A equipe de Flávio afirmou que Marcelão esteve com Flávio durante esta tarde, quando teria comunicado que não poderia mais colaborar com a equipe
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O coordenador da comunicação da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, Marcello Lopes, deixou o cargo nesta quarta-feira, 20. O publicitário Eduardo Fischer assume o posto.
A decisão foi tomada na esteira da crise provocada pela reportagem do site Intercept Brasil, que revelou uma negociação entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono do banco Master, de R$ 134 milhões para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Marcelão, como é conhecido, deveria assumir oficialmente a comunicação da pré-campanha em junho. Ele já integrava a equipe, mas foi definido como o responsável pela comunicação da campanha no dia 12 de maio.
Em nota, a equipe de Flávio afirmou que Marcelão esteve com Flávio durante esta tarde, quando teria comunicado que não poderia mais colaborar com a equipe. A saída foi feita em comum acordo, segundo eles.
“O publicitário, que é amigo pessoal do parlamentar, decidiu, neste momento, focar na própria empresa e priorizar os seus negócios. Lopes volta para os Estados Unidos para cumprir agenda familiar”, diz o comunicado.
Marcelão vinha sendo criticado por aliados de Flávio e integrantes do PL por causa da condução da resposta do senador à crise, desde a divulgação do vídeo em que o senador tenta se explicar sobre a relação com Vorcaro, divulgado no mesmo dia da denúncia, até as demais entrevistas em que foi acuado por jornalistas.
Integrantes da campanha dizem que “outras frustrações” levaram à saída de Marcelão, “mas não tem relação com o caso Vorcaro”. A viagem que ele fez aos Estados Unidos na esteira da crise irritou membros do PL. Ele voltou nesta quarta-feira e foi ao encontro de Flávio, que está em São Paulo para agendas com o empresariado.
“Fischer tem muita experiência na área de criação, estratégia. Nós esperamos que seja alguém com condição de dar uma roupagem, uma condição adequada para que nosso candidato seja visualizado e entendido pelo eleitorado brasileiro, já que ele precisa ser cada vez mais conhecido”, afirmou o coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN).
Marinho chamou Fischer de “o publicitário hoje mais premiado do Brasil” e disse que “procurava há algum tempo alguém que entenda o tamanho e a envergadura do que vem pela frente, que faça uma campanha profissional”. Ele disse esperar que a comunicação do presidenciável melhore daqui em diante.
O escândalo tem causado estrago na reputação de Flávio. Uma pesquisa Atlas/Intel divulgada nesta semana mostra que o senador perdeu seis pontos percentuais desde a divulgação das reportagem
Questionado acerca da negociação com um banqueiro envolvido na maior fraude fiscal do País, Flávio tem respondido que se tratou de um pedido de financiamento privado para um filme privado. Mas o alto valor mencionado, de R$ 134 milhões, levantou questionamentos inclusive de aliados. Desse montante, R$ 61 milhões teriam sido pagos.
Isso porque o dinheiro foi transferido pela Entre Investimentos e Participações (que atuava em parceria com empresas de Vorcaro) para o fundo Havengate Development Fund LP (sediado no Texas), de um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador.
A Polícia Federal investiga agora se o dinheiro do Master teve como destino o custeio de Eduardo nos Estados Unidos.
Fabio Wajngarten fala em ‘sabotagem’
Ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência no governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten disse que Marcelão “foi sabotado pela política” e afirmou que foi decisão do marqueteiro deixar o cargo. Wajngarten ainda disse que os nomes especulados não serviriam para a campanha e que trabalhará para que Marcello Lopes permaneça na campanha.
“Eu não tolero injustiças: o Marcelão é ótimo, alma boa. Foi sabotado pela política. Ele não caiu, pediu para sair. A política não entende nada de comunicação e nem deveria se meter. Ele é a pessoa certa para a função. Ele é calmo e agregador e possui a confiança e amizade do Flávio”, disse Wajngarten na rede social X, complementando:
“Estou tentando fazer o Marcelão reconsiderar e, caso não tenha êxito, vou sugerir alguém da confiança do Marcelo, que já teve contato com o grupo até o momento. Os nomes que pipocam como candidatos a assumir a tarefa NÃO servem. Meu celular derrete nesse momento para que nenhum desses nomes seja sequer considerado”, disse o ex-secretário de Bolsonaro

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