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O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) afirmou, nesta quarta-feira (2), que o Estado precisa acelerar investimentos para recuperar competitividade diante de outros estados do Nordeste.
Durante o Diálogo da Indústria, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), na Casa da Indústria, no Recife, o ex-prefeito classificou como insuficiente o ritmo atual de obras estruturantes e disse que Pernambuco precisa deixar de disputar apenas consigo mesmo para avançar na corrida regional por investimentos. “A gente tem que chegar na frente da Bahia, do Ceará, de Alagoas, da Paraíba, do Maranhão, do Piauí”, declarou.
Realizado ao longo desta quarta-feira, o encontro reuniu os principais candidatos ao Palácio do Campo das Princesas. A entidade levou aos postulantes temas como infraestrutura, logística, segurança, qualificação profissional, inovação, tributação e condições para atração de investimentos.
Transnordestina como prioridade
Entre os principais compromissos apresentados por João, está a conclusão do trecho pernambucano da Transnordestina. O candidato criticou o modelo atual de execução da obra e afirmou que Pernambuco enfrenta uma desvantagem em relação ao Ceará, onde o trecho da ferrovia está associado a uma concessão privada e a diferentes fontes de financiamento. “Se deixar do jeito que está, é difícil ficar de pé até na teoria, muito menos na prática”, afirmou.
O candidato defendeu que a ferrovia seja utilizada como eixo de integração das cadeias produtivas pernambucanas. Citou o potencial da Zona da Mata, da avicultura e da bacia leiteira do Agreste, além da produção de combustíveis e da estrutura de Suape. Na avaliação dele, a conexão ferroviária poderia reduzir custos logísticos e ampliar a capacidade de Pernambuco de atrair novos empreendimentos.
A agenda de infraestrutura apresentada inclui ainda a duplicação das PEs-60 e 90, intervenções na BR-232, o Arco Metropolitano e a ampliação da integração entre Suape e a Zona da Mata Sul.
Disputa por investimentos
A preocupação com a posição de Pernambuco na economia regional apareceu também na discussão sobre a reforma tributária. João Campos avaliou que a mudança no sistema de impostos reduzirá, gradualmente, o espaço dos incentivos fiscais utilizados pelos estados para atrair empresas, o que exigirá uma nova estratégia de desenvolvimento.
O candidato defendeu a construção do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) em conjunto com o setor produtivo e afirmou que os mecanismos de compensação tributária precisarão ser acompanhados por uma carteira de grandes obras. Para ele, não será suficiente substituir incentivos fiscais por subvenções sem ampliar a infraestrutura.
Ele também comparou a situação pernambucana com a de outros estados nordestinos. “Todos os estados do Nordeste vão partir de uma corrida, a gente tem que chegar na frente dos outros.”
A crítica se estendeu ao volume de obras estruturantes do Estado. Segundo o candidato, Pernambuco precisa apresentar um portfólio capaz de sustentar a disputa por novos investimentos no período de transição da reforma tributária. “Se a gente não conseguir realizar feitos históricos na infraestrutura de Pernambuco, a gente vai enfrentar grandes dificuldades”, disse.
João Campos defende retomada da competitividade de Pernambuco em sabatina na FIEPE – Marlon Diego
Cadeias produtivas e tecnologia
Na área econômica, João prometeu aproximar os investimentos públicos das características produtivas de cada região. Ele citou polos como o de gesso no Araripe, a fruticultura no Vale do São Francisco, a indústria de confecções no Agreste, a bacia leiteira, a piscicultura no Sertão do Itaparica, a cana-de-açúcar na Zona da Mata e os setores de tecnologia e saúde na Região Metropolitana.
Entre as propostas está a criação do Vale Agrotec, no São Francisco, com um centro de ensino voltado à ciência e à tecnologia aplicada à fruticultura irrigada. A intenção é aumentar o valor agregado da produção e reduzir a dependência de tecnologias importadas.
Para o Agreste, o candidato citou a criação do Agreste Moda Global, com a proposta de aproximar produção, design e tecnologia. A estratégia, segundo ele, seria transformar cadeias já consolidadas em polos capazes de gerar produtos de maior valor agregado.
Segurança como fator econômico
O candidato afirmou que Pernambuco vive um cenário “desafiador” e citou o número de mortes, o crescimento dos feminicídios, os roubos de veículos e a expansão das facções criminosas como fatores que atingem também empresas e cadeias logísticas.
João acusou o estado de não reconhecer adequadamente a presença do crime organizado e citou nominalmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Como resposta, propôs um “pacto antifacção”, com integração entre órgãos de segurança e participação da Secretaria da Fazenda no rastreamento financeiro de organizações criminosas.
Outra proposta é o programa “De Olho na Estrada”, com monitoramento das divisas estaduais, videomonitoramento, operações específicas e integração institucional.
Ao defender maior articulação entre Estado e municípios, ele recuperou sua experiência à frente da Prefeitura do Recife. “Enquanto prefeito do Recife, eu nunca fui chamado para nenhuma reunião de segurança do Estado”, afirmou. Para o candidato, o combate à violência precisa deixar disputas políticas de lado.
Formação profissional
Na educação, o principal anúncio foi a expansão para todo o Estado do modelo do Embarque Digital, programa criado durante sua gestão no Recife para formar jovens em tecnologia em parceria com instituições de ensino e empresas.
João prometeu criar 10 mil vagas de formação superior na área de tecnologia em quatro anos. Segundo ele, o programa municipal já alcançou 2,5 mil jovens, todos oriundos da rede pública, e registra média de 65% de empregabilidade na área de tecnologia no momento da formatura.
O candidato também prometeu duplicar a rede de ensino técnico de Pernambuco e ampliar a participação de mulheres nos cursos de tecnologia. Defendeu ainda o ensino de uma segunda língua e a criação de oportunidades de intercâmbio.
Ao comparar a experiência do Recife com o restante do Estado, Campos afirmou que Pernambuco ainda não possui uma política semelhante em escala estadual. “Pernambuco não tem nada nessa área de educação tecnológica, enquanto Recife é exemplo para o Estado”, declarou.
O candidato também fez referência ao ex-governador Eduardo Campos, seu pai, ao defender que projetos considerados ambiciosos podem ser executados quando acompanhados de planejamento e capacidade de investimento.
“É decisivo sair do ambiente do palanque e governar de forma larga, tendo a capacidade de fazer, de entregar”, afirmou.


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