Se você tem a sensação de que o clima anda cada vez mais extremo, os números para os próximos meses confirmam esse receio. Segundo dados atualizados da NOAA (Administração Oceanográfica e Atmosférica Nacional.), divulgados e acompanhados de perto pela Defesa Civil de Santa Catarina, a chance de o fenômeno atingir uma intensidade muito forte entre setembro e dezembro subiu para 95%.
Na prática, o órgão estadual aponta que a maior parte dos modelos meteorológicos do mundo confirma que a situação vai alcançar uma força impressionante.
Mas o que significam esses números na temperatura da água lá no meio do Oceano Pacífico?
Os cientistas medem o aquecimento dividindo o mar em áreas. A Defesa Civil destaca que o monitoramento oficial é feito em quatro regiões (Niño 1+2, 3, 3.4 e 4), sendo a área Niño 3.4 a principal referência.
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Nela, a temperatura da superfície já registrou uma anomalia de 1,8 °C na média recente, patamar que a agência internacional classifica como um cenário forte.
Indo além dos dados oficiais, o meteorologista Piter Scheuer alerta que a situação pode ir muito além. Enquanto o ciclo anterior, em 2023, chegou a cerca de 2,0 °C de aquecimento nessa mesma região, o cenário atual já marca 2,3 °C e continua subindo.
A projeção do especialista é de que o evento possa atingir um pico entre 3,0 °C e 3,5 °C (ou até mais) entre o fim deste ano e o início de 2027, tornando-se um dos mais intensos já registrados.
O perigo do solo encharcado e os alertas da Defesa Civil
Com o fenômeno tão forte no Pacífico, a Defesa Civil reforça que a alta intensidade exige vigilância constante, lembrando que o evento na Região Sul é historicamente conhecido por alterar o regime de chuvas e aumentar a frequência de temporais.
Scheuer complementa que o trimestre de outubro, novembro e dezembro pode trazer volumes de chuva muito altos e tempestades severas.
O grande problema é que a terra já recebeu muita água nos últimos meses e está totalmente encharcada. Isso significa que qualquer chuva um pouco mais forte já traz riscos reais de alagamentos, enchentes e deslizamentos, exigindo atenção redobrada dos moradores.
Como o El Niño mexe com a temperatura da água?
Para entender por que essa temperatura sobe tanto sem precisar de fórmulas complicadas, basta olhar para o vento. Scheuer explica que o motor de tudo isso são correntes de ar que sopram de forma constante sobre o mar, conhecidas tecnicamente como ventos alísios, mas que funcionam de um jeito bem fácil de entender.
“Esses ventos que sopram sobre o mar funcionam como um regulador da força do El Niño e do La Niña. Se o vento sopra fraco, as águas do mar conseguem esquentar; se o vento sopra mais forte, ele acaba esfriando essa mesma água. Água aquecida é o El Niño, água resfriada é La Niña”, traduz o meteorologista.
O papel do Oceano Atlântico e o frio
Apesar de todo esse foco no Pacífico, o especialista faz um alerta importante: o fenômeno sozinho não manda no inverno catarinense. Quando o assunto é a chegada daquele frio rigoroso, entra em cena outro personagem fundamental: o Oceano Atlântico Sul, localizado bem mais perto da nossa costa.
As condições da água do Atlântico ajudam a decidir a rota do vento e a umidade que chegam até Santa Catarina. Para fazer o frio despencar de verdade, o fator decisivo continua sendo o avanço de massas de ar polar vindas do sul do continente.
Em resumo, o clima do Estado não depende de um fator só. É o resultado de uma grande sintonia entre o aquecimento lá no Pacífico, o comportamento dos ventos, a temperatura do nosso Atlântico e a atmosfera trabalhando juntas.


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