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Venda do Bumble por R$ 6,5 bilhões expõe crise em app de namoro

A fundadora do Bumble, Whitney Wolfe Herd, durante IPO no Nasdaq, em Nova York, em 2021.Foto: Reprodução/Instagram @Whitney Wolfe Herd/ND Mais

O aplicativo de relacionamentos Bumble foi vendido à Ithaca Holdings por US$ 1,3 bilhão, cerca de R$ 6,5 bilhões, em uma operação que prevê a saída da empresa da bolsa de valores.

A companhia, que valia mais de US$ 8 bilhões quando estreou no mercado, enfrenta queda de receita e de usuários pagantes, em um setor pressionado por mudanças no comportamento dos consumidores.

Para o advogado Marcelo Godke, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial e Societário, a decisão de fechar o capital se explica pelo momento da empresa.

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“A bolsa é ótima para empresas em crescimento, mas pode ser um ambiente hostil para uma empresa em reestruturação”, afirma. O Bumble redesenha o produto com inteligência artificial e flexibilizou até a regra que definia a marca, a de que só as mulheres davam o primeiro passo.

Segundo Godke, uma virada desse tipo exige anos de investimento com resultado incerto, enquanto o mercado aberto cobra desempenho a cada trimestre. Com o capital fechado, a empresa também elimina custos de auditoria, compliance e relações com investidores e simplifica uma estrutura de controle que tinha duas classes de ações.

Prêmio alto sobre ação em baixa

A oferta representa um prêmio de 138% sobre a cotação, percentual que, na avaliação do advogado, precisa ser lido com cautela. “Para o acionista que comprou recentemente, é uma saída boa; para quem está desde o IPO, é a materialização de uma perda enorme”, diz.

O especialista também aponta o risco para os minoritários. Blackstone e a fundadora, que juntas detêm o controle, aprovaram a operação por consentimento escrito, sem votação dos demais acionistas.

Como a fundadora reinveste parte da participação e segue na empresa, há potencial conflito de interesses, o que exige a atuação de um comitê especial independente e abre espaço para pedidos de avaliação judicial do preço em Delaware.

Geração Z e o fim do deslizar infinito

Em aplicativos por assinatura, o valor de mercado depende de quantos usuários pagam, quanto pagam e por quanto tempo. Quando a base de pagantes cai dois dígitos ao ano, a ação recua muito mais que a receita.

No caso do namoro on-line, Godke vê um problema estrutural. “A geração Z demonstra cansaço com o modelo do ‘deslizar infinito’ e busca outras formas de conhecer pessoas, inclusive presenciais”, afirma.

O advogado prevê novos fechamentos de capital de empresas digitais de porte médio listadas no auge de 2020 e 2021. Marcas conhecidas, base de usuários grande, geração de caixa e valor de mercado deprimido tornam essas companhias alvos de compradores que apostam na inteligência artificial para modernizar produtos maduros.

“O ativo procurado não é necessariamente a tecnologia da empresa, mas sua marca, sua base de clientes e seus dados, sobre os quais se pretende construir uma nova tecnologia”, conclui.


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