O mar da Praia do Ervino, localizada no município de São Francisco do Sul, virou do impressionante fenômeno da bioluminescência na madrugada da última quinta-feira (14). Ondas reluzentes em um tom azul vibrante encantaram quem passava pela orla, registrando imagens de um verdadeiro show de luzes naturais que transforma a paisagem noturna da região.
O fenômeno foi capturado pelas lentes de Lucas Bogo, fotógrafo e morador de Jaraguá do Sul que passeava pela praia. Segundo relatos de frequentadores, o brilho não se restringe apenas ao mar: a própria areia molhada chega a acender brevemente a cada passo dado próximo à água.
A ciência por trás do brilho
O fenômeno ocorre quando seres vivos microscópicos, como plânctons e algumas espécies de algas, em especial a Noctiluca scintillans, emitem luz como forma de comunicação, defesa contra predadores ou atração de presas.
Entre no grupo
Isso acontece através de uma reação bioquímica. Dentro das células destes organismos, uma molécula chamada luciferina é oxidada por uma enzima chamada luciferase, e libera fótons de luz. Na prática, a substância é “quebrada” e, por causa dessa reação, emite energia em forma de luz colorida, na maioria das vezes em coloração azul esverdeada.
Curiosamente, o fenômeno possui duas “faces” bem distintas ao longo do dia:
- Durante o dia: A alta concentração e proliferação desordenada dessas microalgas na superfície forma manchas densas de tom alaranjado ou avermelhado na água, fenômeno popularmente conhecido como “maré vermelha”.
- Durante a noite: Com o cair da escuridão, a mesma mancha alaranjada se transforma no espetáculo visual do azul neon e vibrante.
Por que a bioluminescência é considerada um fenômeno raro?
A ocorrência do fenômeno é considerada comum em profundidades marinhas, mas ver as luzes brilhando nas praias é um evento raro. Para que o brilho seja visto a olho nu, é preciso que trilhões desses organismos microscópicos estejam reunidos em um mesmo local.
A aparição também depende de águas calmas, temperaturas específicas (geralmente mais quentes), correntes marinhas favoráveis e noites com pouquíssima ou nenhuma luz da lua.
Em Santa Catarina, entretanto, as correntes marítimas que chegam no inverno carregam águas mais frias e significativamente mais ricas em nutrientes. Esse ambiente favorável provoca a multiplicação acelerada das populações de micro-organismos em um curto espaço de tempo, tornando a floração densa o suficiente para ser notada.
Atenção aos riscos
Em relação à segurança da população e dos banhistas que se deparam com o fenômeno, especialistas fazem uma ressalva importante. O Noctiluca scintillans, isoladamente, não é um organismo venenoso e não produz toxinas próprias que afetem a pele humana de imediato.
Porém, o risco reside no fato de que essa microalga se alimenta de outros organismos marinhos ainda menores, os quais podem conter toxinas perigosas. Ao consumir essas presas, o Noctiluca acaba acumulando substâncias nocivas em seu organismo, tornando-se temporariamente tóxico.
Por essa razão, especialistas recomendam cautela e orientação de autoridades ambientais locais antes de qualquer mergulho em áreas afetadas por florações densas e marés alaranjadas.

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