Quase a metade da frota das empresas permissionárias na Região Metropolitana do Recife se desloca sem segurança, com a idade útil vencida
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O transporte público no Recife e nas cidades que compõem a Região Metropolitana, já é prejudicado pela falta de um sistema metroviário que acompanhe a expansão urbana das últimas décadas – pelo contrário, o Metrô do Recife foi sucateado, desde o início dos anos 2000, e ao invés de crescer, reduziu para a metade o atendimento à população, a grande maioria de baixa renda, que poderia fazer melhor uso dele todos os dias, como planejado nos anos 1980, quando de sua inauguração. Mas, infelizmente, este não é o único problema para quem precisa se deslocar na região. Os ônibus, em larga medida, são antigos, com tempo de uso ultrapassado, pondo os passageiros em condição de insegurança e desconforto.
A soma desses dois serviços, cuja inadequação se conhece bem, não resulta na eficiência do transporte coletivo. A população é penalizada duplamente, sem alternativas dignas para movimentação na maioria das rotas no Grande Recife. Esforços em andamento prometem diminuir o déficit de qualidade, com a entrada em circulação de 80 novos veículos com ar-condicionado, e as promessas para cem ônibus elétricos e outros 150 refrigerados até o final de 2026. Vale mencionar que apenas 22% da frota de ônibus conta com ar-condicionado, ou seja, quase 80% deixam os passageiros sofrendo no calor. O balanço da má condição de uso abrange, na maior parte, os coletivos das empresas permissionárias, responsáveis por 70% dos serviços na RMR.
Como destaca a colunista de Mobilidade do JC, Roberta Soares, a defasagem da frota se traduz, para os usuários, em custo operacional mais alto, que se reflete na passagem mais cara e nos valores maiores de subsídio que devem ser pagos pelo Estado. Além disso, o risco de problemas mecânicos e sinistros com a frota em operação se torna maior, e a confiança da população no serviço despenca, a exemplo do que ocorrem em relação ao Metrô, em outra escala, porém no mesmo caminho. A degradação dos veículos, na percepção popular, é uma mostra do desinteresse da gestão pública na oferta, regulação e fiscalização do transporte coletivo em Pernambuco, em especial, na Região Metropolitana e na capital. Em comparação com outras capitais do país e outras regiões metropolitanas, a mobilidade aqui é vexatória e vergonhosa.
De acordo com os números de maio, dos cerca de 2.500 ônibus em circulação, 1.243 – praticamente a metade – encontram-se com o tempo de vida útil recomendado superado. Há empresas permissionárias com quase dois terços da frota operando fora do prazo. Nas empresas concessionárias, por outro lado, o percentual de ônibus vencidos chega a pouco mais de 25%. A demora de 12 anos para a realização, pelo governo estadual, de licitação para as linhas remanescentes, configura um atraso que parece paralisar o setor – cujas consequências são piores para os usuários. A gestão Raquel Lyra garante que o edital será lançado ainda este ano, enfim dando direção ao que se vê em avançado rumo de deterioração.

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