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Qualquer pessoa que entrar no site do Serasa vai ver que estão disponíveis quase 738 milhões de ofertas cujo valor de face dos débitos chega a R$ 1,1 trilhão. Ao menos 52,4% se referem a dívidas entre R$ 100 e R$ 1.000,00, e apenas 5,7% a dívidas acima de R$ 5 mil. As ofertas conferem descontos de até 90% sobre o total, podendo o cliente parcelar individualmente.
Outra informação no site do Serasa, por exemplo, revela que até o mês de agosto ao menos 4.740.393 pessoas celebraram 2.898.112 acordos que tinham valor de face de R$ 11,8 bilhões e que, na média, têm valor de R$ 740. Mas, ainda segundo o birô de cobrança, o Brasil registra 83,9 milhões de pessoas, devendo um total de R$ 592 bilhões – também como valor de face. Isso quer dizer que, em tese, o Brasil limparia o nome de todo mundo com menos de R$ 60 bilhões.
Comprar carteiras
Os números acima servem para mostrar que quando o governo Lula anuncia um programa que se propõe a comprar carteiras de devedores no atacado não deveria partir de 90% de desconto, pois isso já é o que as empresas de cobrança oferecem. Portanto, se vai gastar o dinheiro do contribuinte para adquirir essa montanha de crédito podre, deveria começar a conversar em pelo menos 95%.
O novo Desenrola é interessante, mas é importante ficar claro que o único benefício que o devedor terá é deixar de dever a um banco ou empresa de serviços e ficar devendo à União. Não vai ter a dívida perdoada. Mesmo que seu débito seja menor que R$ 100,00, valor que tem atualmente 20,7% das ofertas de negociação e que ninguém se dispõe a pagar e limpar o nome.
Verba do contribuinte
A proposta do Desenrola 3 (Medida Provisória nº 1.393, de 25 de setembro de 2026) é acabar com até R$ 150 bilhões em dívidas das famílias brasileiras, oferecendo desconto mínimo de 90%. Isso quer dizer que a União está disposta a gastar R$ 15 bilhões com o programa, que serão previstos nos Orçamentos de 2027 e 2028.
Ao anunciar o programa junto com o fim das bets, o governo informou que compraria carteiras de dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil (valor original), inadimplentes entre dois anos e quatro anos e meio, contados de 25 de setembro de 2026.
Mercado non-performing loans (NPL) cresce no Brasil com o aumento do endividamento. – Divulgação
Dívida de bancos
Mas não disse que essa conversa será não com os bancos, mas com as empresas que adquirem essas carteiras por menos de 5% do valor de face e vão atrás dos devedores. O nome desse segmento é non-performing loans (NPL). Também são chamados de securitizadoras ou de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) quando tratam de empresas.
O chamado mercado de non-performing loans (NPL) se organizou depois que o Banco Central definiu que os bancos e as financeiras não devem carregar nos seus balanços dívidas vencidas com mais de 720 dias. Até podem, mas vão ter de provisionar custos contábeis dessa operação. E devem provisionar já a partir de 180 dias o valor de face dos contratos. No primeiro ano, já deve considerar o prejuízo e, ao final de dois anos, absorver o prejuízo no balanço.
Mulherfes endividamento – Divulgação
Valor de face
Isso faz com que os bancos peguem essas dívidas que viraram 100% de prejuízo e as vendem por, no máximo, 5%, embora a média seja 3%. Então se o governo vai comprar o pacote não pode jamais oferecer 10%.
O risco é que as empresas que carregam essas dívidas podem não aceitar dar descontos de mais de 90%, já que é o governo quem deseja comprar. Esse crédito podre não é mais de banco; é de terceiros que compram esperando ganhar até 10% do valor de face.
Cartão de crédito
Hoje esse saldo de dívidas está dividido assim: 27,3% de contratos de origem em bancos e administradoras de cartão de crédito. Outros 20,1% são financeiros. Também existem 20,7% de dívidas de empresas como Neoenergia, Compesa, TIM, Claro e Oi, as chamadas Utilities, e 11,5% de empresas de serviço. Essas empresas também vendem seus créditos podres, embora no caso das empresas de saneamento a legislação permita que carreguem esses por até 10 anos.
Embora o governo Lula tenha apresentado o Desenrola 3 como uma ação imediata e mais uma promessa de campanha, a verdade é que ele só vai acontecer em 2027. É que em novembro vai haver a publicação do chamamento para entrega de propostas e em dezembro, a entrega de propostas pelos credores. Apenas em janeiro está prevista a homologação e só em fevereiro deve acontecer a assinatura de contratos e o início do repasse do deságio aos devedores (quitação à vista ou parcelamento). Ou seja, no próximo governo.
Saldo devedor
Entretanto, a questão dos deságios permanece. Para o devedor, a única coisa que pode ser interessante é o sujeito sair da lista do Serasa e do SPC Brasil e poder voltar a comprar a crédito. Porém, o débito, ainda que seja apenas de 10% do valor geral, vai estar ali.
