O afastamento foi selado após uma reunião de cerca de duas horas entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília
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O senador Jaques Wagner (PT-BA) pediu licença do cargo de líder do governo no Senado nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026. A decisão ocorreu dias após o parlamentar ser incluído na lista de alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
O afastamento foi selado após uma reunião de cerca de duas horas entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada no Palácio da Alvorada. Em publicação nas redes sociais, Jaques Wagner explicou que a saída da liderança foi definida em comum acordo com o chefe do Executivo, classificando o encontro como uma “conversa entre amigos”. O parlamentar afirmou que, neste momento, sua prioridade absoluta é provar sua inocência e se dedicar às campanhas eleitorais de aliados na Bahia e em âmbito nacional, além de sua própria reeleição ao Senado.
Na última quinta-feira, dia 18, endereços ligados ao senador em Salvador e em Brasília foram alvos de mandados de busca e apreensão. De acordo com relatórios enviados pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal, Wagner é apontado como o suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas. Os investigadores apuram se foram estruturados pagamentos, benefícios patrimoniais e a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador em favor do petista. A suspeita é de que o parlamentar teria recebido repasses que somam R$ 3,5 milhões em nome de familiares em troca de apoio político a medidas legislativas favoráveis aos interesses da instituição financeira no Congresso Nacional, esquema que ficou conhecido como “Emenda Master”.
A apuração também detalha a proximidade do senador com o banqueiro Augusto Lima, proprietário do Banco Pleno (instituição que sofreu liquidação pelo Banco Central) e ex-sócio de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O senador nega veementemente qualquer irregularidade.
A Operação Compliance Zero tem como foco a atuação de agentes públicos no esquema. Além de Jaques Wagner, a Polícia Federal mirou outros parlamentares de destaque no Congresso, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Conforme documentos da investigação, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro dispensava um tratamento privilegiado e diferenciado a Nogueira, incluindo o custeio de mais de R$ 400 mil em viagens internacionais e estadias em hotéis de alto padrão.

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