Os suplentes de senador podem ganhar protagonismo nas eleições de 2026. Senadores eleitos em 2022, com mandato previsto até fevereiro de 2031, estão no radar para disputar governos estaduais.
Se forem eleitos, deixarão as cadeiras no Congresso para assumir os Executivos estaduais, abrindo espaço para os primeiros suplentes das respectivas chapas.
A movimentação pode levar ao Senado, a partir de 2027, nomes que hoje têm pouca projeção nacional.
Entre eles estão advogados, empresários, ex-prefeitos, ex-secretários estaduais e lideranças políticas regionais. Alguns, porém, já tiveram a experiência de ocupar temporariamente uma cadeira na Casa Alta.
Os suplentes são eleitos juntamente com o titular na mesma chapa para o Senado. Por isso, caso o titular deixe definitivamente o mandato, é o primeiro suplente, e não um nome escolhido posteriormente pelo partido, quem assume a vaga.
Advogado e amigo de Moro pode assumir cadeira no Senado
O primeiro suplente de Sergio Moro (PL-PR) é Luis Felipe Cunha, advogado de Curitiba e aliado de confiança do senador, e pode entrar em campo no Senado como titular caso o ex-juiz seja eleito no Paraná.
Cunha é mestre em Direito Econômico e Social pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e atua nos tribunais superiores. Também tem experiência na área de Direito Desportivo e na representação de atletas.
A relação com Moro é anterior à chegada dos dois ao Senado. Cunha já atuou na defesa jurídica do ex-juiz em processos judiciais e também apareceu em questionamentos relacionados à campanha eleitoral de 2022.
Moro foi eleito senador pelo Paraná em 2022 para um mandato que vai até 2031. Em março deste ano, trocou o União Brasil pelo PL e passou a se movimentar para disputar o governo paranaense.
Petista pode assumir a vaga de Omar Aziz, do Amazonas
No Amazonas, a eventual saída de Omar Aziz (PSD) abriria espaço para Cheila Vieira Moreira, primeira suplente da chapa eleita em 2022.
Professora, pedagoga e servidora pública, Cheila tem trajetória política no PT. Ela foi vereadora de Itacoatiara e construiu sua carreira no partido antes de integrar a chapa de Omar para o Senado.
O caso chama atenção pela diferença partidária entre titular e suplente. Enquanto Omar é do PSD, Cheila é filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Omar Aziz teve a candidatura ao governo do Amazonas oficializada em convenção do PSD em julho. A chapa também reúne partidos como MDB e Republicanos.
Cantor gospel pode assumir vaga de Alan Rick, do Acre
No Acre, o primeiro suplente de Alan Rick (Republicanos) é Gemil Salim de Abreu Junior, conhecido como Gemil Júnior.
Administrador e bacharel em Direito, Gemil também atua como cantor gospel. Antes de chegar à chapa do Senado, teve experiência na política acreana e chegou a ocupar temporariamente uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado.
Ele foi escolhido primeiro suplente na chapa de Alan Rick em 2022 e atualmente está filiado ao PSD.
Mauro Carvalho já foi senador e pode voltar à Casa
Em Mato Grosso, o primeiro suplente de Wellington Fagundes (PL) é Mauro Carvalho Júnior (União).
Empresário e ex-secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Carvalho Júnior não seria exatamente um estreante no Senado. Em 2023, ele ocupou a cadeira de Wellington durante uma licença médica do titular.
Na ocasião, permaneceu cerca de quatro meses no Congresso. Em seu discurso de despedida, afirmou que a experiência havia permitido conhecer a atuação do Legislativo por dentro. Depois, retornou ao governo estadual.
Wellington foi lançado pelo PL para disputar o governo de Mato Grosso. Se for eleito, o suplente que já conhece o funcionamento da Casa poderá retornar ao Senado.
Empresário da Paraíba também já ocupou cadeira no Senado
Na Paraíba, André Augusto Castro do Amaral é o primeiro suplente de Efraim Filho (PL).
Empresário, Amaral tem atuação em diferentes setores, incluindo tecnologia, agropecuária, mineração, logística, construção e turismo. Ele também já exerceu temporariamente o mandato de senador durante licença do titular.
Efraim está no grupo de senadores que se movimentam para disputar o governo da Paraíba. Se vencer, André Amaral poderá retornar ao Congresso em 2027 para completar o mandato.
Ex-prefeita pode voltar à política nacional pelo Tocantins
No Tocantins, a primeira suplente da senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil) é Lucineide Parizi Freitas, conhecida como Professora Lu.
Ela tem experiência no Executivo municipal. Foi prefeita de Arapoema, no interior do Tocantins, e disputou novamente eleições municipais depois de deixar a prefeitura.
Empresária pode chegar ao Senado por Goiás
Em Goiás, a primeira suplente de Wilder Morais (PL) é Izaura Cristina Cantanhede Peres Cardoso.
Empresária, Izaura também tem trajetória na comunicação e atuação religiosa. Ela é casada com o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), que também ocupa uma cadeira no Senado.
Izaura disputou a Prefeitura de Senador Canedo em 2024. Sua eventual chegada ao Senado colocaria mais um nome com atuação política regional na Casa.
Empresário do varejo é suplente de Cleitinho
Em Minas Gerais, o primeiro suplente de Cleitinho (Republicanos) é Alex Sandro Coelho Diniz, conhecido como Alex Diniz.
Empresário, ele está ligado ao grupo supermercadista Coelho Diniz, com atuação no varejo de alimentos em Minas Gerais. Alex Diniz foi escolhido primeiro suplente na chapa de Cleitinho em 2022.
Cleitinho passou por mudanças no cenário eleitoral mineiro nos últimos dias e voltou a ser autorizado pelo Republicanos a disputar o governo estadual.
Fernando Farias já exerceu o mandato de Renan Filho
Em Alagoas, o primeiro suplente de Renan Filho (MDB) é Fernando Lopes de Farias, empresário do setor sucroenergético.
Farias já conhece o Senado. Ele assumiu a cadeira de Renan Filho em 2023, quando o titular deixou o Congresso para comandar o Ministério dos Transportes no governo Lula, e voltou à suplência com o retorno do titular à Casa Alta.
Durante o período em que exerceu o mandato, Farias participou de frentes parlamentares e de atividades relacionadas a setores como energia e recursos naturais.
Troca de titulares pode alterar o perfil da Casa
A chegada dos suplentes poderá produzir efeitos que vão além da simples substituição de nomes.
Em alguns estados, o primeiro suplente pertence a uma legenda diferente da do titular. É o caso do Amazonas, onde Omar Aziz é filiado ao PSD e Cheila Moreira, sua primeira suplente, pertence ao PT.
Além disso, os novos senadores poderão permanecer na Casa até fevereiro de 2031, participando de votações relevantes durante toda a próxima legislatura.
O cenário, porém, ainda depende do resultado das eleições de 2026. Os senadores que forem derrotados nas disputas pelos governos estaduais poderão retornar normalmente ao Senado. Só haverá substituição definitiva se o titular for eleito e deixar o mandato para assumir o novo cargo.


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