Na verdade, quem está devendo não vai ter o débito quitado. Apenas estará com um credor (o governo) que pode não cobrá-lo ou até perdoá-lo no futuro. Mas para o setor de non-performing loans (NPL)vai ser um negócio da China em 2027.
Bets vão para o confronto como o Governo Lula. – Divulgação
Reação em conjunto das bets
Além de ir ao STF, as empresas de bets anunciaram um manifesto afirmando que o Brasil decidiu regular as apostas com a Lei nº 14.790/2023; empresas se instalaram no País, pagaram outorgas, investiram em tecnologia e compliance, contrataram profissionais e passaram a recolher tributos sob fiscalização do Estado. Não apostaram no improviso.
Para elas, proibir não vai proteger a sociedade. A demanda legalizada migra para sites ilegais. O mercado ilegal vai continuar sem qualquer controle, sem controle de CPF, sem bloqueio de beneficiários de programas sociais, sem proteção de jogadores problemáticos, sem autoexclusão e sem responder ao Estado brasileiro. Menores de idade, hoje protegidos pela regulacão, ficarão completamente expostos no mercado ilegal.
Assinam a nota oito entidades que se organizaram em defesa da atividade: BC-Bet – Associacão Brasileira de Conformidade, Boas Práticas, Etica e Transparência em Apostas Esportivas; ABFS, de Fantasy Sports; ABRAJOGO, dos Operadores e Provedores Internacionais de Jogos; AIGAMING Internacional de Gaming; AMIG de Mulheres da Indústria do Gaming; ANJL de Jogos e Loterias, IBJR – Instituto Brasileiro de Jogo Responsável; IJL – Instituto Brasileiro Jogo Legal e o Sindibets – Sindicato das Empresas de Jogos Online de São Paulo.
Impactos da Reforma
Nesta terça (29), a partir das 19h, haverá um bate-papo ao vivo, online e gratuito sobre o impacto da Reforma Tributária em cada setor da empresa. Pela primeira vez, estarão juntas, a tributarista Mary Elbe Queiroz e a especialista em inteligência de dados fiscais Mônica Cerqueira. Vão expor cases reais, analisar o passado e transformar dados em decisões para o futuro. Inscrições podem ser efetuadas pelo navtax.com.br.
Evento nova NR-1
Nesta terça-feira (29) tem o debate sobre saúde mental e os impactos da nova NR-1 nas empresas coordenado pela especialista em varejo Paula Valéria, reunindo profissionais das áreas jurídica, psicológica e empresarial para discutir riscos psicossociais, prevenção e responsabilidade trabalhista com participação da advogada Daniela Mello, que abordará as estratégias para adequação das empresas às novas exigências da legislação. Às 14h, na ESA-PE.
Petroflex Energia na Fesindico 2026. – Divulgação
Petroflex Energia
A Petroflex Energia estará na Feira de Condomínios do Nordeste – Fesíndico 2026. A Transportadora, Revendedora e Retalhista (TRR) é especializada no fornecimento de óleo diesel para geradores, com frota de carros adaptados, além de venda fracionada. A Petroflex Energia tem base operacional no Cabo de Santo Agostinho, possui frota própria e atua nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas.
Ganhos de Capital
Quase metade dos investidores (48,5%) atrasa o pagamento do DARF do Imposto de Renda (IR) sobre Ganhos de Capital em operações na bolsa de valores brasileira (B3). Os dados foram divulgados pela Grana Capital após a verificação de 206,8 mil usuários com Imposto de Renda apurado no período entre janeiro e agosto de 2026.
A maioria (51,5%) paga o IR sobre ganhos de capital em dia ou fica dentro das regras de isenção, mas um terço (33%) paga a pendência com um mês já vencido. É uma parcela de 15,5% dos investidores que só quitam seus débitos após mais de seis meses de atraso.
Fachada da Receita Federal – Shutterstock
Inconsistências
A Receita Federal identificou R$ 1,3 bilhão em inconsistências relacionadas a créditos de PIS/Pasep e Cofins e abriu prazo para que as empresas revisem e corrijam espontaneamente os dados. Os contribuintes têm até 10 de novembro para regularizar as informações, antes do início dos procedimentos de fiscalização. O
histórico da própria Receita mostra o impacto da autorregularização. Na edição anterior da ação, os alertas resultaram em R$ 900 milhões regularizados sem aplicação de multas de ofício.
Melhor idade Plaza
A Praça do Piano, no Plaza Shopping, será transformada em espaço de criação para o público 60+. Desta terça (29) até a sexta (2), o mall promove oficinas gratuitas de colagem, poesia, aquarela e bordado. A programação busca estimular a criatividade e a convivência e reforça a presença cada vez mais ativa da chamada melhor idade na rotina do empreendimento.

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