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Livro como chamado à ação

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É possível ler a realidade de outra forma – pois é possível ler. Em “De Marte à favela: como a exploração espacial inspirou um dos maiores projetos de combate à pobreza do Brasil”, Aline Midlej e Edu Lyra apresentam experiências bem-sucedidas de formação, capacitação, parcerias e aplicação de tecnologias nas comunidades, para vencer a pobreza e diminuir a desigualdade. A jornalista participa do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas – Flipoços – e concedeu a entrevista a seguir ao JC.
Para Midlej, “olhar e enxergar a subjetividade das pessoas que estão à margem é revolucionário” num país “cronicamente desigual”. Ela também chama a atenção para o ato da escrita de um livro: “A escrita é capaz de criar novas conexões com o nosso entorno e as experiências a partir dele. Eu diria que o livro é um chamado pra ação, mais que tudo. Pra que cada um escreva um capítulo diferente da própria história em relação ao outro. Que vive outras realidades”.

Numa realidade quase sempre projetada nas telas, onde a cultura da imagem parece se sobrepor à da palavra, as experiências de fazer e a de ler um livro podem ser vistas como saberes que desafiam o tempo, para firmar e renovar a experiência humana? Como foi escrever essa obra em coautoria?
Aline Midlej – Os livros nos exigem um tempo de relação. Dedicação. Entrosamento. Tanto pro escritor quanto pro leitor. Portanto, um desafio nestes tempos, sim. Mas ao mesmo tempo é um convite, uma oportunidade de estar, de fato, para poder mergulhar na profundeza devida. Eu levei um ano e meio pra escrever essa obra. E a cada mês eu já me via uma escritora diferente. Mais atenta, com o olhar e o coração mais sensíveis e treinados pra ver e sentir com a responsabilidade de quem tem a missão de contar uma história que será eternizada no papel. Todo livro desse tipo é um documento histórico. Sobre um momento do país e do mundo. E essa foi a ideia mesmo do Edu Lyra, compartilhar com os outros os aprendizados.

O título de seu livro com Edu Lyra promove uma reentrada imaginária no ambiente local, partindo do vislumbre de outro planeta. Como a abordagem de fora para dentro, do panorama para o detalhe, ressalta a importância das iniciativas destacadas em “De Marte à favela”?
Aline Midlej – O título foi a última etapa. Demorei pra decidir, pra construir. Contei com várias referências. Unir a exploração espacial e tudo o que a torna possível – investimentos, tecnologia, fascínio – com a favela é deixar uma provocação imediata e que faz pensar sobre o que deve ser prioridade, o que deve nos mover como humanidade. E a capa que o Kobra fez pra gente encaixou perfeitamente na mensagem. Com aquele menino querendo viver ainda naquele planeta ao qual pertence, mas que seja um lugar bom pra todo mundo.

A desigualdade brasileira é uma infâmia persistente. A esperança na educação é uma fé teimosa. O que a leitura representa, no embate entre a realidade infame e a teimosia do sonho?
Aline Midlej – A leitura representa um caminho possível que depende da repactuação de toda a sociedade. Escolhemos ser um país cronicamente desigual todos os dias. Claro que dinheiro, política pública, são fundamentais, mas a mudança de olhar do individual pro coletivo é fundamental. Rever preconceitos, ampliar consciência e entender que todos nós, no alto do nosso privilégio, podemos colaborar pra mudança. A elite econômica, em especial. A educação é a base, mas olhar e enxergar a subjetividade das pessoas que estão à margem é revolucionário. Assim como criar uma nova ideia do que é dignidade.

Assim como ler, educar, buscar e persistir, escrever é uma escolha pela conexão, pelo encontro do que está além de nós mesmos, como sugere bell hooks na menção à escolha por amar. O livro de vocês, e qualquer livro, também surge como um chamado à escrita?
Aline Midlej – O amor é revolucionário. E a escrita é capaz de criar novas conexões com o nosso entorno e as experiências a partir dele. Eu diria que o livro é um chamado pra ação, mais que tudo. Pra que cada um escreva um capítulo diferente da própria história em relação ao outro. Que vive outras realidades.

Na turbulência diária do jornalismo, você mantém que rotina de leitura e escrita, Aline? E o que sente nesses momentos?
Aline Midlej – Meu desafio é equilibrar as leituras de jornal, sites e revistas, com os romances e livros documentais que eu adoro. Um exercício diário. Porque a demanda da TV é alta, as notícias não param, é preciso aprofundar, construir contextos, mas entendo que a imaginação precisa ser alimentada todos os dias, também, e nada melhor que uma boa ficção pra isso. Me sinto feliz de poder ter a chance desse exercício numa casa cheia de livros.

