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entenda o conflito dos EUA e Irã ao longo do tempo

Mais do que encerrar os embates e reabrir o vital Estreito de Ormuz, o tratado tenta virar a página entre os países após quase cinco décadas

Por

JC


Publicado em 14/06/2026 às 20:16

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O anúncio de um acordo de paz definitivo entre os Estados Unidos e o Irã — mediado pelo Paquistão e com assinatura oficial marcada para o próximo dia 19 de junho, na Suíça — põe fim imediato às operações militares diretas que vinham escalando de forma alarmante. Mais do que encerrar os embates recentes e reabrir o vital Estreito de Ormuz, o tratado tenta virar a página de quase cinco décadas de uma das rivalidades mais profundas e perigosas da geopolítica moderna. Para entender o peso histórico deste momento, confira a cronologia dos principais pontos de ruptura que moldaram o conflito entre Washington e Teerã até a atualidade.

O Histórico do conflito

1953 | O Golpe de Estado (Operação Ajax): A CIA (agência de inteligência norte-americana) e o serviço secreto britânico orquestram a derrubada do primeiro-ministro iraniano democraticamente eleito, Mohammad Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo do país. O poder é devolvido ao xá Mohammad Reza Pahlavi, transformando o Irã em um forte aliado ocidental, mas gerando um profundo ressentimento popular contra os EUA.

1979 | A Revolução Islâmica e a Crise dos Reféns: O xá é deposto e o aiatolá Ruhollah Khomeini assume o poder, instituindo uma teocracia xiita e rotulando os EUA como o “Grande Satã”. Em novembro, estudantes islâmicos invadem a embaixada americana em Teerã, mantendo 52 americanos como reféns por 444 dias.

1980 | Ruptura Diplomática e Guerra Irã-Iraque: Washington rompe formalmente os laços diplomáticos com Teerã e passa a apoiar implicitamente (e depois explicitamente) o Iraque de Saddam Hussein na longa e sangrenta guerra contra o Irã (1980-1988).

1988 | A Tragédia do Voo 655 da Iran Air: No auge da “Guerra dos Petroleiros” no Golfo Pérsico, o navio de guerra norte-americano USS Vincennes abate por engano um avião comercial iraniano, matando todas as 290 pessoas a bordo. O episódio solidifica a desconfiança mútua.

2002 | O “Eixo do Mal” e a Questão Nuclear: O presidente George W. Bush inclui o Irã no chamado “Eixo do Mal” (junto com Iraque e Coreia do Norte). No mesmo ano, revelações sobre instalações secretas de enriquecimento de urânio dão início à crise internacional sobre o programa nuclear iraniano, resultando em duras sanções econômicas globais.

2015 | O Acordo Nuclear (JCPOA): Sob a gestão de Barack Obama, o Irã e as potências mundiais assinam o Plano de Ação Conjunto Global. O Irã aceita limitar drasticamente seu programa nuclear em troca do alívio das sanções econômicas, marcando o maior momento de relaxamento de tensões em décadas.

2018 | A Política de “Pressão Máxima”: Donald Trump retira unilateralmente os EUA do acordo nuclear e restabelece sanções econômicas severas e asfixiantes contra o Irã, paralisando a economia do país persa. Teerã responde retomando gradualmente o enriquecimento de urânio acima dos limites permitidos.

2020 | O Assassinato de Qasem Soleimani: Um ataque de drone ordenado por Trump mata o principal general do Irã, Qasem Soleimani, em Bagdá. O Irã retalia com ataques de mísseis contra bases americanas no Iraque, levando os dois países à beira de uma guerra aberta.

2025–2026 | Escalada Direta e Bloqueio de Ormuz: Após meses de hostilidades indiretas regionalizadas envolvendo milícias apoiadas pelo Irã e forças americanas/israelenses, o cenário evolui para confrontos militares diretos no início de 2026. O Irã impõe um bloqueio rigoroso ao Estreito de Ormuz, sufocando o comércio global de energia.

O que muda com o acordo atual?

O pacto alcançado neste fim de semana prevê não apenas o cessar-fogo permanente e a suspensão do bloqueio naval americano, mas estabelece uma janela crítica de 60 dias para que equipes técnicas finalizem os termos de desarmamento, a destinação do urânio altamente enriquecido do Irã e o cronograma de alívio definitivo das sanções financeiras.

A assinatura no dia 19 de junho representa o esforço mais contundente do século XXI para encerrar o ciclo de retaliações e redesenhar a arquitetura de segurança do Oriente Médio.

Embora o texto completo do Memorando de Entendimento (MoU) só vá a público na cerimônia oficial de assinatura do dia 19 de junho, na Suíça, os mediadores e as lideranças dos dois países já detalharam os termos centrais e o modelo de reabertura da rota de energia mais sensível do planeta.

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