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Num evento patrocinado pelo Banco Safra, o J. Safra Investment Conference, onde a instituição reúne seus clientes de alta renda e investidores, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante advertiu que a fiscalização e a regulação exercidas pelo Banco Central (BC) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estão “muito fragilizadas” exigindo ações para fortalecer a atuação dos dois órgãos para evitar fraudes, crimes financeiros e riscos ao Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O alerta é importante porque reconhece um quadro que o escândalo do Banco Máster expôs, mas que vinha tendo alertas de várias instituições, depois que as duas instituições sofreram processos de redução de suas estruturas, em que funcionários deixaram seus cargos, enquanto a reposição foi sendo protelada pela falta de concursos e, no caso da CVM, foi tão sério que o próprio funcionamento foi comprometido pela falta de verbas para custeio.
Fragilidades
O caso do Máster expôs fragilidades, mas é importante não esquecer que o BC teve o presidente e diretores indicados pelo governo, dos quais Mercadante faz parte, e, no caso da CVM, o seu presidente foi indicado por uma ação do Congresso, mesmo com a resistência do governo.
O caso do Banco Central é emblemático. Em 2006 ele tinha 5.072 funcionários, número que caiu 35% para 3.300 servidores neste ano, em meio à falta de concurso e à restrição orçamentária. A CVM tinha 461 servidores em 2020 e atualmente conta com 491 ou um incremento de apenas 35 funcionários. Porém, o mercado de capitais cresceu de tamanho com as novas emissões e em junho deste ano chegou ao estoque de R$ 17,3 trilhões.
Falta de pessoal
Há um consenso de que faltou gente para fiscalizar instituições como o Banco Máster tanto no Banco Central como na CVM. Mas a crise vivida pelas duas instituições, a qual Aloizio Mercadante não se deu apenas pela falta de pessoal. O sistema financeiro nacional se sofisticou, cresceu em termos de volume operado e catapultou a oferta de produtos, especialmente na carteira de investimentos, da qual os sistemas de controle das duas instituições já não dão conta.
E isso tem a ver com como o Congresso tratou os dois casos. O terceiro governo Lula está encerrando sem votar a nova lei de atualização do Banco Central, cuja tramitação sofreu o ataque de uma emenda escrita pelo Banco Máster e apresentada pelo senador, elevando de R$250 mil para R$1 milhão o valor protegido pelo Fundo Garantidor de Crédito.
Otto Lobo foi eleito presidente da CVM com apoio do Congresso. – Divulgação
Presidente da CVM
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) teve seu presidente aprovado por 31 votos favoráveis e 13 contrários no plenário numa derrota do governo Lula que vetou o nome de Otto Lobo para assumir a presidência da CVM que contou como apoio do presidente do Senado Davi Alcolumbre mesmo o ministério da Fazenda liderado por Fernando Haddad sido contra. Otto Lobo foi diretor da CVM entre 2022 e 2025 (indicado no governo de Jair Bolsonaro) e chegou a presidir o órgão interinamente.
O problema da CVM é que, durante o governo Lula, ela ficou tão desidratada que foi necessária uma ação do ministro do STF, Flávio Dino, para intervir na instituição, determinando que pelo menos 70% da arrecadação própria da CVM, oriunda da taxa de fiscalização, seja administrada pela própria autarquia. Antes, esses recursos iam para o Tesouro Nacional e eram distribuídos no Orçamento Geral da União (OGU). Este ano o orçamento próprio da CVM salta de R$41 milhões para R$700 milhões.
Último balanço
As consequências dessa fragilidade hoje podem ser constatadas quando se revisa, por exemplo, o último balanço publicado pelo Banco Máster, auditado pela KPMG até dezembro de 2024, que concluiu que as demonstrações financeiras: “Apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do Banco Máster”.
No balanço, o Master declarou que tinha R$19,5 bilhões em cotas de fundos, mas a fiscalização da CVM e do BC não perguntou se eles existem. Assim como quando o Máster declarou que tinha R$ 8,7 bilhões em precatórios, ninguém perguntou em 2025 quem eram os donos desses precatórios. Hoje se sabe que a proteção junto à Justiça foi uma das estratégias de Daniel Vorcaro para se aproximar do STF.
Sem atenção
E não foi por falta de percepção. Quando o Máster publicou seu balanço, o mercado logo viu obviedades, como o fato de que os compromissos assumidos com os investidores chegam a 16 bilhões, mas no balanço dizia que tinha apenas R$ bilhões.
Daniel Vorcaro confessou no balanço que não tinha dinheiro para pagar pelos CDBs e CDIs do banco, sem contar todas as outras obrigações e que carregava um monte de precatórios que estavam como recebíveis sem garantias.
Daniel Vorcaro – Lula Marques/Agência Brasil
Mudança de processos
Hoje as pessoas cobram do BC e da CVM a mudança de processos, mais funcionários e robustez nos departamentos de fiscalização. Mas não se pode esquecer que, salvo as advertências de analistas, muita gente experiente festejou o lucro de R$ 1 bilhão do Máster declarado no balanço auditado pela KPMG.
