Para o presidente executivo da entidade o avanço dos materiais básicos é o indicador mais animador, por estar diretamente atrelado ao início de obras
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Após uma retração que acendeu o sinal de alerta em abril, a indústria de materiais de construção voltou a respirar e registrou crescimento no mês de maio. O resultado interrompe a trajetória de queda e reforça as expectativas do setor para uma recuperação gradual ao longo do segundo semestre, mantendo as projeções anuais em terreno positivo.
De acordo com o Índice ABRAMAT, divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção, o faturamento deflacionado do setor avançou 0,8% em maio na comparação com o mês anterior, em dados que já consideram o ajuste sazonal. O fôlego da retomada veio essencialmente dos materiais básicos, cujo faturamento saltou um vírgula seis por cento no período, enquanto o segmento de acabamentos permaneceu estagnado.
Esse movimento indica que a indústria começa a absorver os impactos sofridos em abril, quando o encarecimento dos combustíveis e dos derivados de petróleo, aliado à volatilidade do cenário internacional, encareceu o custo de operação e freou o ritmo das empresas.
Desafios no acumulado do ano
Apesar do alívio mensal, o panorama geral ainda exige cautela. Quando confrontado com maio do ano passado, o faturamento da indústria apresentou um recuo de um por cento. O peso dos juros elevados e a acomodação da demanda por novas obras continuam ditando um ritmo mais lento na comparação anual, fazendo com que o faturamento acumulado nos primeiros cinco meses deste ano registre uma retração de três vírgula sete por cento. No recorte dos últimos doze meses, a queda é de três vírgula oito por cento.
Ainda assim, a ABRAMAT projeta fechar o ano com uma expansão moderada de um vírgula nove por cento. Para que essa meta se concretize, contudo, o setor precisará monitorar de perto riscos latentes, como o desempenho abaixo do esperado do Programa Reforma Casa Brasil, as pressões inflacionárias na cadeia produtiva e o ritmo de crescimento da economia global.
Para o presidente executivo da entidade, Mauro Franco, o avanço dos materiais básicos em maio é o indicador mais animador, por estar diretamente atrelado ao início e andamento das obras físicas. O executivo destaca que a reação demonstra a resiliência da construção civil frente a um ambiente restritivo, embora reconheça que o patamar de faturamento do ano passado ainda não foi integralmente recuperado, mantendo o cenário desafiador para empresas e consumidores.


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