Conferência Ibero-Brasileira de Energia será nos dias 3 e 4 de dezembro com autoridades do setor elétrico do Brasil, de Portugal e da Espanha.
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Reconhecida como um fórum que ao longo dos anos vem debatendo o planejamento da segurança energética no Brasil, em Portugal e na Espanha, a Conferência Ibero-Brasileira de Energia deste ano vai debater as Mudanças Globais na Geopolítica e na Geoeconomia.
O encontro de 150 líderes e executivos do setor reunidos nos dias 3 e 4 de dezembro em Lisboa terá uma abordagem sobre temas como a reconfiguração das grandes potências; estratégias para disputas energéticas; conflitos e instabilidade geopolítica; e a pressão climática versus as realidades econômicas.
Também estará debatendo temas como o retorno do Estado como ator de indução de desenvolvimento a partir de incentivos fiscais, subsídios e barreiras comerciais que moldam o mercado, bem como uma luz sobre a energia como infraestrutura crítica e o novo cenário geopolítico da energia diante do novo cenário global.
Segundo o Coordenador Técnico do Coniben, o professor e consultor de estratégia de desenvolvimento para o setor elétrico Reive Barros, o temário de 2026 se curva à realidade global a partir de uma série de atos e decisões de classe mundial que reconfiguraram o setor elétrico ao redor do mundo, inclusive com a deflagração de guerras.
Isso explica, segundo ele, que o encontro aborde questões como o planejamento de médio e longo prazo visando à chamada autossuficiência energética dos países; uma nova gestão da oferta e da demanda de energia; expansão das fontes renováveis e a expansão e modernização da infraestrutura necessária para esse objetivo dos países.
Laércio Oliveira, representante do Senado Federal no Coniben.. – Divulgação
Resiliência e adaptação climática na produção de energia
Resiliência e adaptação climática; governança e políticas integradas; impactos econômicos e sociais da segurança energética; atração de investimentos e competitividade industrial assumem novo papel diante de uma realidade que é completamente diferente de quatro ou cinco anos dentro de um setor que tradicionalmente tem horizontes de pelo menos uma década, adverte o professor Barros .
No painel dedicado a analisar os Aspectos Regulatórios, o Conibem definiu analisar a questão da estabilidade jurídica, regulatória e previsibilidade das regras. Também debaterá : a agenda regulatória no curto e médio prazo e temas como a inovação tecnológica; modernização do modelo de mercado; transição energética e clima; regras para transição energética e descarbonização e leilões de geração e transmissão.
A questão das políticas operacionais para solução das questões do “Curtailment” este ano estará contemplada no painel Operação de Sistemas Elétricos com Alta Penetração de Renováveis que vai abordar os sistemas com alta participação de solar, eólica e armazenamento, e as ocorrências de grande porte com impacto sistêmico, causas e as principais medidas adotadas para mitigar os problemas especialmente no Brasil em função da alta produção hoje no Nordeste.
Bento Albuquerque ex-minisgtro de Minas e Energia. – Divulgação
Do armazenamento de energia à inteligência artificial
Reive Barros chama a atenção para a questão que o setor elétrico brasileiro enfrenta relacionada ao armazenamento de energia, à inteligência artificial e ao desafio de o país abrigar data centers. Para ele, a chegada do sistema BESS para armazenar, gerenciar e distribuir energia de forma eficiente e sustentável no Brasil, com aplicações no comércio e na indústria, no agronegócio, em sistemas isolados e na geração distribuída é uma questão que será abordada com profundidade.
O consultor revelou que o Coniben decidiu reservar um painel específico para debater o tema Data Centers e Inteligência Artificial. Para ele, os requisitos para a instalação de Data Centers sustentáveis, quanto à localização estratégica, energia limpa e eficiente, refrigeração inteligente, vão exigir ações que sequer estavam colocadas há três anos e que passaram a exigir providências estruturais que vão além da simples oferta de energia.
Reive Barros também informou que o seminário que será realizado em Lisboa não poderia deixar de incluir o impacto da inteligência artificial no setor elétrico. Temas como gestão e automação, design modular e escalável, com economia circular e reaproveitamento já fazem parte do modelo estrutural do setor elétrico.
Antes do termo IA, por força das atividades de segurança, essas questões já estavam postas e inseridas nas mais diversas rotinas do modelo de geração, distribuição e controle do setor elétrico. Mas a IA nos obriga a rever processos e abordar as mesmas questões com novos olhares.
Coniben 2025 reuniu 150 empresários e executivos do setor elétrico do Brasil , Portugal e Espanha. – Divulgação
Descarbonização Europa-Brasil, minerais críticos e terras raras
Além desses assuntos, o Conibem debaterá a questão da descarbonização Europa-Brasil – Marco regulatório global da International Maritime Organization (IMO), a questão da segurança energética entre as diversas fontes de geração e, finalmente, o impacto dos minerais críticos, terras raras e desafios energéticos.
“A produção de materiais, equipamentos e produtos de alta tecnologia e a transição energética, afirma Reive Barros, têm levado a uma crescente e cada vez mais dependente demanda por minerais críticos, como terras raras, lítio, nióbio, grafite e cobre”.
Todo esse novo cenário está conectado com o setor elétrico; portanto, enfrentar essas questões tão sensíveis de geopolítica é estar ante um cenário desafiador ao conjugar a difícil tarefa do equilíbrio entre demanda, capacidade produtiva, dependência e escassez, e para isso vamos convidar autoridades brasileiras da Espanha e de Portugal, conclui o coordenador técnico do Coniben.
Debate sobre Transição energética no Coniben. – Divulgação

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