No balanço o Máster comemorou a as aquisições do Banco Voiter e Will Bank e seu enquadramento da instituição no segmento regulatório “S3”, o que exigiu a constituição de comitês específicos, a Administração implementou uma série de ações adicionais. E revelou que criou sua área de auditoria interna, permitindo um acompanhamento mais próximo das operações e atividades do dia a dia. Anteriormente, esse serviço era terceirizado.
Novas ações
No fundo, a cobrança do presidente do BNDES serve para mostrar que, sem instituições fortes e estruturadas e pessoal dedicado, o nosso sistema financeiro estará sempre sujeito a personagens espertos como Daniel Vorcaro.
E já que estamos falando de fiscalização, cabe a pergunta: Como é que o BC e a CVM estão olhando as atividades das fintechs apresentadas na gestão de Roberto Campos Neto como o veículo de bancarização dos brasileiros fora dos grandes bancos? Porque o caso Máster e seu espalhamento no sistema financeiro nacional nos obrigam a ter novos olhares sobre elas.
Banco Master pagou site Metrópoles e escritório Barci de Moraes no mesmo dia, mostram mensagens de Vorcaro – ROVENA ROSA/AGÊNCIA BRASIL
Precatório cancelado
A propósito. A Corregedoria Nacional de Justiça decidiu cancelar 16 precatórios que somam R$ 4,7 bilhões, relacionados a empresas do setor sucroalcooleiro que venderam créditos ao Banco Master, colocando em evidência os riscos envolvidos nas operações de compra e antecipação de créditos judiciais.
Os valores estavam retidos em contas judiciais desde 2023, e a determinação prevê a devolução dos recursos, com os respectivos rendimentos, à Conta Única do Tesouro Nacional. Em agosto, o CNJ e o Banco Central criaram um grupo executivo para estruturar uma sistemática nacional de registro, rastreabilidade e controle das cessões, permitindo acompanhar a titularidade dos créditos desde a negociação até o pagamento.
Venda de falsificados
A nova Lei nº 15.502, sancionada este mês pelo presidente Lula, estabelece controles para as plataformas, como verificação dos dados de vendedores, canais para denúncia, remoção de ofertas ilegais, suspensão de infratores e auditorias periódicas. Enquanto o Ministério da Justiça e Segurança Pública discute novas medidas para o comércio eletrônico. O tema ganha relevância com a aproximação da Black Friday, marcada para 27 de novembro, que vem deixando de se concentrar em um dia no Brasil.
Rio de Janeiro – Lojas de rua na Tijuca funcionam em reabertura antecipada do comércio pela Prefeitura, com flexibilização das medidas de isolamento social pela pandemia do novo coronavírus (covid-19). (Fernando Frazão/Agência Brasil) – Fernando Frazão/Agência Brasil
Emprego de Natal
O comércio e o setor de serviços brasileiros preveem abrir cerca de 130 mil vagas temporárias e efetivas para o fim do ano de 2026, um acréscimo de 12 mil postos em relação a 2025. Pesquisa CNDL e SPC Brasil, em parceria com a OfferWise, mostra que 57% dos empresários pretendem manter o quadro de funcionários como está, enquanto 26% já planejam aumentar a equipe e apenas 3% cogitam reduzi-la.
Recife ter[a Virada Empreenedora – Divulgação
Sobre vendas
Neste sábado (26), durante o ASPA Motiva, no MV Empresarial, profissionais e empresários debatem estratégias de vendas, relacionamento e negociação com o empreendedor Diogo Veloso, que abordará práticas para transformar processos comerciais em resultados para os negócios. O evento é promovido pela Associação Pernambucana de Agentes de Distribuição (ASPA).
Inovação na Educação
O Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE promove de 6 a 8 de outubro, o 22º Congresso Internacional de Inovação na Educação, com programação presencial no RioMar Eventos e transmissão online. Serão mais de 200 atividades como palestras, conversas mediadas e oficinas, além de mais de 150 apresentações de trabalhos científicos.
Carreira
Nesta sexta-feira (25), a partir das 9h, no campus Abdias de Carvalho , tem o Viva Estácio SpaceTech, feira de profissões da Estácio Recife que reúne experiências práticas, tecnologia e inovação para apresentar diferentes possibilidades profissionais para estudantes.
Empreendedorismo – Divulgação
Empreendedoras
Iniciativa da Rede Mulher Empreendedora (RME) amanhã (25) e sábado (26), Virada da Empreendedora, que faz sua edição de estreia no Recife , com workshops, networking e oportunidades de negócios ao público feminino na sede do Sebrae Recife, na Ilha do Retiro. O encontro tem patrocínio da FINEP e do Banco do Brasil, parceria do Sebrae e Sebrae Delas de Pernambuco, Google Brasil e co-realização do Instituto RME.
Kroma premiada
A Kroma Energia está entre as três maiores empresas de Pernambuco na categoria Energia da Melhores e Maiores 2026, escolhida pela revista Exame na 53ª edição do prêmio reúne companhias de capital aberto ou que disponibilizam dados públicos e considera indicadores financeiros, de governança e diversidade em sua metodologia

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