A manutenção da popularidade de Raquel poderá colocá-la em condições de eleger prefeito do Recife, fazer seu sucessor e conquistar vaga no Senado
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Foi em novembro de 2025 que previ a vitória de Raquel Lyra no primeiro turno, com base nas pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência. Foi também nessa época que afirmei que a escolha ótima para João Campos seria permanecer à frente da Prefeitura do Recife e adiar para 2030 a realização do sonho de ser governador. Após a eleição estadual, como ficará a política pernambucana? Antes de apresentar minhas previsões, afirmo: Raquel Lyra foi a grande vitoriosa da eleição.
Raquel Lyra será uma grande eleitora na disputa municipal da capital pernambucana e também nas cidades do interior, caso a aprovação do seu governo permaneça elevada, como observamos ao longo de 2026. Raquel obteve 46,07% dos votos válidos no Recife, contra 49,94% de João Campos.
O desempenho da governadora a coloca em condições de escolher um candidato e contribuir decisivamente para sua eleição à Prefeitura do Recife. Túlio Gadêlha e Priscila Krause são alternativas promissoras. Outros atores estarão na disputa pela Prefeitura da capital: Marília Arraes, também uma grande vitoriosa da eleição, e um candidato apoiado pelo bolsonarismo.
Se Flávio Bolsonaro for eleito presidente da República, o PL deverá apresentar candidato próprio à Prefeitura do Recife. Mendonça Filho é o nome natural. Outras candidaturas poderão surgir no campo da direita, como a de Eduardo Moura ou Carlos Sant’Anna.
João Campos, que também será um grande eleitor, precisará construir uma candidatura ou criar as condições políticas para que o atual prefeito do Recife, Victor Marques, seja competitivo. Para isso, a receita é simples: tornar-se conhecido, construir identidade e conquistar alta popularidade. O PT poderá se aliar a João Campos. João Paulo e Humberto Costa são alternativas para o partido, que também poderá apoiar Marília Arraes. Lembro que Marília terá oito anos de mandato. Portanto, vislumbro que poderá disputar a Prefeitura do Recife em 2028 ou o Governo de Pernambuco em 2030.
Se João mantiver sob seu controle a Prefeitura do Recife, seguirá em condições propícias de disputar o governo em 2030. Caso perca esse controle político e Lula seja derrotado, seu sonho poderá ser novamente adiado. Porém, se Flávio Bolsonaro for eleito, 2030 poderá marcar o retorno da esquerda, caso seu governo não seja exitoso. Nesse cenário, João, Marília e Humberto Costa poderão ser beneficiados. É importante salientar que João Campos poderá fazer uma escolha na eleição do Recife: buscar alianças à direita, diante da força da governadora Raquel Lyra na capital.
A manutenção da alta popularidade de Raquel Lyra poderá colocá-la em condições de eleger o prefeito do Recife, fazer seu sucessor e conquistar uma vaga no Senado. O PL em Pernambuco será fortalecido caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente. Consequentemente, apresentará candidatos a prefeito em diversas cidades.
O PT seguirá forte e poderá se consolidar como principal partido de oposição, caso Flávio conquiste a Presidência, chegando fortalecido às eleições de 2028 e 2030 se o governo de Flávio Bolsonaro não for exitoso. Atores promissores em 2026, como Miguel Coelho, Silvio Costa Filho e Eduardo da Fonte, precisarão aguardar pacientemente oportunidades, em diferentes campos ideológicos, para retornar com força ao xadrez da política pernambucana.
Por Adriano Oliveira – Cientista político. Professor da UFPE. Sócio da Cenário Inteligência: Método Qualitativo SEP (Sentimento – Estratégia – Previsão) & Estratégia

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