Homevirais

Mais gente gripada? Médicos explicam o fenômeno

Clique aqui e escute a matéria

A impressão de que “todo mundo está gripado” tem sido comum nas últimas semanas. Embora os dados oficiais das Secretarias de Saúde do Recife e de Pernambuco indiquem notificações dentro do esperado para o período, médicos que atuam na assistência relatam um aumento pontual e sazonal de quadros gripais, associado principalmente às aglomerações típicas do período de festas.

O cenário, segundo eles, não indica surto nem circulação de um novo vírus. 

O peso das confraternizações

Para o médico pneumologista Isaac Secundo, do Real Instituto do Pulmão, no Real Hospital Português, a explicação está menos nos vírus e mais no comportamento social. “O padrão da gripe não mudou, mas quando a gente fala de Natal e de ano-novo, há uma aglomeração de pessoas naturalmente”, afirma.

Reuniões familiares, encontros prolongados e contato com pessoas que não conviviam entre si ao longo do ano criam o ambiente ideal para a transmissão dos vírus respiratórios já conhecidos.

Essa combinação ajuda a explicar a impressão de que há mais pessoas com quadros gripais. “Essa percepção de que há mais gente doente, isso existe, mas não tem nenhuma virose nova, não tem nenhum agente infeccioso novo. São os vírus circulantes que aconteceram por causa de aglomerados”, reforça Isaac.

Casos mais intensos, mas sem gravidade

O médico pneumologista Alfredo Leite, chefe da Pneumologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), também relata aumento nos atendimentos por infecções das vias aéreas superiores, levemente acima do esperado para este período do ano.

Ele sublinha, no entanto, que os dados oficiais seguem sem indicar um pico expressivo.

Ainda assim, alguns quadros têm chamado atenção pela intensidade dos sintomas. “Alguns casos mais intensos, com muita prostração, casos febris, alguns pacientes idosos e com comorbidades se internando, mas sem gravidade”, descreve.

Segundo Alfredo, esse padrão é compatível com a chamada “gripe k”, nome popular atribuído à circulação da variante H3N2 do vírus influenza. Apesar do desconforto maior para alguns pacientes, ele tranquiliza. 

“São casos preveníveis pela vacina de gripe normal, é tratável com o Tamiflu (nome comercial do fosfato de oseltamivir), que é o antiviral usado para gripe comum.”

Cenário sob controle

Na avaliação dos especialistas, o momento atual é marcado por um acúmulo de casos em curto espaço de tempo, o que amplia a sensação de alta, mas não caracteriza um surto fora de controle nem a emergência de um novo agente infeccioso.

A principal orientação segue sendo a vacinação contra a gripe, atenção aos sintomas e busca por avaliação médica quando necessário, especialmente entre idosos e pessoas com comorbidades.

O vírus, reforçam os médicos, é conhecido, monitorado e tratável.

Cenário no Recife

A Secretaria de Saúde do Recife (Sesau) informou, em nota ao JC, que não foi identificado aumento no número de casos na última semana epidemiológica (28/12/25 a 03/01/26), tampouco tendência de crescimento nas semanas anteriores, em dezembro. A análise levou em consideração dados de síndrome gripal e de síndrome respiratória aguda grave (srag).

“Nesse período, observa-se estabilidade ou redução das notificações, com os casos de srag mantendo-se abaixo da média anual, estimada em aproximadamente 40 casos semanais”, diz.

A Sesau também acrescentou que os casos leves notificados em dezembro permaneceram inferiores à média do ano, em torno de 170 casos semanais, assim como os atendimentos nas unidades sentinelas, que apresentaram queda nas últimas semanas, em comparação à média anual de cerca de 1.100 atendimentos semanais.

“Contudo, é relevante destacar que existe um intervalo entre a notificação e a digitação dos dados no sistema, o que implica que novos casos referentes às semanas mais recentes podem ainda ser registrados e inseridos posteriormente, podendo resultar em atualizações dos números apresentados.”

Cenário em Pernambuco 

Em nota ao JC, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) informou que, em 2025, foram notificados 7.317 casos de síndrome respiratória aguda grave (srag), com pico no período de sazonalidade dos vírus respiratórios na 23ª semana epidemiológica. “Neste momento, não há evidência de aumento no número de casos”, diz a SES-PE.

Segundo as análises realizadas nas amostras enviadas, pela vigilância sentinela de síndrome gripal (casos leves), ao Laboratório Central de Pernambuco (Lacen-PE), das 2.588 amostras, 16,8% foram positivas para influenza A.

“A direção do Lacen-PE reforça que não há mudanças no processamento das amostras das unidades sentinelas. O fluxo continua o estabelecido pelo Ministério da Saúde, com as amostras positivas de influenza enviadas para a referência nacional, a Fiocruz-RJ, para a definição do subclado.”

A SES-PE reforça ainda que não houve, até o momento, amostra positiva para o subclado k (“gripe k”) no Estado.

Fonte: Clique aqui

COMMENTS

WORDPRESS: 0
DISQUS: