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Lula e Flávio enfrentam desafio de ampliar votos além de suas bases, aponta análise

A disputa pela Presidência da República entre Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega a uma nova etapa marcada pela consolidação das bases eleitorais e pela dificuldade dos dois candidatos em conquistar eleitores fora de seus grupos tradicionais.

A avaliação foi feita pelo cientista político Elias Tavares, em participação no programa Ponto de Vista, da revista Veja. Segundo o analista, o principal desafio das duas campanhas será ampliar o chamado teto eleitoral, em uma eleição que tende a permanecer polarizada.

“Os candidatos à Presidência já são conhecidos nacionalmente, e a discussão eleitoral em torno deles está estabelecida”, afirmou Tavares, destacando que ambos possuem bases sólidas, mas precisam buscar eleitores que ainda não estejam identificados com nenhum dos dois campos.

Lula passa a ter maior rejeição

A nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta última segunda-feira (24), reforça o cenário de forte divisão entre os dois principais candidatos. Lula aparece com 49% de rejeição, enquanto Flávio registra 48%. O índice corresponde aos entrevistados que afirmam que não votariam de jeito nenhum no candidato.

A inversão ocorreu pela primeira vez desde abril. No levantamento anterior, Flávio tinha 50% de rejeição, contra 48% de Lula.

Apesar da diferença de um ponto percentual, os números estão dentro da margem de erro de dois pontos percentuais da pesquisa, o que caracteriza empate técnico.

O levantamento entrevistou 2.006 eleitores entre os dias 21 e 23 de agosto, por telefone. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09028/2026.

Lula tem maior fidelidade eleitoral

Outro dado destacado pela análise é o potencial de voto exclusivo dos dois candidatos. Segundo o levantamento, 39% dos entrevistados afirmam que Lula é o único candidato em quem votariam.

No caso de Flávio, esse percentual é de 27%. Outros 20% dizem que poderiam votar no senador, mas também considerariam outro candidato, enquanto 11% fazem essa mesma avaliação em relação ao presidente.

Para Elias Tavares, esses números demonstram que a disputa não será determinada apenas pela força das bases já consolidadas, mas principalmente pela capacidade de cada candidatura de conquistar novos segmentos do eleitorado.

Eleitor de centro pode decidir a eleição

Na avaliação do cientista político, o eleitor de centro tende a ganhar importância durante a campanha. Esse grupo, segundo ele, reúne pessoas que não estão necessariamente alinhadas de forma definitiva com nenhum dos dois polos e podem mudar de posição ao longo da disputa.

Tavares avalia que a eleição pode ser definida não apenas por quem conseguir obter mais votos, mas também por quem conseguir reduzir sua rejeição e convencer eleitores que hoje estão fora de sua base.

“Eles precisam achar uma forma de conseguir fazer isso”, afirmou o analista ao comentar a necessidade de Lula e Flávio ampliarem seus discursos.

2ª turno permanece acirrado

A pesquisa BTG/Nexus também mostra um cenário apertado em uma eventual disputa direta entre Lula e Flávio. O presidente aparece com 46%, enquanto o senador registra 45%, resultado considerado empate técnico diante da margem de erro.

No primeiro turno, Lula lidera numericamente com 41%, seguido por Flávio, com 37%, segundo os dados mais recentes do levantamento.

O cenário indica que a eleição presidencial de 2026 permanece aberta, com os dois principais candidatos sustentados por eleitorados expressivos, mas também enfrentando índices elevados de rejeição.

Para Tavares, justamente essa combinação pode transformar o eleitorado que ainda não está fechado com nenhum dos dois em um dos principais fatores de definição da corrida presidencial.

Fonte: Clique aqui

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