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Recife testa recompensa para quem pedala por aplicativo na cidade, mas tecnologia esbarra em infraestrutura cicloviária estagnada

CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES

Projeto “Mova-se pelo Futuro” converte pedaladas em benefícios digitais via plataforma Conecta Recife. Infraestrutura, entretanto, não é segura

Por

Roberta Soares


Publicado em 14/09/2026 às 12:35
| Atualizado em 14/09/2026 às 13:09

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Buscando estimular a mobilidade urbana ativa e sustentável na cidade considerada a capital com o pior trânsito do País, a Prefeitura do Recife deu início aos testes da solução tecnológica “Mova-se pelo Futuro”, um programa que recompensa cidadãos que se deslocam a pé, de bicicleta convencional ou de bicicleta elétrica (e-bike) para realizar atividades rotineiras. A participação no programa é voluntária e pode ser realizada diretamente pela plataforma Conecta Recife, dispensando a necessidade de baixar novos aplicativos.

Para garantir o acúmulo de pontos, o sistema exige que os deslocamentos sejam exclusivamente de transporte e mobilidade urbana — como trajetos entre residência, trabalho, escola ou comércio —, excluindo atividades voltadas puramente ao lazer, esporte ou treinos físicos. Além dos modais tradicionais, bicicletas elétricas com assistência de pedal enquadradas na legislação de trânsito também são validadas na plataforma.

A iniciativa foi desenvolvida pela Bion Global Biocredits Ltda., selecionada via edital do EITA Labs, e conta com o suporte técnico da Empresa Municipal de Informática (Emprel) em conjunto com a Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia (SECTI). Por meio de validação via GPS e registro no sistema BionChain, os trajetos sustentáveis são convertidos em Créditos H3RO, que podem ser trocados por benefícios no marketplace da plataforma.

Ciclofaixas do Recife viraram pistas de motos, que tiveram uma explosão com o serviço de Uber e 99 Moto. Invasões colocam a vida de ciclistas em risco na capital pernambucana – JAILTON JR./JC IMAGEM

Dados de 2025 revelaram que menos de 2% da população urbana do Brasil reside em ruas com ciclovias ou ciclofaixas adequadas – GUGA MATOS/JC IMAGEM

Segundo informações repassadas pela PCR, a fase de testes terá duração de um ano no ambiente Conecta Labs para avaliar o engajamento da população e a capacidade de escala da tecnologia em ambiente real. E a proposta integra uma estratégia municipal mais ampla para reduzir as emissões de carbono e consolidar uma cultura de mobilidade sustentável na capital pernambucana.

Destacando a relevância da integração entre tecnologia e gestão pública, o secretário de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia, Rafael Cunha, explicou a proposta da ferramenta. “O EITA Labs é uma ferramenta estratégica para aproximar inovação e gestão pública, permitindo que soluções tecnológicas sejam testadas em ambiente real de forma colaborativa e responsável. O objetivo é criar oportunidades para que novas ideias possam demonstrar seu potencial de impacto positivo para a cidade e para a população”, afirmou.

AVANÇO TECNOLÓGICO CONSTRATASTA COM MALHA CICLOVIÁRIA PRECÁRIA E ESTAGNADA

Mais de 90% da malha cicloviária do Recife é composta por ciclofaixas sem proteção física contínua, facilitando a invasão por veículos motorizados – RENATO RAMOS/JC IMAGEM

Mais de 90% da malha cicloviária do Recife é composta por ciclofaixas sem proteção física contínua, facilitando a invasão por veículos motorizados – RENATO RAMOS/JC IMAGEM

Mais de 90% da malha cicloviária do Recife é composta por ciclofaixas sem proteção física contínua, facilitando a invasão por veículos motorizados – RENATO RAMOS/JC IMAGEM

Mais de 90% da malha cicloviária do Recife é composta por ciclofaixas sem proteção física contínua, facilitando a invasão por veículos motorizados – RENATO RAMOS/JC IMAGEM

Ciclofaixas do Recife viraram pistas de motos, que tiveram uma explosão com o serviço de Uber e 99 Moto. Invasões colocam a vida de ciclistas em risco na capital pernambucana – JAILTON JR./JC IMAGEM

Apesar do incentivo digital ao uso do transporte ativo, quem depende da bicicleta no Recife enfrenta um cenário de desaceleração no crescimento da infraestrutura cicloviária. A cidade conta atualmente com pouco mais de 200 km de rotas, mas apenas 47,2 km foram entregues entre 2021 e abril de 2024, valor que representa menos da metade da meta de 100 km prometida para a atual gestão municipal.

De acordo com dados da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), a média anual de expansão da malha caiu drasticamente de 16% até 2020 para apenas 4% a partir de 2021. Essa estagnação se confirma quando se observa o cumprimento do Plano Diretor Cicloviário (PDC), que possui apenas 28% da sua rede projetada efetivamente implementada até o momento.



Bicicleta: Recife testa recompensa para quem pedala por aplicativo na cidade, mas tecnologia esbarra em infraestrutura cicloviária estagnada – ARTE

Além disso, mais de 90% da malha recifense é composta por ciclofaixas — estruturas sem segregação física do tráfego de veículos motorizados —, implantadas prioritariamente em ruas secundárias e de menor tráfego.

A vulnerabilidade de quem pedala fica ainda maior porque cada vez mais as ciclofaixas têm menos elementos de proteção, como tachões e mini-blocos, favorecendo a invasão constante de veículos motorizados, principalmente de motocicletas de aplicativo.

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