 anos. Nós temos uma taxa de desemprego que é menor da série histórica. Nós não temos nenhum horizonte que preocupe no final do ano, se vai ter 8 de janeiro, não vai ter 8 de janeiro. Quem ganhar a eleição vai assumir de uma forma democrática, como tem que ser. Por isso, é natural que eu esteja com o presidente Lula com muito vontade para pedir o voto para ele, com a convicção de que é melhor para o Brasil neste momento.

Agora, quem mudou, eu mudei e mudei com muito prazer, aliás, quero aproveitar para agradecer as pessoas de esquerda que estão me recebendo muito bem. Da minha parte, eu tenho feito muito esforço em também estar conectado com as bandeiras históricas dessas pessoas. É uma obrigação que eu tenho. Na área da cultura, na área de segurança pública, na área da mobilidade, a forma como é tratada e a visão que a esquerda tinha, que eu tenho que me adequar. Eu que mudei, não foram eles.

Por isso, eu tenho que aprimorar o meu debate, o meu conhecimento para que possamos fazer de fato uma vitória conjunta. Eu quero ganhar junto com o presidente Lula e ganhar junto com as pessoas de esquerda que vão votar comigo na eleição.

Voto+: O senhor coloca também como uma das principais bandeiras nas suas propostas, a retomada das relações de Santa Catarina com o governo federal. E se o presidente Lula for reeleito, de fato, eu lhe pergunto, o que exatamente pretende trazer para Santa Catarina, que o estado hoje não está conseguindo? E também nesse sentido, se Flávio Bolsonaro se eleger, com o senhor conduziria essa relação?

Uma boa relação, com uma relação republicana. Eu sinceramente não acredito que isso vá acontecer. Eu entendo que o Brasil vai compreender a diferença de um candidato e de outro. Nós temos de um lado uma pessoa com 80 anos, indo para o seu quarto mandato, um legado a ser construído e edificado no Brasil e um improviso que é o filho do Jair Bolsonaro.

Não é o Jair Bolsonaro, é o filho do Jair Bolsonaro, vindo do Rio de Janeiro com todas as complexidades que o Rio de Janeiro traz. Agora, o que nós temos que ter é uma relação republicana. Nós temos que ter investimento no estado em segurança pública. Olha, eu falei de R$ 20 bilhões a mais por ano de acréscimo da receita. Então, esses recursos estão sendo investidos em segurança pública? Não está. Nós temos menos policiais civis e menos policiais militares hoje do que nós tínhamos em 2023.

Mas então a infraestrutura? Nós não temos hoje nenhum quilômetro de rodovia duplicada. Efetivamente uma rodovia nova duplicada não tem nenhuma. Mas ainda investimos em presídios e novos presídios?! Nenhum foi construído nos últimos 8 anos. Ah, mas então a prioridade é a educação com os professores. Nós temos o 23º salário de professor do Brasil. O nosso IDEB é o 12º, o IBED que importa para o governo do estado, que é o IDEB do Ensino Médio, onde a responsabilidade é do governo do estado.

Nós somos o 12º do Brasil atrás do Pará, atrás do Ceará, atrás do da Bahia, mas como? Mas então cadê o recurso a mais que nós tivemos de receita de 2018, 2022, 2025? De 2015 para 2025, como eu falei, foram R$ 20 bilhões a mais por ano.

Voto+: O senhor manteria a CASAN como empresa pública? Haveria espaço para concessões ou estudariam a privatização? Como o senhor pretende acelerar essa universalização do saneamento dos catarinenses sem aumentar excessivamente a tarifa para o consumidor?

Olha, eu falei que eu mudei e mudei também os meus conceitos. Se fosse 2018, talvez eu tivesse uma posição diferente. E não é porque agora estou no campo de esquerda. Eu acompanhei no processo privado que eu trabalhei de 2018 para cá, alguns processos que foram muito impactantes para mim.

O principal deles foi a privatização da Eletrobras, que foi uma tragédia do ponto de vista de um ente público para fazer a mediação de mercado. Eu entendo que os serviços públicos, e falo isso com toda sinceridade, como a Casan e da Celesc, elas têm que permanecer. Com eficiência administrativa, mas elas têm que permanecer públicas. Como um regulador de mercado, nada impede que nós tenhamos também outras empresas privadas que atuem em qualquer segmento.

Mas o Estado tem que ter uma ferramenta de regulação de mercado, de preços e de serviços. E a Casan e a Celesc, que são empresas que não são peso para o estado, nós temos uma profunda defasagem no saneamento público, mas não pode se atribuir só a Casan, tem que ser uma política pública do governo do estado e do governo federal e para isso há de ter uma boa relação entre o governo federal e o governo do estado também para que elas possam prestar o melhor serviço, mas públicas as duas.

Voto+: No debate da NDTV, o senhor propôs reduzir para 10 o número de secretarias de estado que hoje são 30. Quanto essa medida representaria, então, em economia de recursos e ganho na eficiência? E como funciona esse modelo de gestão que o senhor oferece para garantir também a redução da estrutura, mas não comprometendo o serviço oferecido?

Quem presta o serviço é o funcionário efetivo, para começo da conversa. Segundo, não se trata nem de uma questão de redução de custo. Quando eu falo em reduzir para 10, é eficiência administrativa.

