A estiagem registrada nas últimas semanas provocou uma forte redução na expectativa de produção de milho na Bahia e em outros estados do Nordeste. De acordo com o mais recente boletim da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta semana, a projeção para a terceira safra do cereal foi reduzida em 17,3% entre junho e julho, reflexo da escassez de chuvas durante fases decisivas do desenvolvimento das lavouras.
A estimativa passou de 3,26 milhões para 2,70 milhões de toneladas, uma retração que também representa queda de 10% em relação às 2,99 milhões de toneladas colhidas na safra anterior. Mesmo com um aumento de 6,7% na área cultivada, a produtividade foi revisada para baixo, com recuo de 15,7%, alcançando 3.976 quilos por hectare.
Segundo a Conab, as perdas estão concentradas principalmente nas áreas de sequeiro do nordeste baiano, onde a redução das precipitações comprometeu lavouras em fases de desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento dos grãos. Em diversas propriedades, os prejuízos já são considerados irreversíveis.
O boletim também destaca a situação enfrentada pelos produtores do município de Adustina, no nordeste da Bahia, e do Sertão de Sergipe. Nessas regiões, parte significativa das lavouras deverá ser destinada à produção de silagem, enquanto outras áreas sequer terão condições de serem colhidas devido aos efeitos da seca prolongada.
Nordeste mantém crescimento na produção de grãos
Apesar da queda na produção de milho, a Conab mantém uma perspectiva positiva para a safra de grãos no Nordeste em 2026. A estimativa é de que a região alcance 34,82 milhões de toneladas, volume 10,8% superior ao registrado no ciclo anterior.
A Bahia permanece entre os principais produtores da região, ao lado de Piauí e Maranhão. Juntos, os três estados deverão responder por 92,7% da produção nordestina de grãos nesta temporada.
Além da Bahia, o Piauí apresenta crescimento estimado de 22,9%, com produção prevista de 7,69 milhões de toneladas, enquanto o Maranhão deverá alcançar 9,12 milhões de toneladas, alta de 3,8% na comparação com a safra passada.
Produção de milho e grãos no Nordeste
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Redução da projeção do milho | 17,3% |
| Estimativa anterior | 3,26 milhões de toneladas |
| Nova estimativa | 2,70 milhões de toneladas |
| Queda em relação à safra anterior | 10% |
| Crescimento da área plantada | 6,7% |
| Queda da produtividade | 15,7% |
| Produtividade estimada | 3.976 kg/hectare |
| Produção total de grãos no Nordeste | 34,82 milhões de toneladas |
| Crescimento regional | 10,8% |
| Participação de Bahia, Piauí e Maranhão | 92,7% |
Embora a produção regional de grãos continue em trajetória de crescimento, a redução das chuvas no nordeste baiano acende um alerta para os produtores de milho, especialmente nas áreas dependentes exclusivamente das precipitações. O cenário reforça a importância do monitoramento climático e da adoção de estratégias para reduzir os impactos da estiagem sobre a agricultura na região.

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