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Cem anos da Ordem dos Advogados de Portugal

CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES

Que o centenário da Ordem portuguesa seja uma oportunidade de reafirmar a importância da advocacia

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Em 2026, a Ordem dos Advogados de Portugal celebra cem anos de existência. Falar de um século de história é falar da capacidade de uma instituição permanecer necessária e comprometida com os valores que justificaram a sua criação. A Ordem portuguesa nasce em 1926, mas sua história dialoga com uma tradição ainda mais antiga de organização da advocacia, com a construção institucional e com a defesa da profissão como função indispensável à vida democrática.

Ao longo desses cem anos, Portugal atravessou regimes, crises, transformações sociais, mudanças políticas e novos desenhos jurídicos. A advocacia esteve presente em todos esses momentos como voz crítica e instrumento de defesa, tornando-se, sempre que necessário, em espaço de resistência.

A advocacia brasileira e a portuguesa compartilham, além da língua, raízes jurídicas, tradições acadêmicas, desafios institucionais e, hoje, principalmente, a responsabilidade comum diante de um mundo em permanente transformação. Em tempos de inteligência artificial, internacionalização das relações jurídicas, novas formas de trabalho, crises democráticas e circulação global de conflitos, nenhuma advocacia pode se fechar em si mesma.

As parcerias internacionais e os intercâmbios jurídicos tornaram-se instrumentos estratégicos de fortalecimento profissional, criando pontes capazes de beneficiar diretamente advogados, advogadas e a sociedade como um todo.

Na OAB-PE, buscamos olhar para esse caminho com visão de futuro. A internacionalização da advocacia precisa ser compreendida como oportunidade de formação e atualização para a promoção do crescimento profissional da nossa classe. Foi com esse espírito que, no ano passado, por meio do programa ESA pelo Mundo, possibilitamos bolsas para o I Congresso Luso-Brasileiro de Responsabilidade Civil, realizado no Porto, e para as Jornadas Luso-Brasileiras de Responsabilidade Civil, em Coimbra.

A responsabilidade civil, tema desses encontros, é apenas um exemplo da riqueza desse intercâmbio. Em diversas áreas, do direito empresarial ao direito digital, do direito de família à proteção de dados, do processo civil aos direitos humanos, Brasil e Portugal têm muito a aprender um com o outro. A tradição jurídica comum não elimina as diferenças e torna o diálogo ainda mais produtivo, porque permite comparar caminhos e identificar avanços ao reconhecer limites.

Instituições centenárias não sobrevivem por reverência ao passado e sim quando conseguem honrar sua história e, ao mesmo tempo, compreender as exigências do presente. A advocacia do século XXI precisa continuar fiel aos seus princípios, mas sem ignorar as novas linguagens e dinâmicas sociais que remodelam a vida jurídica.
Nesse ponto, a cooperação entre Ordens, escolas superiores da advocacia, universidades e entidades jurídicas internacionais é fundamental. A formação continuada tornou-se uma condição de sobrevivência profissional.

Ao saudar os cem anos da Ordem dos Advogados de Portugal, a OAB Pernambuco reafirma sua disposição de fortalecer laços e construir novas oportunidades de cooperação. A advocacia pernambucana tem história e talento para ocupar espaços nacionais e internacionais. Cabe às instituições abrir caminhos para que essa presença seja cada vez mais sólida e qualificada.
Que o centenário da Ordem portuguesa seja uma oportunidade de reafirmar a importância da advocacia como ponte entre povos que compartilham compromisso com a Justiça. Cem anos depois, a lição que permanece é a de que defender a advocacia é defender a sociedade. E fortalecer a cooperação entre nossas instituições é preparar a advocacia para um futuro que, cada vez mais, será construído sem fronteiras.

Ingrid Zanella, presidente da OAB-PE e Cacyone Gomes, advogada especialista em direito e tecnologia

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