E das 10 ainda duas serão novas, como eu já disse. Quero criar a Secretaria da Cultura, porque entendo que é um segmento econômico e cultural que precisa ser muito aprimorado e investido hoje. Nós temos um desinvestimento na cultura de Santa Catarina e é algo importante para um estado como o nosso. E eu quero criar a Secretaria de Defesa e Bem-estar Animal. Porque nós temos na causa animal um novo paradoxo social que tem que ser compreendido e interpretado. As oito remanescentes serão de meio e de fim.

As de meio, baseada na Fazenda na administração que serão fundidas. As fim, que é Saúde, Educação e Segurança Pública com muitos funcionários efetivos aproveitados. Nós não precisamos trazer gente de fora para cuidar do estado. Tem muito funcionário efetivo com qualificação ou está relegado no segundo plano dando lugar a terceirizados, dando lugar a comissionados que muitas vezes demoram por um ano, dois para entender o processo público. Enxugar e dar eficiência não é um número de secretarias, nem um número de pessoas que se traz de fora.

Basta ver a secretária de turismo de Santa Catarina. A secretária, ex-esposa do Seif, com todo o respeito, não entende nada do turismo de Santa Catarina, é uma novata no estado. Nós temos gente que são oriundos da Santur (Agência de Desenvolvimento do Turismo de Santa Catarina) muito mais preparados, muito mais qualificados, que podem exercer funções no turismo com muita mais qualificação. Só como um exemplo.

Voto+: O senhor tem defendido a regionalização da saúde com atendimento à população mais perto de casa. Inclusive, com compra de leitos, utilidades pediátricas. Mas qual será efetivamente a prioridade número 1 no seu governo na área da saúde?

Regionalizar as especialidades. Qual é o problema do estado hoje? Nós temos uma porta de entrada gigante com SUS, com as UPAs e nós temos um funil quando chegam nas especialidades. Reduzir e regionalizar isso é o único caminho. Aliás, nós temos em Santa Catarina um aumento das filas de cirurgias.

O Paraná reduziu 44% a fila. Nós aumentamos 10. Está faltando investimento, está faltando organização, está faltando gestão. E a gestão começa por unidades descentralizadas, de forma que o Oeste, o Sul, o Norte, o Alto Vale possam ter na complexidade das suas atividades a regionalização feita. Tem o equipamento, o serviço profissional e a destinação do recurso não centralizado em Florianópolis, que torna tudo mais difícil.

Voto+: Sobre Defesa Civil, 2026 pode ser impactado pelo El Niño. O que o senhor propõe para o estado para a gente tentar evitar esse tipo de situação?

Menos propaganda e mais ação prática na preservação, na conservação, na manutenção das contenções de cheias que nós temos do Alto Vale. Agora, você está fazendo um pandemônio, um pano de fundo na boca do El Niño. Você gastou R$ 13 milhões de reais em propaganda na rubrica da Defesa Civil e gastou menos de R$ 1 milhão no serviço direto. Então, é menos propaganda e mais serviço e mais entrega efetiva na prevenção e na parceria com os municípios.

Voto+: R$ 1 milhão ou R$ 1 bilhão?

Dou R$ 13 milhões de reais gastos para R$ 1 milhão investido em ações práticas de manutenção de barragens aqui no Alto Vale.

Voto+: Um minuto para as considerações finais.

Eu quero fazer um apelo ao eleitor, nós temos um governo que vai para reeleição, foram quatro anos de muita propaganda e um discurso único sem contraponto da sociedade, sem contraponto de oposição. Eu quero pedir ao eleitor que agora no período eleitoral, nós de fato possamos analisar a capacidade de caixa que o estado propõe e dispõe, onde é que foram as escolhas políticas e o que de fato foi entregue, não a propaganda.

Entregue em rodovias, entregue em número de policiais, entregue em redução de filas, entregue em salário de professor, é uma vergonha. Nós temos o 23º salário do professor do Brasil. Essa análise vai permitir ao eleitor escolher bem, não por uma verticalização ideológica, mas o que é melhor para Santa Catarina. Esse é o apelo que faço e se entenderem que o meu número 40 é o escolhido, vou ficar muito agradecido e por isso peço o seu voto, agora que estamos iniciando a campanha e é permitido o pedido de voto.

NDTV RECORD promove série de sabatinas

No decorrer da semana, os candidatos Gelson Merísio (PSB) e Ralf Zimmer (PRD/Solidariedade) também serão entrevistados, respectivamente, nas sabatinas da NDTV RECORD.

As entrevistas contemplam os candidatos de partidos que possuem representatividade no Congresso Federal. O objetivo é oferecer ao eleitor catarinense a oportunidade de conhecer detalhadamente as propostas de cada candidato antes de ir às urnas.

NDTV RECORD promove sabatinas com candidatos ao Governo de Santa CatarinaFoto: Divulgação/ND Mais

A ordem de realização das entrevistas foi definida por meio de sorteio, realizado com a presença dos representantes dos partidos, garantindo transparência e isonomia na definição da sequência das sabatinas.

A iniciativa faz parte do Voto+, o mais abrangente projeto multiplataforma de cobertura eleitoral do Estado, que reúne as forças da NDTV RECORDND MaisJornal ND, rádios e redes sociais.

Calendário das sabatinas

Segunda rodada de sabatinas

  • 07/09 – Segunda-feira – Gelson Merisio (PSB);
  • 08/09 – Terça-feira – Ralf Zimmer (PRD/Solidariedade);
  • 09/09 – Quarta-feira – Jorginho Mello (PL);
  • 10/09 – Quinta-feira – João Rodrigues (PSD).

Assista a sabatina de Gelson Merisio na íntegra


Fonte: Clique aqui

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