A Polícia Federal deverá intimar Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula da Silva (PT), para prestar depoimento sobre repasses financeiros que teria recebido da lobista Roberta Luchsinger. O caso está relacionado a investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
A informação foi divulgada pela colunista Bela Megale, de O Globo, e posteriormente confirmada pela imprensa. A apuração envolve também Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Segundo as investigações, o nome de Marcola apareceu em mensagens obtidas pela Polícia Federal durante a análise de materiais apreendidos de Roberta. Os investigadores apuram pagamentos e despesas pessoais que teriam sido custeados pela lobista em benefício do ex-assessor presidencial.
Repasse teria chegado a R$ 249 mil
Conforme informações divulgadas pela coluna de Andreza Matais, Roberta Luchsinger teria repassado R$ 249 mil a Marcola ao longo de 2025, período em que ele ainda trabalhava no Palácio do Planalto.
Parte dos valores teria sido paga por meio de códigos de barras encaminhados pelo ex-chefe de gabinete para que a lobista quitasse despesas pessoais. A Polícia Federal também investiga a possibilidade de pagamentos em dinheiro vivo.
Marcola deixou a função em julho deste ano. Durante o período em que trabalhou no gabinete presidencial, era responsável pela organização da agenda de Lula e mantinha contato com ministros e outras autoridades do governo.
O recebimento dos valores, por si só, não comprova a prática de crime. As circunstâncias dos pagamentos e a eventual existência de irregularidades ainda são objeto de investigação.
PF apura relação com investigação sobre Lulinha
A apuração envolvendo Marcola surgiu a partir de elementos encontrados durante as investigações sobre Roberta Luchsinger e sua relação com Lulinha.
A Polícia Federal solicitou ao STF a abertura de um novo inquérito para aprofundar as suspeitas relacionadas ao filho do presidente. Os investigadores apuram se ele teria utilizado sua proximidade com Lula para intermediar interesses privados junto ao governo federal.
Um dos pontos analisados envolve a empresa de tecnologia 3Structure IT, que possui contratos com a administração federal. Segundo as informações apresentadas na investigação, os contratos somariam R$ 55,7 milhões.
A PF busca esclarecer se houve tráfico de influência, favorecimento indevido ou utilização da proximidade com o presidente para facilitar negócios privados.
Investigação segue sob análise do Supremo
Os fatos ainda estão em fase de apuração e dependem da coleta de depoimentos, documentos e outros elementos para determinar se houve irregularidades.
O depoimento de Marcola deverá ajudar os investigadores a esclarecer a natureza dos pagamentos atribuídos a Roberta Luchsinger, a finalidade dos recursos e a eventual relação dessas operações com as suspeitas envolvendo Lulinha.
Até o momento, a investigação não representa condenação dos envolvidos, e caberá às autoridades responsáveis avaliar os elementos reunidos antes de eventual responsabilização criminal.

COMMENTS