Reportagem divulgada nesta sexta-feira aponta que a Polícia Federal iniciou uma nova frente de investigações no chamado caso Master, focando no financiamento bancário utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para adquirir uma mansão em Brasília.
De acordo com informações publicadas pela Revista Fórum, a operação apura se a concessão do crédito fez parte de um esquema de interesses cruzados envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master e ex-gestores do
BRB (Banco de Brasília).
Condições atípicas na compra da mansão
O imóvel no centro da investigação é uma mansão de 2,4 mil metros quadrados situada no Setor de Mansões Dom Bosco, uma das regiões mais exclusivas do Distrito Federal.
Segundo a revista, a transação ocorreu em 2021 pelo valor de R$ 6 milhões, dos quais R$ 3,1 milhões foram custeados por meio de um empréstimo do BRB.
A reportagem aponta que chamaram a atenção dos órgãos de controle os termos do negócio. O financiamento da mansão teria sido aprovado com um prazo de 30 anos (360 meses) e uma taxa de juros de 3,71% ao ano, percentual bem inferior à média de 4,85% cobrada pelo próprio BRB para operações imobiliárias na mesma época.
Conexões empresariais e auditoria no BRB
As suspeitas teriam se intensificado após a nova gestão do BRB contratar uma auditoria independente, que identificou inconsistências no crédito liberado ao parlamentar. Conforme a Fórum, o relatório com as anomalias foi entregue à Polícia Federal em fevereiro.
No período em que o financiamento foi autorizado, o presidente do BRB era Paulo Henrique Costa. O executivo foi preso posteriormente sob acusações de fraudes operacionais ligadas a Daniel Vorcaro.
A PF investiga se as condições facilitadas para a compra da mansão funcionaram como um meio de influência política para aprovar a compra do Banco Master, controlado por Vorcaro, pelo BRB.
A negociação entre os bancos acabou sendo vetada pelo Banco Central devido a riscos financeiros.
Quitação relâmpago
A liquidação acelerada da dívida também é alvo de escrutínio. Embora tivesse 30 anos para pagar o BRB, o parlamentar quitou os R$ 3,1 milhões referentes à mansão em apenas três anos.
Quando a aquisição da mansão veio a público, em 2022, Flávio Bolsonaro alegou possuir capacidade financeira para honrar os pagamentos, declarando uma renda obtida na carreira como advogado, além de renda mensal de R$ 56 mil, somada aos lucros de uma franquia de chocolates e ao dinheiro da venda de um imóvel anterior.
“Cabe dizer ainda que o banco que concedeu o financiamento, assim como todas as instituições financeiras no Brasil, segue um rigoroso complience e está sujeito a regras regulatórias e de fiscalização que impedem qualquer irregularidade”, afirmou Flávio em 2022, antes de estourar o escândalo do Banco Master e a tentativa de compra dos títulos podres pelo BRB.
O portal ND Mais acionou a assessoria de imprensa do senador para manifestação.

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