O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), decidiu escalar a pressão sobre Jair Bolsonaro (PL) e sua rede de apoiadores. Um dia após a prisão preventiva do ex-presidente, o deputado protocolou representação no Supremo Tribunal Federal pedindo que o ministro Alexandre de Moraes amplie o escopo das investigações e identifique todos que circularam pela residência de Bolsonaro nas 72 horas anteriores ao episódio envolvendo a tornozeleira eletrônica.
No documento enviado ao STF, Lindbergh solicita uma perícia minuciosa do equipamento, o acesso às imagens internas e externas do condomínio e a checagem da origem do ferro de solda que teria sido usado para tentar romper a tornozeleira, ferramenta que, segundo o parlamentar, “é altamente específica” e não poderia ter aparecido no local sem algum tipo de articulação prévia.
O petista afirma ser urgente descobrir se o objeto já estava na casa, se foi levado por aliado político, visitante ou assessor, ou mesmo se entrou de forma clandestina para facilitar um eventual plano de fuga. Farias argumenta que a presença de um instrumento com essas características não pode ser tratada como mera coincidência.
O líder do PT também pediu que o STF investigue a mobilização convocada por Flávio Bolsonaro na véspera do episódio. Para Lindbergh, a vigília realizada por apoiadores na porta do condomínio tinha como objetivo tumultuar e “criar barreiras” para uma eventual ação policial caso a violação da tornozeleira tivesse êxito. Outro pedido envolve Eduardo Bolsonaro, que, segundo o deputado, tem histórico recente de estimular acusados do 8 de janeiro a deixarem o país.
“Solicitei que tudo seja investigado, especialmente que Jair, Flávio e Eduardo podem ter atuado de forma coordenada, sem prejuízo da eventual participação de terceiros”, afirmou Farias.
Caso que reacende a crise
Bolsonaro foi preso no sábado (22), em Brasília, após a Polícia Federal comunicar ao ministro Alexandre de Moraes que o ex-presidente tentou romper sua tornozeleira eletrônica por volta de 0h08. Com a movimentação de apoiadores na entrada do condomínio, Moraes avaliou que havia risco concreto de fuga.
A tornozeleira passou por análise no Instituto Nacional de Criminalística, que identificou sinais relevantes de dano, com marcas de queimadura em toda a circunferência e na área de fechamento. A perícia agora busca confirmar se o ferro de solda foi de fato utilizado, como alegado pelo ex-presidente.
Na audiência de custódia realizada no domingo (23), Bolsonaro afirmou que tentou mexer no dispositivo por causa de uma “alucinação”. Ele alegou ter acreditado que havia uma escuta da Polícia Federal instalada no aparelho e associou o episódio a uma medicação que teria começado a tomar dias antes. Negou, novamente, qualquer intenção de deixar o país.
A prisão foi mantida, por se enquadrar nos critérios legais. Apesar de preventiva, não representa o início do cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses à qual Bolsonaro já foi condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado, mais um capítulo que mantém o ex-presidente e seu núcleo político no centro da maior crise da direita brasileira desde 2018.
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