O sonho de arrumar as malas, carimbar o passaporte e recomeçar a vida em um endereço internacional faz parte dos planos de milhares de brasileiros. Seja para estudar ou trabalhar, destinos na Europa e na Ásia parecem cenários de filme — e, bem, às vezes eles são mesmo. No entanto, a vida real longe de casa passa longe dos filtros do Instagram, envolvendo burocracias pesadas, barreiras linguísticas e a clássica solidão dos primeiros meses.
Se você está planejando essa transição ou apenas quer viajar sem sair do sofá, o cinema é uma excelente escola. Reunimos seis obras audiovisuais sobre a vida no exterior para você maratonar neste fim de semana e entender o impacto cultural de viver nesses dois continentes.
O velho continente sem filtros: a realidade na Europa
1. Albergue Espanhol (L’Auberge Espagnole) — Espanha
O clássico absoluto quando o assunto é estudar fora. O filme acompanha Xavier, um jovem francês que vai morar em Barcelona pelo programa Erasmus e divide apartamento com estudantes de vários cantos do mundo. É perfeito para entender o choque de convivência europeu, as amizades intensas e o desespero de dividir a geladeira com desconhecidos.
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2. Samba — França
Dos mesmos diretores do sucesso de “Intocáveis”, o longa se passa inteiramente em Paris e é um choque de realidade sobre o lado burocrático da Europa. Acompanhando a saga de um estrangeiro para se legalizar, a produção escancara os maiores pesadelos de qualquer imigrante na França: as filas intermináveis nos órgãos públicos (la préfecture), a extrema dificuldade de alugar um imóvel sem garantias locais e a dura rotina de trabalho que a maioria dos cartões-postais do Instagram prefere esconder.
3. Lazzaro Felice (Feliz como Lázaro) — Itália
Para quem sonha em viver na Itália, este filme premiado em Cannes é um mergulho profundo na realidade das regiões rurais e das periferias urbanas italianas. Ele destrói aquela imagem de comédia romântica da Toscana e mostra o verdadeiro choque de realidade do país. Uma lição necessária de que viver na Europa vai muito além de massas, vinhos e paisagens históricas.
Do outro lado do mundo: Desembarcando na Ásia
4. Encontros e Desencontros (Lost in Translation) — Japão
O guia definitivo sobre o isolamento cultural no Oriente. Ambientado inteiramente em Tóquio, o filme de Sofia Coppola traduz o nó na cabeça que a Ásia causa no início: letreiros incompreensíveis, fuso horário esmagador, a total falta de domínio do idioma e a sensação de estar invisível em meio a uma multidão que funciona em um ritmo totalmente diferente do Ocidente.
5. O Solteirão de Seul (Seoul Searching) — Coreia do Sul
Uma comédia dramática indispensável para quem quer entender a Coreia do Sul. O filme acompanha um grupo de jovens ocidentais que viaja para Seul para um acampamento de imersão cultural. Ele escancara o choque entre a liberdade ocidental e as regras extremamente rígidas de respeito, hierarquia e comportamento da sociedade coreana atual.
6. A Despedida (The Farewell) — China
Apesar de ter uma coprodução americana, a maior parte do filme se passa em Changchun, na China, e é falado quase todo em mandarim. A história acompanha Billi, uma jovem criada nos EUA que volta à China quando a avó é diagnosticada com uma doença terminal.
O choque cultural é o motor do filme: na China, a tradição dita que a família não deve contar o diagnóstico ao doente para poupá-lo do sofrimento. Billi entra em “curto-circuito” tentando entender essa lógica coletivista chinesa versus o individualismo ocidental. É perfeito para o leitor entender a importância da família, o respeito aos mais velhos e os códigos sociais chineses.
Dica extra: Em Suas Mãos (In Her Hands) — Afeganistão
Disponível na Netflix, este documentário impactante acompanha a história real de Zarifa Ghafari, que aos 26 anos se tornou uma das primeiras mulheres prefeitas do Afeganistão, governando a conservadora cidade de Maidan Shar.
O filme foi gravado durante os meses tensos que antecederam a tomada de Cabul pelo Talibã em 2021. Ele mostra de forma visceral o choque de realidades dentro do próprio país: enquanto mulheres como Zarifa lutavam por espaço na política, educação e direitos básicos, o avanço do extremismo ameaçava silenciá-las. É um registro histórico corajoso sobre o preço que as mulheres afegãs pagam apenas por quererem trabalhar e liderar em sua própria terra.

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