Nesta quinta-feira (1º), celebra-se o Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1990 como forma de conscientizar sobre o envelhecimento da população mundial. A data também reforça a importância da garantia de proteção, saúde e dignidade para os idosos.
Há uma década, um indicador da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontava que o Brasil já tinha a quinta maior população idosa do mundo.
A projeção indicava ainda que, em 2030, o número de idosos no país deve superar o de crianças entre 0 e 14 anos.
Entre no grupo
Em 2025, segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil alcançou a marca de 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. De acordo com a pasta, em duas décadas, esse contingente deve chegar a 61,5 milhões, ampliando os desafios para áreas como saúde, assistência social e previdência.
O impacto dessa mudança já é sentido no sistema público. Isso porque 81,4% dos idosos brasileiros utilizam exclusivamente o SUS (Sistema Único de Saúde).
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde afirma que o desafio vai além do tratamento de doenças associadas ao envelhecimento: é preciso adaptar os serviços, ampliar a prevenção e preparar a rede de atendimento para garantir mais qualidade de vida e autonomia à população idosa.
Envelhecimento da população impõe novos desafios
O avanço da população idosa não é uma realidade apenas brasileira. Segundo a ONU, praticamente todos os países registram aumento no número e na proporção de pessoas idosas. A projeção indica que, em meados de 2080, o mundo terá mais pessoas com 65 anos ou mais do que crianças com menos de 18 anos.
Outro dado reforça a mudança demográfica: em 2030, a estimativa é de que o planeta tenha 265 milhões de pessoas com 80 anos ou mais. Diante desse cenário, a ONU defende a preparação dos sistemas de saúde e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à população idosa, incluindo redes de apoio social.
Ao Bloomberg Línea, José Manuel Salazar-Xirinachs, secretário executivo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, afirmou que o envelhecimento acelerado aumenta a demanda por serviços de saúde e exige adaptações nas políticas públicas.
O especialista destaca ainda que a ampliação dos cuidados de longo prazo tende a elevar os gastos públicos e privados.
A mudança também impacta a economia diante da redução proporcional da população em idade ativa.
Eleições 2026: o que os candidatos à Presidência propõem para a saúde da população, incluindo os idosos
Com a mudança no perfil demográfico do Brasil, o envelhecimento da população se tornou um dos desafios para as próximas gestões. Um levantamento do R7 reúne as principais propostas para a saúde dos candidatos à Presidência da República mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT): mantém o SUS como principal eixo da política de saúde, com propostas para reduzir filas, modernizar a rede e implantar um prontuário eletrônico único. Também prevê a continuidade de programas como Mais Médicos, Farmácia Popular e Brasil Sorridente.
- Flávio Bolsonaro (PL): propõe um prontuário eletrônico único vinculado ao CPF e integrado ao Gov.br, além da modernização dos hospitais universitários federais e da expansão da telessaúde.
- Augusto Cury (Avante): propõe ampliar o uso da telemedicina no SUS, com a realização de até 80% das consultas de forma remota. Os atendimentos presenciais ficariam concentrados em casos considerados mais complexos.
- Ronaldo Caiado (PSD): propõe a digitalização do SUS e a reorganização do acesso ao sistema, com prioridade baseada em gravidade, risco clínico e vulnerabilidade. O plano prevê ampliar a prevenção na atenção básica, com acompanhamento contínuo de pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.
- Romeu Zema (Novo): prevê a criação de um Registro Nacional de Saúde com prontuário eletrônico unificado sob controle do cidadão. Também propõe ampliar a Estratégia Saúde da Família e contratar serviços privados para consultas, exames e cirurgias pelo SUS.
- Renan Santos (Missão): propõe o programa “SUS Fila Zero”, com classificação dos pacientes por gravidade clínica, risco de progressão da doença e vulnerabilidade. O plano também prevê o sistema “PRONTO”, um prontuário eletrônico nacional integrado a unidades de saúde, laboratórios e farmácias.

COMMENTS