A investigação do chamado caso Master levou o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) a reforçarem medidas para preservar a legalidade das provas e evitar que o inquérito siga o mesmo caminho de operações que acabaram anuladas pela Justiça, como a Lava-Jato e a Operação Castelo de Areia.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, autoridades avaliam que investigados passaram a adotar uma estratégia de comparar o caso Master à Lava-Jato, numa tentativa de questionar a condução da apuração e abrir espaço para futuras alegações de nulidade processual.
Relator do inquérito no STF, o ministro André Mendonça determinou medidas para reduzir riscos de vazamentos e preservar a cadeia de custódia das provas. Entre as providências estão a compartimentação dos diferentes eixos da investigação e a restrição de acesso ao conteúdo integral do processo. O ministro também determinou a abertura de uma apuração específica para investigar vazamentos de informações sigilosas.
A preocupação também foi manifestada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que afirmou haver atenção especial para evitar qualquer situação que possa comprometer a validade das provas produzidas durante a investigação.
Segundo Rodrigues, a PF já realizou medidas internas para coibir vazamentos e preservar a integridade das informações compartilhadas durante a apuração, especialmente após a divulgação de conversas atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro no âmbito da CPI do INSS.
Investigados contestam condução da apuração
Entre os alvos da investigação está o senador Jaques Wagner (PT), citado pela Polícia Federal sob suspeita de ter atuado em favor do Banco Master em troca de supostas vantagens indevidas. O parlamentar nega qualquer irregularidade e criticou a divulgação de imagens do dinheiro apreendido durante operação da PF, classificando a iniciativa como uma “patacoada” e comparando a exposição pública às práticas adotadas durante a Operação Lava-Jato.
Outro investigado, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), também rejeitou as acusações e afirmou que o caso representa uma tentativa de atingir sua imagem em período eleitoral. O parlamentar recordou que foi alvo de buscas em 2018, durante investigações posteriormente arquivadas pelo Supremo.
Advogados ligados aos investigados também passaram a questionar a condução da investigação, alegando suposto excesso nas medidas cautelares, demora no acesso aos autos e possível cerceamento do direito de defesa. Entre as estratégias jurídicas discutidas estaria a tentativa de invalidar provas obtidas a partir de aparelhos celulares apreendidos.
Debate entre ministros do Supremo
O caso também provocou divergências públicas entre ministros do STF. Durante julgamento envolvendo um dos investigados, o ministro Gilmar Mendes afirmou que a investigação apresentaria semelhanças com a Lava-Jato, ainda que sob uma “nova roupagem”.
Em resposta, André Mendonça rebateu a comparação e afirmou que a investigação possui características distintas.
Segundo o ministro, os fatos investigados extrapolam crimes financeiros e apresentam indícios de atuação organizada, razão pela qual defendeu a continuidade das apurações nos moldes adotados até o momento.
Nos bastidores do Supremo, a avaliação é de que o avanço das investigações e o rigor na preservação das provas serão determinantes para reduzir questionamentos futuros e evitar que o caso enfrente contestações semelhantes às registradas em operações anteriores.

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