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Na incerteza, menos investimentos

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra freio na intenção de investir, atribuído à menor atividade e à instabilidade política

Por

JC


Publicado em 22/09/2026 às 0:00

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A quinta redução mensal consecutiva do índice de intenção de investimento no setor industrial, medido por sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), traz o menor valor desde a retração provocada pela falta de horizonte produtivo durante a pandemia. Se naquele momento difícil para o país e o mundo inteiro, a economia se sustentava na esperança de que o alastramento da Covid parasse, hoje a incerteza que leva à suspensão da vontade de investir nos negócios pode estar mais atrelada a pelo menos dois fatores interligados: o esfriamento da atividade industrial, em decorrência, entre outras coisas, dos juros altos, e a instabilidade turbinada pela paralisia nos Três Poderes, em face da tensão do caso do banco Master e da polarização acirrada na eleição presidencial. Os dois fatores, juntos, parecem contribuir para um alto grau de incerteza na economia – e quando a indefinição surge, os investimentos declinam.
Segundo a CNI, todos os quatro indicadores de expectativa em que se baseia o levantamento apresentaram quedas. Os indicadores são a demanda por produtos, a compra de insumos e matérias-primas, a quantidade exportada e o número de empregados. Em combinação com a queda registrada no índice de evolução da produção, que não mostrava resultado tão ruim desde a recessão de 2015, e com a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também em baixa, tem-se um quadro preocupante que pode ou não se desanuviar após as eleições de outubro.
O restabelecimento de um mínimo patamar de otimismo é esperado, seja quem for o vitorioso nas urnas em outubro para o Palácio do Planalto. E o otimismo é capaz de recompor pelo menos uma parte da intenção de investimentos, quando se tiver a definição da direção que o país irá seguir – mesmo que essa definição seja sempre provisória e vulnerável às crises cada vez mais recorrentes, algumas permanentes, em Brasília, como a que ronda o Supremo Tribunal Federal (STF) e as relações de seus integrantes com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ainda em desenvolvimento, a crise no Supremo tem tudo para não depender do calendário eleitoral, e continuar corroendo a confiança nas instituições e atrapalhar o ambiente de negócios no Brasil.
A se persistir a tendência de freio, o Produto Interno Bruto (PIB) se inclina a um reflexo de retração, a instabilidade percebida gera perda de competitividade, as demandas sofrem desaquecimento, e até os empregos são ameaçados, em conjuntura de viés negativo que pode se transmitir da indústria para toda a economia. Sabe-se que o nível atual de cautela não vem do nada, e acompanha um movimento de desaceleração instalado nos últimos meses no país. No entanto, se a cautela se transforma em receio, a incerteza deixa de ser postura estratégica para instalar medo nas fábricas, com efeitos sobre o consumo. Como a campanha eleitoral interfere negativamente neste instante, jogando mais lenha na fogueira da polarização e elevando a fumaça da incerteza, resta à população o exercício do voto para, assim, quem sabe, devolver ânimo à economia em suspensão.

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