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Mais devagar… para onde?

CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES

Antes assunto da ficção científica e dos adeptos de teorias conspiratórias, a desaceleração da Inteligência Artificial virou alerta de consenso

Por

JC


Publicado em 14/09/2026 às 0:00

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No filme “O exterminador do futuro” e suas sequências, o despertar da consciência artificial precisa ser evitado com viagens no tempo, para salvar a espécie humana do domínio das máquinas. A especulação do entretenimento continua motivo de diversão, mas a piada já não provoca tanta graça. Há um medo crescente nas grandes empresas de tecnologia, compartilhado por cientistas, filósofos e magnatas do mundo digital. A palavra de ordem é desaceleração, e não falta gente de dentro do desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) chegando às raias do pânico, garantindo que a extinção da humanidade pela tecnologia não é mais previsão delirante ou brincadeira.
Nos últimos dias, os principais nomes por trás das empresas do mundo digital resolveram admitir o consenso de que é preciso ir mais devagar com a IA. Meses atrás, o filósofo e escritor Yuval Harari fez declarações contundentes contra os riscos de uma tecnologia baseada no manejo próprio da linguagem – algo sem precedentes na história da técnica. Bill Gates, fundador da Microsoft e ícone da filantropia global, também se pronunciou a respeito, em tom de preocupação, pedindo cuidado e sensatez diante dos possíveis impactos da IA sobre o trabalho e a cultura.
Agora, é o Google que se junta a gigantes como a OpenAI e a Anthropic, entre os principais desenvolvedores de programas de inteligência artificial. O consenso numa área de acirrada luta pela competitividade, e de alta lucratividade, não deixa de soar feito acordo comercial de carona no alarde apocalíptico. Mas o fato é que a IA não entrou apenas na vida dos cidadãos usuários de aplicativos de busca de informações e geração de textos, mas também na ponta dos dedos dos senhores das guerras que a utilizam para focar e agrupar alvos dos mísseis e drones bélicos.
O freio de arrumação solicitado na pesquisa de IA se alinha a uma pergunta de maior espectro e profundidade, encaixada ao mesmo tempo no horizonte tecnológico, na desarrumação política mundial e na crise climática e ambiental que se agrava sem arrefecimento de suas causas – e a pergunta é: para onde estamos indo? A humanidade, a civilização, cada nação e os habitantes de suas cidades, para onde pensamos ir? Ou não pensamos, e seguimos sem saber?
Diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, e uma das vozes mais influentes no Brasil sobre o tema, Ronaldo Lemos escreveu artigo na Folha de S. Paulo, sob o título: “Se a IA é um risco existencial, o que fazer?”, traduzindo o espanto de muitos e a incerteza de todos. Sem rodeios, Lemos diz: “Esses alertas devem ser levados a sério” porque “a IA pode se comportar como nas cenas mais apocalípticas da ficção científica”. O problema apontado pelo especialista é a falta de estruturas independentes capazes de assegurar que as empresas estariam cumprindo um eventual acordo de desaceleração. Ou seja, além da incerteza sobre o nosso destino comum com uma IA total, de linguagem autônoma, há fortes dúvidas na disposição do mercado, e de sua pesquisa de ponta, de parar tudo antes do caminho sem volta de um futuro artificial.

Fonte: Clique aqui

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