HomeBahia

Houthis ameaçam novos ataques após atentado em Riad

A milícia houthi do Iêmen, apoiada pelo Irã, alertou neste domingo (11) para que os viajantes no Oriente Médio deixem de utilizar os aeroportos sauditas, que considera “alvos legítimos”.

O alerta ocorre no dia seguinte a um ataque ao Aeroporto de Riad – um mais letais ocorridos na Arábia Saudita em anos – no qual pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas. A coalizão internacional que combate os houthis no Iêmen, liderada por forças sauditas, atribuiu ao grupo a responsabilidade pelo ataque.

As companhias aéreas e suas equipes também devem evitar os aeroportos sauditas e o espaço aéreo do reino, afirmou o porta-voz militar houthi, o brigadeiro-general Yahya Saree. Ele disse que esses locais são “alvos legítimos” para ataques dos houthis.

O porta-voz alertou “todas as companhias aéreas, especialistas, funcionários, trabalhadores e viajantes para que não utilizem aeroportos e o espaço aéreo sauditas, pois estão vulneráveis a ataques e se tornaram um teatro de operações para as nossas forças”. Ele afirmou que os aeroportos de Meca e Medina, locais sagrados para os muçulmanos, estavam isentos do alerta.

Embora os houthis não tenham reivindicado imediatamente a autoria do ataque deste sábado, eles já admitiram no passado ter visado aeroportos e instalações petrolíferas sauditas.

Escalada prejudica esforços pelo fim da guerra no Irã

A onda de ataques – incluindo investidas contra outros aeroportos sauditas, instalações militares e infraestrutura petrolífera – ocorreu na semana seguinte ao lançamento de uma grande ofensiva militar contra os houthis pela coalizão liderada pela Arábia Saudita.

Neste domingo, a Arábia Saudita manteve fechado seu principal aeroporto internacional e ordenou que as aulas das escolas de Riad fossem ministradas online, enquanto os houthis ameaçavam novos ataques em todo o reino.

O ataque deste sábado atingiu um complexo aeroportuário que abriga os terminais 3 e 4, destinados a voos domésticos, informou à agência de notícias Associated Press uma autoridade regional sob condição de anonimato, por não ter autorização para falar com a imprensa. O local não possui instalações militares.

Um comunicado saudita informou que, entre os mortos, estavam quatro cidadãos sauditas, dois de Bangladesh, um palestino, um cidadão dos EUA, um egípcio, um jordaniano, um sírio e um sudanês. O texto acrescentou que vários hospitais estavam tratando os feridos.

O ataque ao Aeroporto Internacional Rei Khalid marcou uma grande escalada nos confrontos entre os houthis e o reino saudita, além de complicar ainda mais os esforços para interromper a guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Segundo o portal de monitoramento do tráfego aéreo Flightradar24, as autoridades sauditas prorrogaram o fechamento do aeroporto pelo menos até as 21h deste domingo, no horário local.

UE e países árabes condenam ataque

Neste domingo, o Ministério da Saúde controlado pelos houthis informou que uma criança morreu e seis pessoas ficaram feridas em um suposto ataque aéreo saudita contra uma casa na capital iemenita, Sanaa. Não houve comentário imediato das autoridades sauditas.

Segundo o órgão, 91 iemenitas foram mortos e 168 feridos em ações da coalizão liderada pela Arábia Saudita em um período de cinco semanas, sendo que 60% das vítimas fatais eram mulheres e crianças.

A emissora Al-Masirah, controlada pelos houthis no Iêmen, relatou neste domingo um ataque que teria sido realizado pela Arábia Saudita contra o Aeroporto Internacional de Sanaa.

O ataque ao aeroporto saudita provocou condenações de países árabes, incluindo Iraque, Líbano e Síria, bem como do secretário-geral da ONU, António Guterres, e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

“Ataques realizados por grupos aliados ao Irã empurram a região para uma espiral de violência”, escreveu Von der Leyen neste domingo, em postagem no X. “Eles estão desestabilizando pontos estratégicos globais de transporte e energia.”

Trump avalia participação dos EUA no combate aos houthis

O presidente dos EUA, Donald Trump, avalia uma possível participação americana nos ataques sauditas contra os rebeldes – cenário que poderia levar os houthis a interromper a navegação no Estreito Bab el-Mandeb, uma via marítima crucial, e restringir ainda mais o fluxo de petróleo a partir do Golfo Pérsico.

O ataque deve aumentar a pressão saudita sobre aliados, incluindo Washington, para que forneçam apoio militar ao reino.

“Vamos analisar isso”, disse Trump, logo após o ocorrido. “Acabamos de saber do ataque recente. Portanto, tomaremos uma decisão. Agimos muito rapidamente.”

Mais tarde, no sábado, ele disse que planejava conversar com o príncipe herdeiro e chefe de governo saudita, Mohammed bin Salman. Ao ser questionado se os EUA poderiam se envolver, Trump respondeu: “vamos ver”.

Um ataque dos EUA aprofundaria o envolvimento americano em uma guerra regional impopular que tem representado um risco para o Partido Republicano de Trump antes das próximas eleições de meio de mandato nos EUA.

Tanto Trump quanto o Irã insistem que o calendário eleitoral americano não influencia suas decisões sobre como encerrar o conflito, que já dura sete meses. As negociações visando encerrar o conflito permanecem estagnadas.

Confrontos já duram mais de dez anos

Os confrontos entre sauditas e houthis começaram em 2015, quando o reino entrou na guerra civil do Iêmen em apoio ao governo reconhecido internacionalmente.

Um período de relativa calma se seguiu a um cessar-fogo de 2022, mas a situação mudou em julho, quando os houthis retomaram os ataques, alegando que os sauditas haviam disparado contra o aeroporto de Sanaa no momento em que uma aeronave vinda do Irã tentava pousar. O episódio reacendeu a indignação em relação ao bloqueio liderado pela Arábia Saudita, que deixou as áreas controladas pelos houthis amplamente isoladas.

A coalizão liderada pelos sauditas fornece apoio aéreo às forças do governo iemenita, que tentam reverter os recentes avanços dos houthis ao longo do Mar Vermelho. Esses avanços conferiram aos rebeldes maior capacidade de monitoramento do tráfego marítimo em Bab el-Mandeb – um corredor que serve como alternativa crucial ao Estreito de Ormuz, onde o Irã tem realizado ataques a navios.

Fonte: Clique aqui

COMMENTS

WORDPRESS: 0
DISQUS: