Feira reúne galerias e artistas de diferentes regiões do Brasil e de países da América Latina, com destaque para a produção pernambucana
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Tradição, contemporaneidade e reinvenção artística. Em São Paulo, um dos centros das artes visuais no Brasil, o fluxo intenso de visitantes reivindica esses conceitos.
A partir daí, foi criada a SP-Arte Rotas, feira de projetos curados que chega à 5ª edição na capital paulista, com programação desta quarta-feira (26) até o domingo (30), na ARCA.
A SP-Arte Rotas é um projeto irmão da tradicional SP-Arte, mas com a proposta de provocar galerias a colocarem novas perspectivas no centro da narrativa. De nomes em ascensão apresentados pela primeira vez ao grande público a mestres consagrados reinventando o acervo, a feira parte das descobertas.
O projeto surgiu em 2022, no período pós-pandêmico. “Surgiu nessa retomada do mundo todo para olhar para as próprias origens, olhar para dentro, para os invisibilizados. isso nos deu a abertura para criar uma coisa diferente, em novos formatos”, explicou a diretora Fernanda Feitoza, em entrevista ao JC.
Para ela, a SP-Arte Rotas é um convite à experimentação – tanto da organização, quanto das galerias e do público.
Os projetos reúnem desde arquivos à espiritualidade, território e educação, se firmando como um modelo concretos de formação e circulação cultural.
Ancestralidade Latina
Arte latino-americana tem destaque na SP-Arte Rotas – Divulgação
Nesta edição, o diálogo parte da arte produzida na América Latina. Além de representantes das cinco regiões do país, o evento incorpora a proposta de expandir suas fronteiras e apresenta produções do Uruguai, da Argentina, da Colômbia e do Paraguai.
São pinturas, instalações, esculturas e até joias para a contemplação do público. Em um resgate artístico e histórico, a memória dos povos originários em diferentes regiões das Américas é um dos pontos altos da feira.
Os projetos misturam território e novos diálogos, partindo de tecnologias ancestrais e da natureza para as produções.
Pesquisador e diretor artístico da SP-Arte Rotas, Bernardo Mosqueira é o curador do setor Mirante que, no centro da feira, reúne obras que se destacam por sua escala, relevância histórica, singularidade formal ou potência conceitual, em torno do tema “natureza”.
O curador toma como ponto de partida a ideia de uma paisagem expandida: não apenas um gênero da representação artística, mas um campo para pensar as múltiplas relações entre os seres humanos e seus entornos.
“O conjunto reúne tanto experiências históricas e contemporâneas de experimentação da paisagem quanto obras que revelam a enorme diversidade de modos de pensar, saber, sentir, imaginar, viver junto e conceber o cosmos, tão característica da América Latina”, afirmou.
Participação pernambucana
Galeria Número é uma das representantes de Pernambuco na SP-Arte Rotas – Laís Nascimento/JC
Três galerias e 15 artistas representam a arte do solo pernambucano à feira: Boi (Caruaru), Marco Zero (Recife) e Número (Recife).
As obras dialogam com a proposta da feira e reinventam o território nordestino por diferentes estéticas, desde as identidades queer, de Rafael Chavez, ao “encantamento”, de Rayana Rayo e Abiniel Nascimento, e às temporalidades de Hugo Sá e Iza do Amparo.
A reunião de três galerias do Recife e de artistas distribuídos por diferentes estandes mostra a amplitude da produção pernambucana: da tradição experimental de Tunga e Montez Magno a pesquisas contemporâneas sobre corpo, matéria, cultura popular, território e novas formas de narrar o Nordeste.
Serviço
SP-Arte Rotas 2026
Período: 26 a 30 agosto
Local: ARCA
Endereço: Av. Manuel Bandeira, 360, Vila Leopoldina, São Paulo
Funcionamento: 27 e 28 das 13h às 20h | 29 das 12h às 20h | 30 das 12h às 19h
Mais informações: www.sp-arte.com
*A repórter viajou a convite da SP-Arte Rotas


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