Pesquisa sobre o comportamento de pais e filhos mostra que o uso prolongado de telas pelos adultos pode deixar crianças e adolescentes vulneráveis
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Desde que os telefones móveis se tornaram unidades de vida passiva através de telas ativas, incorporando utilidades de TV, rádio, computador, calculadora, gravador, videogame, livro eletrônico e enciclopédia de pesquisa sobre qualquer assunto, entre outras iscas para a atenção, a preocupação de seu uso por crianças e adolescentes só aumenta. Nas escolas, a constatação da queda de rendimento no aprendizado e da baixa interação social, demonstrou a obviedade da armadilha levada pelas telas portáteis para as salas de aula. A proibição foi aceita como inevitável, restringindo a outros horários a diversão da fuga para a identidade digital. Mesmo assim, diante da invasão da informação entre os dedos de crianças e adolescentes, educadores, gestores públicos e as famílias continuam desconfiados de que é preciso fazer mais para desviar os jovens do vício virtual.
Que tal começar admitindo o mau exemplo dos mais velhos, que por trabalho ou similar impulso de fuga, se atiram nas redes sociais e demais funcionalidades dos celulares, em horas seguidas presos à tela? A responsabilidade não se limita ao controle no ambiente escolar. Dentro de casa, nas relações familiares, no cotidiano com amigos e em atividades recreativas ou de complemento educativo, a infância e a adolescência podem se encontrar tão ou mais expostas a esse vício – e aos seus desdobramentos durante anos, comprometendo o desenvolvimento cognitivo, mental e emocional, com prejuízos duradouros em toda a fase adulta.
A percepção, pelos filhos, de pais frequentemente imersos em telas, pode ser um atalho para crianças e adolescentes se sentirem inseguros, emocionalmente vulneráveis e com dificuldades evidentes de formação de vínculos, além de propensão a problemas de saúde mental no futuro próximo. É o que revela nova pesquisa nos Estados Unidos, do Centro de Pesquisa e Inovação da Newport Healthcare, publicada na revista Frontiers in Psychology, cujos resultados foram noticiados pela seção VivaBem, do UOL. A sensação dos jovens é de estarem em competição com as telas pela atenção dos adultos. Como não reproduzir um comportamento que serve de modelo de isolamento e desconexão com a realidade, vinculado ironicamente ao hábito da conexão digital?
Uma das indicações do estudo é a necessidade contínua de disponibilidade dos pais em relação aos filhos, seja em que idade for. A qualidade dos vínculos – e dos afetos projetados ou formados – depende de os pais estarem disponíveis em laços presenciais. A hipnose da tela distancia os filhos que enxergam o pai e a mãe hipnotizados. A repetição da indisponibilidade é perniciosa para crianças e adolescentes, gerando desconfortos que podem desaguar em outros momentos, como gatilhos de ansiedade, aversão social e doenças que reflitam, no corpo, a desconexão com as figuras parentais.
É importante que seja mantido o cuidado nas escolas, diante das tentações virtuais, para que não se perca o foco do desenvolvimento integral aliado à aquisição de conhecimentos. Mas o reconhecimento de padrões refletidos em crianças e adolescentes, vindos de casa e das relações mais próximas, merece aprofundamento e reflexão, para que as medidas corretamente tomadas no ambiente escolar não sejam iniciativas fadadas ao fracasso na educação das novas gerações.

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