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os sustos continuam no campo

O campo começa novembro sob uma frente de chuva e com outros riscos no horizonte: crédito, pragas, mão de obra e armazenagem. Foto: Imagem gerada por IA/ND Mais

O clima não respeita o fim de semana de Halloween. Diferente dos filmes de terror, o pesadelo do produtor não acaba quando amanhece. Novembro começa com previsão de chuva volumosa no Sul, enquanto calor e precipitação irregular seguem no radar de outras regiões.

Na primeira semana, os acumulados podem chegar a 100 milímetros em cinco dias em áreas do Sul. Para o mês, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê temperaturas acima da média em todo o país, com chuva acima da média em áreas do Sul e volumes abaixo do esperado em partes do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

Em Santa Catarina, a Epagri/Ciram alertou para temporais, granizo e rajadas de vento nesta terça e na quarta-feira. O alerta deixou de ser abstrato no domingo: Fraiburgo, no Meio-Oeste, foi atingida por chuva, granizo e vento forte, com danos severos em casas, comércios e no hospital. Caçador e Lebon Régis também registraram estragos.

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Um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) estima em R$ 7,3 bilhões os prejuízos da agricultura e da pecuária com desastres entre julho e setembro. Em estudo da EY sobre os riscos do agronegócio em 2026, 79% dos entrevistados classificaram o impacto do clima como alto ou muito alto. A previsão muda de uma região para outra; a conta do clima, essa já conhece o caminho da porteira.

O elenco fixo da casa mal-assombrada

O crédito é um dos fantasmas mais antigos. As concessões de crédito rural e agroindustrial para produtores pessoas físicas somaram R$ 179 bilhões em 2025, queda de 17%, ou R$ 36,8 bilhões a menos que em 2024, segundo a Serasa Experian.

Os pedidos de recuperação judicial no agro recuaram no segundo trimestre, mas a comparação pede contexto: foram 448, 20,7% abaixo do mesmo período de 2025, depois de 474 pedidos no primeiro trimestre, alta anual de 21,9%. Uma queda no indicador é bem-vinda; não é quitação da dívida.

As pragas também não precisam de fantasia. Estudo de CNA, Embrapa e Epagri calculou em US$ 25,8 bilhões as perdas causadas pela cigarrinha-do-milho entre as safras 2020/21 e 2023/24. No mesmo período, o custo médio de aplicação de inseticidas subiu 19%.

E há vaga no campo, mas falta quem a ocupe: pesquisa da CNA com o Cepea mostrou que 94,8% dos empregadores rurais consultados têm dificuldade para contratar e 84,3% trabalham com equipes menores do que o necessário. A escassez já atrasa operações, pressiona custos e adia planos de expansão.

No mercado externo, sanidade é comércio. Depois dos focos de Newcastle em Santa Catarina, o Uruguai suspendeu temporariamente a entrada de aves e produtos avícolas de todo o Brasil. Um problema localizado pode virar uma porta fechada para uma cadeia inteira e reabri-la depende de resposta sanitária, transparência e negociação.

Os incêndios completam a lista. A CNA estimou em R$ 14,7 bilhões os prejuízos causados pelo fogo em 2,8 milhões de hectares de propriedades rurais entre junho e agosto de 2024. É um retrato recente da dimensão do risco, não uma previsão para este mês; com calor e estiagem em parte do país, prevenção continua no radar.

E quando a safra chega, surge outro aperto: onde guardar? O IBGE registrou capacidade estática de 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025. A EY estima que a estrutura atenderia 61,7% da safra de grãos prevista para 2026. O seguro rural, que deveria amortecer parte dos prejuízos, também segue como ponto de cobrança do setor.

A pauta da FPA também entra em campo

Na terça-feira (3), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) volta a se reunir para discutir temas que mexem diretamente com a rotina e o custo de produzir: regulamentação da jornada de trabalho, tributação de instrumentos de financiamento e licenciamento ambiental.

Na mesa estarão os efeitos de mudanças tributárias sobre LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures, além das regras de jornada e dos desdobramentos da legislação ambiental. É uma pauta extensa para um setor que já começa novembro olhando o céu, o caixa, a equipe e o calendário de plantio.

Halloween tem data. Os desafios do agro, não!

Clima, crédito, pragas, mão de obra, sanidade, fogo e armazenagem não são sustos de uma noite: cada um pode comprometer produção, renda e abastecimento. O seguro e as decisões tomadas em Brasília ajudam a definir quanto desse risco fica sobre os ombros de quem produz.

Que novembro traga chuva na medida e decisões à altura do campo. Fantasia de terror a gente guarda para o ano que vem. Para o produtor, já basta o elenco que trabalha em tempo integral aterrorizando o plantio e a colheita.


Fonte: Clique aqui

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