A suinocultura de Santa Catarina enfrenta um período de forte pressão sobre os produtores. Somente em 2026, já foram registradas 13 reduções no preço pago pelo suíno vivo, segundo Losivanio Lorenzi, presidente da ACCS (Associação Catarinense de Criadores de Suínos).
De acordo com Lorenzi, os anúncios ocorreram, em média, a cada 18 dias. A sequência de quedas preocupa o setor e, segundo o presidente da entidade, os valores atuais já não são suficientes para garantir a sustentabilidade da atividade.
Queda no preço do suíno aumenta pressão sobre produtores de Santa Catarina
No sistema de integração e cooperativas, o preço médio passou de R$ 6,80 para R$ 4,65 por quilo vivo, conforme os dados apresentados pela ACCS. A redução representa uma perda próxima de 31%.
Entre no grupo
Entre os produtores independentes, a queda foi ainda maior. O valor recuou de R$ 8,50 para R$ 4,73 por quilo vivo, uma redução de aproximadamente 44%.
O impacto é significativo para quem trabalha fora dos sistemas de integração. Considerando um suíno de aproximadamente 130 quilos comercializado no mercado independente, o prejuízo pode ultrapassar R$ 250 por animal, segundo a associação.
“Não dá para suportar mais esse preço que está hoje na suinocultura”, afirmou o presidente da ACCS.
Exportações de carne suína avançam mesmo com queda na remuneração dos produtores
A situação dos produtores ocorre em meio ao crescimento das exportações brasileiras de carne suína.
Segundo os números apresentados por Lorenzi, o Brasil exportou quase 800 mil toneladas até julho, mais de 60 mil toneladas acima do volume registrado no mesmo período do ano passado.
Mesmo com o desempenho das exportações, a remuneração recebida pelos produtores segue pressionada.
Para a ACCS, o cenário está relacionado, entre outros fatores, ao crescimento da produção registrado nos últimos anos, que teria ampliado a oferta e pressionado os preços.
ACCS defende união entre produtores, indústrias e cooperativas para enfrentar crise
Diante da crise, Losivanio Lorenzi defende uma mobilização entre as entidades que representam os produtores, a indústria, cooperativas e integradores.
A proposta é buscar um equilíbrio entre oferta e demanda e criar condições para que os suinocultores tenham margem de lucro.
Segundo o presidente da ACCS, a preocupação é evitar que a sequência de quedas comprometa a permanência dos produtores na atividade e gere novas perdas para as propriedades.
Lorenzi também chama atenção para a necessidade de garantir a sustentabilidade da produção nacional, diante do contraste entre o crescimento das exportações e a dificuldade enfrentada pelos produtores para manter a atividade.


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