Os Estados Unidos ainda não se manifestaram publicamente neste sábado (26) após o Irã apresentar um plano para reabrir o estratégico Estreito de Ormuz. No entanto, o presidente Donald Trump teria rejeitado a proposta.
A informação é do The Wall Street Journal, que noticiou a recusa do republicano citando autoridades americanas familiarizadas com o assunto.
Segundo a reportagem, o presidente de 80 anos estava cético quanto à possibilidade de Teerã atender às suas exigências e acrescentou que considera provável uma retomada de bombardeios.
A mídia estatal iraniana informou hoje que o presidente Masoud Pezeshkian estava a caminho de volta para Teerã após participar da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.No país, ele se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres. “O Irã não abandonou a mesa de negociações, mas, dadas as experiências passadas, não confia mais nos Estados Unidos”, disse o presidente iraniano na ocasião.No início da semana, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, manteve conversas com o enviado de Trump, Steve Witkoff, e estabeleceu condições para o fim da guerra e a reabertura do vital canal de navegação.
“O Irã transmitiu aos Estados Unidos, por meio do Catar, um plano concreto de sete dias. Se as condições necessárias forem atendidas, o estreito poderá ser reaberto e a passagem marítima normal restabelecida dentro de sete dias”, disse Araghchi na ONU. “A escolha agora cabe aos Estados Unidos. O Irã não aceita coerção, ameaças ou intimidação, e não abrirá mão de seus direitos soberanos sob pressão”, acrescentou.
Hossein Mohebi, porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, foi citado pela agência de notícias Tasnim dizendo: “Não cessaremos de punir os EUA até que as sete condições do Irã sejam atendidas.”
Pezeshkian afirmou que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, apoiou o novo plano: “A coordenação com o líder da revolução [o líder supremo]… foi realizada”, disse ele à emissora CBS, de acordo com trechos divulgados pela mídia estatal iraniana.
Em meio ao conflito, Trump também publicou, na Truth Social, uma imagem de um mapa mostrando o Estreito de Ormuz circulado e com a legenda “Estreito de Trump”.
Ormuz, rota fundamental para o abastecimento mundial de petróleo, é um ponto central no conflito entre os EUA e o Irã, que se encontra em um impasse após quase sete meses, embora novas tentativas de mediação tenham ocorrido esta semana.
O que o plano previa?
De acordo com Araghchi, o plano do Irã prevê a cessação de todas as hostilidades no Oriente Médio, incluindo no Líbano. Ele afirmou que as condições eram as mesmas estabelecidas em um memorando de entendimento assinado com os EUA no início deste ano.
O documento exige, em particular, a liberação de ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões, bem como o levantamento das sanções ao petróleo iraniano e o fim do bloqueio naval dos EUA ao Irã.
No sétimo dia do cessar-fogo, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz. Pezeshkian disse ainda que “o processo começará no mesmo dia em que eles aceitarem”.
“Já tínhamos chegado a um acordo com base no memorando de entendimento assinado no Paquistão… se os Estados Unidos concordarem em prosseguir dessa forma, tudo voltará a ser como era antes”, acrescentou.
Em entrevista exclusiva à AFP nesta seman, Mohebi afirmou que o fim das hostilidades no Iêmen também estava entre as exigências de Teerã.
Por que o memorando não deu certo?
Washington e Teerã assinaram um memorando de entendimento em junho com o objetivo de pôr fim à guerra, reabrir o estreito e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Mas o acordo fracassou pouco depois, quando o Irã atacou navios comerciais em Ormuz, acusando-os de se desviarem da rota aprovada pela hidrovia.
O Irã exige que os navios obtenham autorização antes de navegar, alegando razões de segurança e soberania.
Navios que se recusam a cumprir as exigências são alvejados regularmente, enquanto os Estados Unidos bombardeiam esporadicamente áreas costeiras iranianas em retaliação.

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