Escola homenageou o movimento cultural nascido no Recife nos anos 1990, exaltando o mangue, a periferia e a herança de Chico Science
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A Acadêmicos do Grande Rio transformou a Marquês de Sapucaí em um puxadinho do Recife ao levar para a avenida o enredo “A Nação do Mangue”, em homenagem ao movimento Manguebeat, nascido na capital pernambucana nos anos 1990.
Inspirado na contracultura liderada por Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, o desfile celebrou a força cultural das periferias e a identidade construída “da lama ao caos”.
Mangue e manifesto
Logo no abre-alas, o solo fértil dos manguezais foi representado por raízes cenográficas tomavam conta das alegorias. O segundo carro trouxe a famosa “Manguetown”, referência à cidade do Recife, erguida entre rios e mangues e cidade berço do movimento.
O desfile resgatou o Manifesto dos Caranguejos com Cérebro, lançado em 1990, que defendia a efervescência cultural nascida na lama, mas conectada ao mundo. A crítica social, marca do Manguebeat, apareceu em versos e imagens que destacaram desigualdade e resistência nas periferias.
No samba-enredo, a escola entoou: “Escute, nossa gente vem da lama / Resistência que inflama”, e reforçou a identidade do movimento ao cantar: “Eu sou do mangue, filho da periferia”.
Chico Science no centro da avenida
Um dos momentos mais marcantes foi a alegoria dedicada a Chico Science. O rosto do cantor surgiu em prata, com o tradicional chapéu e os óculos característicos. Nas lentes, painéis de LED exibiam a frase “da lama ao caos”, título do álbum que marcou o Manguebeat.
Atrás da cabeça gigante, estruturas giratórias exibiam expressões ligadas ao movimento e letras de músicas, como “psicodelia”, “maracatu”, “a revolução já começou”, “o de cima sobe”, “o de baixo desce” e “nação zumbi”.
O samba também reverenciou o artista de forma direta: “Chico, Manguebeat tá na rua / Caxias comprou a luta / E transforma em carnaval!”.
Alegoria de Chico Science no desfile da Grande Rio 2026 – Reprodução/Instagram @granderio/Thais Brum
Caranguejos, maracatu e cultura popular
Outros elementos do carnaval pernambucano, como as La Ursas, Caboclinhos e o Maracatu também não ficaram de fora da festa.
O caranguejo apareceu por toda parte: em fantasias, esculturas e em um carro alegórico de grandes proporções, com estrutura transparente e colorida, lembrando vitrais iluminados. A imagem reforçou o símbolo máximo do Manguebeat: o animal que vive na lama, mas sobrevive e se movimenta entre mundos.
Outro destaque foi o carro “Maracatu Atômico”, evocando a tradição pernambucana e a fusão entre ritmos regionais e influências contemporâneas. Na letra cantada, a presença de elementos como alfaias, ganzás e referências a Nanã reforçou a espiritualidade e a ancestralidade celebradas no desfile.


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