A área plantada com soja quase quintuplicou no período. Passou de 13,6 mil km² em 1985 para 63,5 mil km² em 2022, segundo o Mapbiomas. Esse número, porém, é subestimado, porque a plataforma não consegue distinguir 100% das plantações no território. Segundo o governo gaúcho, o plantio de soja em 2023 superou 84 mil km², equivalente ao dobro do estado do Rio de Janeiro.
O avanço da agropecuária se deu principalmente sobre campos naturais. De 1985 a 2022, as áreas de formação natural não florestal (que incluem campos, banhados e áreas rochosas) foram reduzidas em 30%, dando lugar principalmente a pastagens e lavouras de soja, arroz e milho. As florestas, por sua vez, tiveram uma queda mais leve no período, inferior a 5%.
Para ambientalistas, a perda de vegetação interfere tanto no cenário local do RS como no nível global. Segundo a bióloga Lisiane Becker, presidente do Instituto Mira-Serra, o estado vem pagando um preço alto por converter solos naturais em áreas de agropecuária.
Se, por um lado, a vegetação nativa garante os serviços ecossistêmicos, fundamentais à vida, a sua supressão promove o agravamento e a recorrência dos eventos climáticos extremos.
Lisane Becker, bióloga e presidente do Instituto Mira-Serra
Basicamente, o que cresceu de 1985 para cá foi a agricultura anual, como soja e milho, e a silvicultura, que é o plantio de árvores como pinus e eucalipto. E o que se perdeu foram principalmente os campos. Em 1985, quase já não havia mais floresta para se perder, o pouco que restou é de áreas que não são interessantes para a agricultura
Heinrich Hasenack, professor de Agronegócios na UFRGS e coordenador da equipe Pampa do Mapbiomas
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