O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o partido passará por mudanças profundas após a reeleição do presidente Lula da Silva. Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta quinta-feira (29), o dirigente disse que a legenda precisa superar contradições internas e evitar que projetos pessoais se sobreponham aos objetivos partidários.
Segundo Edinho, a direção pretende promover as mudanças consideradas necessárias para reorganizar a sigla. Ele também afirmou que o PT não deve se limitar aos períodos eleitorais e pretende manter sua base social mobilizada durante o novo mandato presidencial.
“Não podemos cometer o mesmo erro de 2022, quando o PT se desmobilizou”, declarou. Para o dirigente, a mobilização da militância será importante para defender a democracia e influenciar as prioridades do Congresso Nacional.
PT quer reformas e mobilização social
Edinho afirmou que o partido pretende combinar diálogo com parlamentares e participação popular para avançar em propostas como reformas política e eleitoral, mudanças no Judiciário e medidas relacionadas à distribuição de renda.
Sobre a possibilidade de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, o presidente do PT declarou que a posição atual da legenda é contrária à medida. Ele ressaltou, porém, que a prioridade imediata é manter a base mobilizada e organizar a atuação política fora do calendário eleitoral.
O dirigente também criticou a postura do governo de Donald Trump durante a eleição brasileira e afirmou que a atuação de empresas americanas de tecnologia levantou preocupações sobre interferência no processo eleitoral. Ao comentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Edinho declarou que eventuais questões envolvendo o senador devem ser tratadas pela Justiça brasileira, e não pelo PT ou pelo governo federal.
Sucessor de Lula em 2030 dependerá da força do partido
Questionado sobre quem poderá disputar a Presidência em 2030, Edinho afirmou que o PT não precisa definir antecipadamente um nome. Na avaliação dele, uma liderança surgirá naturalmente se a legenda estiver fortalecida, organizada nacionalmente e conectada às demandas da população.
O presidente partidário também destacou o desempenho do PT no Nordeste e citou lideranças como Camilo Santana, Rafael Fonteles e Rui Costa como representantes da força regional da legenda.
Na área econômica, Edinho defendeu a atuação do governo na construção do arcabouço fiscal e na aprovação da reforma tributária. Ele também criticou a demora do Banco Central em reduzir os juros e elogiou o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, embora tenha ressaltado que cabe exclusivamente a Lula definir a composição do próximo governo.

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