Flipoços no domingo

O Festival Literário Internacional de Poços de Caldas – Flipoços – se encerra neste domingo. Confira alguns destaques da programação, que pode ser vista no site www.flipocos.com:

Cinco mil anos em cinquenta minutos: A fascinante história do livro – Com Leonardo Garzaro e Sandra Espilotro às 10h30 na Chocolateria Lascaux.

Brasil Possível: inovação, território e a reconstrução da esperança – Com Aline Midlej e Ubiratan Brasil às 11h30 no Palco Sulfurosa.

Homenagem ao Dia Internacional da Língua Portuguesa – Com Bruno Vieira Amaral, Célia Sousa, Rui Santos, Cristóvão Margarido e Joaquim Matusse às 15h30 no Palco Coreto Cultural.

 



Feira de Livros da Rocha – @sabrina.uchoa e @aluccao

Evento literário no bairro

Teve início na sexta, 1, e segue até este domingo, 3, a segunda edição da Feira do Livro da Rocha, no bairro do Bixiga, em São Paulo. Promovido por livrarias de rua, tendo a coordenação da Livraria Simples, o evento conta com entidades locais e apresenta programação diversificada, com a presença de nomes como Kaká Werá, Lilia Schwarcz, Fernando Moraes, Tom Zé, Aline Bei e Xico Sá. A expectativa da organização é atrair 10 mil pessoas para conferir as obras expostas por 57 editoras, sete livrarias e 30 organizações sociais, aproveitando nos três dias 64 atividades culturais, artísticas e sociais, distribuídas por sete palcos e um espaço infantil ao longo de 400 metros da rua Rocha. Além da Simples, estão as livrarias Miúda, Faz de Conta, Barrilete, Banca Tatuí, Livraria da Nuvem e Livraria da Tarde. A programação completa está no site www.feiradolivrodarocha.com.br.

Idealizador da Feira da Rocha, Adalberto Ribeiro conversou com coluna Literária.

São Paulo dispõe de dezenas de livrarias e uma agenda forte de eventos literários. Qual o diferencial da Feira do Livro da Rocha?
Adalberto Ribeiro – A Feira do Livro da Rocha tem como referência os eventos que já acontecem aqui, em outros lugares, como a Feira do Livro no Pacaembu, maior evento desse tipo na cidade. Mas o que é significativo é que a gente olha para as coisas que já acontecem no bairro. Os eventos do bairro também são referência pra gente, como o Bolo do Bixiga, a Festa de Nossa Senhora da Quirupita, os ensaios e as festas juninas, ou as festas e eventos sociais que o pastor da rua faz. Olhamos para o lugar e nos conectamos com essas experiências e essas pessoas. São mais de 30 entidades do bairro participando.

Na perspectiva dos leitores, qual o destaque do evento?
Adalberto Ribeiro – Vamos colocar mais de 30 mil livros na rua, junto com outras oito livrarias. Conjugamos o apoio das entidades do bairro, e das livrarias, na operação de vendas. Fazemos a centralização logística, com a parceria da Catavento e da Inovação. E mais de 70 editoras estão participando. Todas sacrificaram, junto com as livrarias, as suas margens de lucro, para podermos fazer boas promoções para o público final. O sacrifício das editoras em relação às margens é um gesto que precisa ser exaltado.

O preço mais baixo, então, faz da Feira do Livro da Rocha um evento que não se define apenas pelo aspecto comercial?
Adalberto Ribeiro – Esse gesto é para tentar sinalizar para o mercado que é possível fazer um evento vibrante, literário, com o propósito de forjar novos leitores, e ser acessível para pessoas que não se identificam como leitoras. Mas ao mesmo tempo vender muitos livros. Essa é a nossa expectativa. Este ano, temos mais editoras, uma programação robusta com mais um dia de atividades, e mais livros na rua, contemplando toda a cadeia do livro: as distribuidoras estão participando, as livrarias e as editoras também.

Festival da Palavra de Curitiba

A quarta edição do Festival da Palavra de Curitiba já tem data marcada: será de 5 a 9 de agosto. Com curadoria de Rogério Pereira, escritor e editor do Jornal Rascunho, e Liana Leão, o evento prestará homenagens a Alice Ruiz e Ignácio de Loyola Brandão. O tema escolhido para a edição é “Contar histórias, ler o mundo”.

Andrea Nunes

A Livraria Jaqueira do Recife Antigo recebe o lançamento, na quinta, 7, do novo livro de Andrea Nunes, “Presunção de inocência”. Antes dos autógrafos, a autora conversa com a também escritora Cida Pedrosa, a partir das 5 e meia da tarde. A publicação é da Flyve.



Rogério Robalinho recebe homenagem na UBE – Divulgação

Robalinho na UBE

Coordenador da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, Rogério Robalinho foi homenageado na União Brasileira de Escritores (UBE-PE) pelo artista André Soares. Na foto, além dos dois, a presidente da entidade, Lucia Sousa, e o vice-presidente, Evandro Barbosa.

Fonte: Clique aqui

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