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Igrejas centenárias, casarões históricos, pontes e monumentos que ajudam a contar a história do Recife e de Olinda convivem com uma ameaça silenciosa: a corrosão.
Intensificado pela maresia, pela umidade e pelos ventos, o fenômeno avança sobre estruturas que compõem parte importante do patrimônio cultural pernambucano.
Embora muitas vezes passe despercebida, a deterioração pode comprometer elementos arquitetônicos, estruturas metálicas e revestimentos presentes em bens históricos e os sinais costumam aparecer quando o problema já está avançado, com manchas de ferrugem, fissuras, infiltrações e desprendimento de partes do concreto.
Mais do que uma questão estrutural, especialistas alertam que o desgaste representa um risco para a preservação da memória das cidades-irmãs.
“Recife e Olinda estão localizadas em uma região litorânea e, portanto, inseridas em um ambiente naturalmente agressivo para estruturas metálicas e de concreto armado, por causa da maresia, da umidade elevada e da presença de sais, especialmente cloretos, na atmosfera”, explica Felipe Naciuk, especialista em revestimentos anticorrosivos e gerente técnico global da Powerpoxi.
Segundo ele, a situação de cada imóvel histórico só pode ser avaliada com precisão por meio de inspeções técnicas específicas, capazes de identificar o estágio de degradação e eventuais riscos à segurança das edificações.
O especialista destaca que a população pode ajudar a identificar sinais de alerta, como ferrugem aparente, pintura com bolhas, armaduras expostas, parafusos corroídos e deformações visíveis.
“A população pode observar esses sinais, que já indicam um processo de corrosão instalado, e comunicar aos órgãos responsáveis, mas o diagnóstico sobre segurança deve ser feito por profissionais especializados”, afirma.
Preservar a história exige manutenção contínua
Maresia e mudanças ambientais aceleram desgaste em patrimônio do Recife e de Olinda – ARNALDO CARVALHO/JC IMAGEM
Para Thomas Fink, presidente do Centro Tecnológico de Corrosão Fernando Fragata, a proteção contra a corrosão deve fazer parte das estratégias de conservação patrimonial, desde os projetos de restauração até as ações permanentes de manutenção.
“O ideal é que esses espaços tenham programas permanentes de inspeção, diagnóstico e manutenção preventiva, com avaliação técnica periódica, identificação de pontos de corrosão, controle de infiltrações, tratamento adequado de fissuras, recuperação de revestimento, entre outros”, afirma.
Segundo ele, o desafio é ainda maior quando se trata de patrimônios históricos porque intervenções inadequadas podem comprometer características originais das edificações e gerar novos problemas de conservação no futuro.
“O cuidado precisa ser ainda maior, porque não se trata apenas do reparo de uma estrutura, mas da preservação da sua memória, dos seus materiais, da sua arquitetura e do seu valor cultural”, ressalta.
Maresia e mudanças ambientais aceleram desgaste
A corrosão é um processo natural de deterioração dos materiais provocado pela interação com o ambiente. Em cidades litorâneas como Recife e Olinda, a alta umidade e a presença constante de partículas salinas tornam esse processo mais intenso e acelerado.
Além disso, mudanças ambientais podem aumentar a agressividade da atmosfera e ampliar os riscos para edificações históricas.
“Mudanças ambientais podem alterar a agressividade da atmosfera e acelerar processos de degradação. Alterações em umidade, temperatura, ventos e poluição podem tornar o ambiente mais agressivo para estruturas históricas”, explica Felipe.
De acordo com o especialista, a preservação dos imóveis históricos depende do monitoramento contínuo e da adaptação das estratégias de conservação às condições ambientais de cada local.
“Em patrimônios históricos, isso é especialmente preocupante porque muitos materiais são antigos, sensíveis e nem sempre foram projetados para resistir às condições ambientais atuais”, observa.
Em cidades onde a arquitetura e os espaços históricos são parte fundamental da identidade cultural, a conservação vai além da proteção física das edificações. Combater a corrosão significa também preservar referências que ajudam a contar a história do Recife e de Olinda.
Casos críticos em Pernambuco
Estádio do Arruda tem situação crítica de corrosão – CHARLES JOHNSON/ACERVO JC IMAGEM
A corrosão foi uma das causas do desabamento do teto do Santuário do Morro da Conceição, localizado na Zona Norte do Recife, em 2024, de acordo com o laudo do Instituto de Criminalística.
O documento concluiu, ainda, que além da oxidação de peças na estrutura, o santuário apresentava infiltração no teto e nas paredes e as peças metálicas se desgastam. Duas pessoas morreram e 25 ficaram feridas.
Outro caso crítico em Pernambuco é o estádio José do Rego Maciel, o Arruda, também na Zona Norte. De acordo com o setor de engenharia, há riscos de nível “alto” e “muito alto” em partes da estrutura da casa do Santa Cruz, com registros de corrosão em armaduras e falhas em vigas de sustentação.

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