O ano de 2025 terminou de forma muito diferente do que começou para o presidente Lula da Silva (PT). Pressionado pela alta rejeição, dificuldades no Congresso e uma comunicação com algumas falhas, o petista chegou a flertar publicamente com a possibilidade de não disputar a reeleição. Nos bastidores, o discurso era interpretado como uma saída honrosa diante de um governo acuado.
A virada, no entanto, não veio de uma guinada econômica nem de uma nova base parlamentar, mas de um erro estratégico da própria oposição. Mais precisamente, da família Bolsonaro.
Oposição fora do jogo
O ponto de inflexão ocorreu a partir de julho, quando Jair Bolsonaro (PL), principal nome da direita, saiu de cena após desrespeitar medidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes. O afastamento forçado do ex-presidente retirou do debate político o principal polo de confronto direto com o governo.
Sem Bolsonaro no centro da arena digital, a militância de direita perdeu comando e narrativa. O vácuo foi ocupado por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que passou a atuar diretamente do exterior, adotando uma estratégia de confronto internacional que acabou se voltando contra a própria oposição.
Ao tentar pressionar o Supremo Tribunal Federal fora do país, Eduardo Bolsonaro acabou desencadeando uma crise diplomática sem precedentes entre Brasil e Estados Unidos. Sanções contra ministros do STF e medidas tarifárias que atingiram setores produtivos brasileiros mudaram completamente o tabuleiro político.
Lula, até então sem discurso claro, encontrou o terreno ideal para reagir. O presidente passou a liderar uma campanha nacional em defesa da soberania brasileira, reposicionando o governo no debate público e internacional. A retórica de enfrentamento externo funcionou como catalisador político e emocional. Tudo que o publicitário Sidônio Palmeira precisava.
Reconstrução da imagem
A partir do segundo semestre, o governo Lula passou a operar com mais clareza em três eixos centrais, soberania nacional, protagonismo internacional e reposicionamento do Brasil no cenário global. O discurso encontrou ressonância dentro e fora das redes sociais.
Enquanto no início do ano o governo sangrava com crises como a polêmica envolvendo o Pix, aumento de impostos e instabilidade econômica, o novo contexto internacional permitiu a Lula ocupar o papel de defensor do país diante de pressões externas.
O resultado foi imediato no ambiente digital. O presidente ampliou seu alcance para além das bolhas tradicionais, reduziu o impacto das campanhas de desgaste e passou a acumular crescimento consistente de seguidores em todas as plataformas.
Redes sociais e novo protagonismo
A circulação de Lula em eventos internacionais, encontros diplomáticos e aparições em fóruns globais ajudou a reconstruir sua imagem. Episódios simbólicos, como reuniões com líderes estrangeiros e gestos de aproximação política, contribuíram para humanizar a diplomacia brasileira e desmontar a narrativa de isolamento.
Ao final de 2025, a imagem digital do presidente passou a ser marcada por sentimento majoritariamente positivo ou neutro, liderança consolidada no campo progressista e reforço do reconhecimento internacional. As tentativas de desgaste não desapareceram, mas perderam força e capacidade de mobilização.
Jogo ainda aberto
Apesar da recuperação política, o cenário está longe de ser confortável para o Palácio do Planalto. O ano de 2026 promete ser marcado por investigações, possíveis revelações envolvendo figuras próximas ao presidente e pela volta do tema da corrupção ao centro do debate eleitoral.
Ainda assim, 2025 ficará registrado como o ano em que a oposição errou o cálculo, saiu do jogo e permitiu que Lula deixasse a defensiva. Em política, como ficou claro mais uma vez, não basta atacar, é preciso saber quando e como fazê-lo.
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