Pesquisa com 60 empresas do setor mostra que indústrias recomendam menos o estado como plataforma logística do que transportadoras e comércio
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As empresas que decidem onde construir uma fábrica ou uma nova planta industrial são, em geral, as que menos recomendariam Pernambuco como plataforma logística. É o que mostra o Diagnóstico Competitivo da Logística de Pernambuco, estudo elaborado pelos organizadores da feira Multimodal Nordeste, com apoio técnico e parceria da Ceplan Consultoria Econômica e Planejamento. O levantamento foi apresentado na terça-feira (4), na abertura do evento, no Recife Expo Center.
Para medir essa satisfação, o estudo usou o Net Promoter Score (NPS), métrica bastante usada em pesquisas de mercado para medir o quanto um cliente recomendaria um produto ou serviço a outra pessoa.
Na pesquisa, cada uma das 60 empresas ouvidas deu uma nota de 0 a 10 para a probabilidade de recomendar Pernambuco como plataforma logística. Quem deu nota 9 ou 10 entrou no grupo dos promotores. Quem deu nota até 6 é considerado detrator. O resultado final do NPS é a diferença entre o percentual de promotores e o de detratores, e pode variar de -100 a +100.
Indústria e o restante do setor
No total, o NPS do setor logístico pernambucano ficou em apenas +1,7, um quase empate entre quem recomenda e quem não recomenda o estado.
O número muda bastante quando o estudo separa as respostas por tipo de empresa. Entre indústrias e embarcadores, que fabricam produtos e decidem onde instalar suas operações, o NPS foi de -31, o pior resultado do levantamento. As médias empresas, de qualquer segmento, também ficaram no negativo, com -19.
Já entre transportadoras e empresas de comércio e distribuição, a avaliação foi bem diferente. O NPS do comércio e distribuição ficou em +29 e o do transporte e armazenagem em +14.
Vale um adendo metodológico. O estudo é uma sondagem qualitativa com tomadores de decisão do setor, não um levantamento amostral probabilístico, e a base é concentrada no eixo Recife-Suape. O recorte de comércio e distribuição, por exemplo, reúne apenas sete empresas. Por isso, os números por segmento funcionam como uma leitura qualificada da percepção do setor, não como uma medida exata do conjunto de empresas do estado.
Por que esse dado importa
O contraste chama atenção porque é justamente a indústria quem decide onde instalar uma fábrica ou uma nova planta produtiva.
Pernambuco vem investindo para se consolidar como plataforma logística do Nordeste, com o Complexo Industrial Portuário de Suape, o polo automotivo de Goiana e a retomada da Ferrovia Transnordestina. Mas é justamente o público que decide onde alocar investimento que demonstra maior insatisfação com a infraestrutura disponível hoje no estado.
Apesar da insatisfação, o pessimismo não é generalizado. Do total de empresas ouvidas na pesquisa, 77% afirmam que pretendem investir na região nos próximos anos.

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