Ministros das Finanças de 11 países, liderados pelo Reino Unido, fizeram apelo a EUA, Israel e Irã em nome da estabilidade da economia global
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O prolongamento do impasse no estreito de Ormuz vem ampliando os efeitos da guerra na região para muito além do Oriente Médio. A escalada econômica do conflito que opõe Estados Unidos e Israel ao Irã, já está acontecendo e sendo percebida pelos gestores da economia global.
Além de outros aspectos cruciais, a começar do flagelo humano causado pelas bombas da insensatez em populações amedrontadas de bairros e cidades arruinadas, a freada violenta em diversos mercados, em especial da energia, indica uma repercussão que pode durar anos, mesmo que os conflitos parassem agora – o que não é sequer cogitado.
Um cessar-fogo que seja no mínimo respeitado por algumas semanas seria capaz de dar fôlego às negociações, e tempo para os países recomporem as relações comerciais, bem como redesenharem as rotas prejudicadas por bloqueios e perdas irreparáveis.
Depois que o Fundo Monetário Internacional revisou para baixo as previsões de crescimento econômico mundial, uma declaração conjunta puxada pelo Reino Unido verbalizou um apelo de ministros das Finanças da Austrália, Japão, Suécia, Holanda, Finlândia, Espanha, Noruega, Irlanda, Polônia e Nova Zelândia.
Certamente outros países endossam a preocupação, embora não tenham assinado o documento. Os impactos nacionais da situação de descontrole no Oriente Médio levam a reações em bloco, cuja reverberação ideal poderia sensibilizar os líderes que dão ordens para a guerra.
O chamado pela paz enfatiza os riscos para “a segurança energética global, as cadeias de abastecimento e a estabilidade econômica e financeira” que já se encontra abalada. A inflação volta a assustar em diversas partes do planeta, devido ao caos instalado em Ormuz.
Visando conter os danos, a declaração conjunta assume responsabilidades: “Comprometemo-nos a evitar, e apelamos a todos os países para que evitem, ações protecionistas, incluindo controles de exportação injustificados, formação de estoques e outras barreiras comerciais nas cadeias de abastecimento de hidrocarbonetos e outras afetadas pela crise”. O objetivo exposto é abrandar a crise insinuada com medidas preventivas que assegurem a circulação de produtos.
A ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves, reforçou o teor do pedido em sua dimensão mais próxima dos cidadãos, que sentem no bolso as consequências de conflitos distantes. “Um cessar-fogo sustentado e evitar reações impulsivas são essenciais para limitar os custos para as famílias”, afirmou a britânica.
O problema reside não apenas na impulsividade, mas no cálculo da estratégia que leva menos em conta fatores humanitários do que agendas políticas que favorecem, no campo econômico, o produto e o consumo de armas, munições e tecnologias avançadas de destruição. A indústria bélica fatura alto, os gastos voltados para os armamentos dispararam nos últimos anos – mas é da economia global que pode vir um basta para a guerra que desafia a lógica até mesmo nas nações que atacam e financiam ataques sem saber exatamente por que.

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