A maioria dos brasileiros afirma que a decisão sobre o voto para presidente da República é tomada de forma independente, sem influência de familiares, amigos, jornalistas, pessoas acompanhadas nas redes sociais ou líderes religiosos. É o que revela a nova pesquisa Datafolha, realizada nos dias 22 e 23 de julho, com 2.004 eleitores em 139 municípios do país.
O levantamento mostra que a resposta “nenhuma influência” foi predominante em todos os grupos avaliados. O maior índice foi registrado entre líderes religiosos, com 67% dos entrevistados afirmando que a opinião de representantes da igreja não interfere na escolha do candidato. Entre jornalistas e profissionais da imprensa, 58% disseram que essas opiniões também não influenciam o voto.
No ambiente familiar, 60% dos entrevistados que possuem relacionamento estável afirmaram que a opinião do companheiro ou da companheira não interfere na decisão eleitoral. Entre aqueles que têm filhos com 16 anos ou mais, 61% disseram que a opinião dos filhos também não exerce influência.
Já entre amigos próximos e pessoas acompanhadas nas redes sociais, 62% responderam que essas opiniões não terão impacto na escolha do próximo presidente da República.
Influência parcial ainda aparece em alguns grupos
Apesar da predominância da independência na decisão do voto, parte do eleitorado admite sofrer algum grau de influência. A soma das respostas “muita influência” e “um pouco de influência” chegou a 38% tanto para jornalistas quanto para companheiros ou companheiras.
Os filhos aparecem com 36% de influência declarada, percentual igual ao registrado para amigos próximos. Já pessoas seguidas nas redes sociais alcançam 32%, enquanto líderes religiosos registram o menor índice entre todos os grupos pesquisados, com 23%.
Quando considerada apenas a opção “muita influência”, os filhos lideram com 21%, seguidos pelos companheiros, com 20%, jornalistas, com 17%, amigos próximos, com 16%, pessoas acompanhadas nas redes sociais, com 15%, e líderes religiosos, com 13%.
Homens atribuem maior influência aos amigos
O levantamento também identificou diferenças entre homens e mulheres. Entre os entrevistados do sexo masculino, 40% afirmaram que a opinião de amigos próximos exerce muita ou alguma influência sobre o voto. Entre as mulheres, esse percentual cai para 31%.
No caso das redes sociais, 36% dos homens disseram considerar a opinião de pessoas que acompanham nas plataformas digitais, enquanto entre as mulheres o índice foi de 29%.
Escolaridade e região alteram percepção sobre líderes religiosos
A influência de líderes religiosos também varia conforme o perfil do eleitor. Entre pessoas com ensino fundamental, 30% afirmaram que esses líderes exercem muita ou alguma influência. Entre entrevistados com ensino superior, o índice cai para 15%.
Regionalmente, o Nordeste apresenta o maior percentual de influência religiosa, com 29%, seguido pelo Sudeste, com 20%, e pelo Sul, com 14%.
Entre evangélicos, 28% afirmam considerar a opinião dos líderes religiosos na escolha presidencial. Entre católicos, o percentual é de 24%, diferença que permanece dentro da margem de erro da pesquisa.
Cenário eleitoral permanece estável
Na mesma rodada do Datafolha, o presidente Lula da Silva (PT) aparece com 48% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registra 43%.
A pesquisa também indica que 92% dos eleitores que votaram em Lula ou em Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 afirmam não se arrepender da escolha feita no segundo turno, demonstrando estabilidade no comportamento do eleitorado brasileiro às vésperas da campanha eleitoral de 2026.


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