Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que a igualdade buscada entre homens e mulheres pode ser conquistada somente no próximo século
Clique aqui e escute a matéria
A partir de comparações levando em consideração fatores de saúde, educação, participação econômica e empoderamento político, o Fórum Econômico Mundial divulgou a edição 2026 de seu relatório sobre desigualdade de gênero. E a situação piorou nos últimos seis anos. Se até 2020, a diferença observada entre homens e mulheres na ocupação de cargos de liderança poderia ser eliminada em 50 anos, a desaceleração no ritmo, de lá para cá, fez com que esse prazo aumentasse – e agora, a expectativa é de 90 anos para essa conquista.
Dos 145 países que fazem parte do levantamento, em nenhum a paridade de gênero foi alcançada, em vinte anos de realização da análise. Em pouco mais de um terço dos países, o que ocorreu foi uma piora em relação ao ano passado. O mercado de trabalho continua tendo muito mais homens nos cargos de liderança, com as mulheres somando quase a metade das posições de entrada. A diferença demonstra um longo caminho pela frente, para que o papel feminino nas empresas obtenha o mesmo reconhecimento e a representatividade masculina. De acordo com o Fórum, isso pode levar quase um século, ou mais, caso as condições sigam se deteriorando, ao invés de melhorarem, para o equilíbrio entre os gêneros.
Problemas estruturais encontrados em vários países refletem aspectos culturais semelhantes, nas atividades domésticas e no exercício da parentalidade, por exemplo, que terminando contribuindo de algum modo para que a promoção das mulheres não seja feita na mesma velocidade que a promoção dos homens. Os avanços também precisam chegar ao topo da gestão empresarial, segundo o relatório. A participação feminina nos conselhos de administração passou de 15% em 2014 para 29% em 2024, mas a liderança mulheres nesses conselhos percorreu curta distância, saindo de 3% para apenas 5% em uma década. No ranking das 500 maiores empresas globais da revista Fortune, somente 32 mulheres estavam na presidência executiva em 2025 – e eram menos ainda, 14, em 2015. Os números podem refletir a questão cultural, e as dificuldades persistentes de fixação da imagem de liderança empresarial nas mulheres.
A distância na ocupação de cargos de direção é vista, de outra maneira, na diferença na remuneração entre homens e mulheres, no desempenho de funções idênticas. Em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, o recorte de mulheres negras é ainda mais penalizado, com a raça e o gênero suscitando barreiras para a carreira profissional. Mesmo que haja maior preparo, com mais mulheres saindo da educação superior do que homens, as brasileiras continuam sofrendo para galgar posições de destaque nas empresas e nas funções públicas. O relatório internacional do Fórum amplia a dimensão de questão bem conhecida por aqui.
O agravante das condições de ascensão profissional, num país em que as demandas de cuidado familiar são quase sempre deixadas ao encargo feminino, e onde muitas mulheres precisam enfrentar os desafios da monoparentalidade, em especial na parcela populacional de baixa renda, pode fazer com que as brasileiras levem ainda mais tempo para verem a igualdade de gênero se tornando realidade.

COMMENTS