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Sem pedágio, gasto é alto

Rodovias mal conservadas e perigosas custaram R$ 11 bilhões em requalificação nos últimos 15 anos ao Estado – e a infraestrutura segue precária

Por

JC


Publicado em 12/06/2026 às 0:00
| Atualizado em 12/06/2026 às 6:58

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Sem outro tipo de transporte terrestre, como o ferroviário, de alternativa para a mobilidade das populações e de cargas, o modal rodoviário concentra grande movimento no Brasil. E junto com a utilização intensa, vem a necessidade de manutenção e expansão da malha, o que nem sempre acontece na velocidade ideal para a demanda crescente.

Por mais que os governos busquem dar conta dos investimentos de ampliação e prevenção ao desgaste das rodovias existentes, o custo é caro – e são os cidadãos que pagam, mesmo que não façam uso das estradas, já que os gastos são bancados com dinheiro público.

Daí a justificativa dupla pela adoção de concessões à iniciativa privada, capazes de conferir viabilidade aos serviços de conservação, melhoria e expansão dos trechos concedidos. De um lado, os recursos podem chegar mais rapidamente, permitindo a antecipação de soluções viárias para a coletividade.

De outro, esses recursos significam economia para a população, que financia o gasto público, e pode ver outra destinação para os bilhões que seriam aplicados. Trata-se da confluência lógica de ganhos econômicos, logísticos e sociais. Há exemplos no Brasil, sobretudo em São Paulo, onde a concessão pedagiada é rotina, e a gestão das rodovias faz parte de visível aceleração do desenvolvimento.

Segundo levantamento publicado na coluna Mobilidade, do JC, a soma de recursos públicos investida em programas de requalificação da estrutura viária passa de R$ 11 bilhões, incluindo os R$ 500 milhões nos 120 quilômetros duplicados da BR-232 entre o Recife e Caruaru, quantia advinda da privatização da Celpe no governo Jarbas Vasconcelos.

Desde 2011, os governos estaduais não poupam esforços financeiros, traduzidos na maioria dos casos em dividendos políticos, para melhorar as condições das estradas e da mobilidade rodoviária em Pernambuco. E não é diferente na gestão atual, de Raquel Lyra, com o programa PE na Estrada, que prevê um aporte acima de R$ 7 bilhões, com a inclusão do Arco Metropolitano, obra simbólica para destravar o nó da travessia do Grande Recife.

Mas infelizmente, a dinheirama aplicada não tem sido suficiente para apagar a má impressão de rodovias que poderiam ser mais seguras, sinalizadas e confortáveis para quem nelas trafega. “A recuperação da malha rodoviária é um ‘poço sem fundo’ – como se diz na linguagem popular – para qualquer gestão pública, independentemente da corrente política”, escreveu a colunista Roberta Soares, destacando que os projetos de concessões à iniciativa privada não estiveram, nem estão, aparentemente, na agenda dos governos em Pernambuco. É como se o pedágio, a exemplo de outras partes do Nordeste, fosse um tabu – mesmo que se olhe para as rodovias pedagiadas do Sudeste como modelos bem-sucedidos.

Quem sabe se encare, por aqui, o pedágio político muito caro para a mera consideração das estradas pedagiadas como alternativas interessantes, que poderiam resultar em benefícios coletivos mais eficazes do que o que se alcança, provisoriamente, através do sorvedouro de bilhões da requalificação, sempre necessária e muito mais cara, patrocinada pelo concorrido dinheiro público.

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