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Argentinos voltaram a visitar Pernambuco, mas chineses estão cada vez mais ocupando lugar nas exportações do Brasil para país vizinho

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Os argentinos estão voltando a Pernambuco. Depois de perder a liderança no receptivo de turistas internacionais para o Uruguai, a Argentina fechou o primeiro semestre do ano com 51% dos turistas internacionais que desembarcaram no estado, retomando uma posição que o trade turístico de Porto de Galinhas apostou durante anos. Os argentinos continuam indo para Santa Catarina, mas Pernambuco sempre foi o terceiro destino depois de São Paulo, especialmente quando tem voos diretos.

Se no turismo estamos bem, nas vendas de produtos brasileiros para o país vizinho, as coisas estão se complicando e desta vez têm a ver com a China e especialmente com o carro elétrico.

Stellantis e Lula

E, mesmo que os representantes da Stellantis – que se reuniram nesta quarta-feira (22) com o presidente Lula da Silva no Palácio do Planalto – tenham apresentado o novo ciclo de investimentos de R$ 30 bilhões previsto para o período de 2025 a 2030 no Brasil, a verdade é que o bicho já está pegando no nosso maior mercado no setor automotivo.

De janeiro a junho, os embarques de veículos para a Argentina, principal destino das exportações das montadoras, recuaram 35,4%, para 106 mil unidades. A participação dos carros brasileiros no total importado pela Argentina caiu de 82% para 56%.

Guerra de autopeças

A substituição por produtos chineses também avança nas autopeças. Em dois anos, a participação do Brasil caiu de 33,9% para 28,2% nas importações argentinas do setor, enquanto a da China subiu de 8,8% para 15,3%.

Isso tem a ver com a Stellantis e com as demais montadoras. A China está (assim como no Brasil) despejando sua produção na Argentina, repetindo o jogo pesado daqui no Brasil, onde já tem 18,3% do mercado (venderam em junho 47579) e pretende fechar o ano com 30%.



Argentino preferem Portod e Galinhas. – Divulgação

Dificil vender

Por isso, aquele desejo de Lula de que as montadoras do Brasil ampliem suas vendas para a América do Sul e a África não será tão simples. As montadoras brasileiras estão perdendo mercado para os chineses porque vendem carros com motores a combustão, assim como a Argentina vende para o Brasil carros movidos a gasolina e diesel.

Para completar, o atual presidente do país, Javier Milei, deu à China condições de destronar o Brasil no fornecimento à Argentina. Ele revisou a cooperação firmada desde os governos peronistas. Não devemos ter ilusões: Milei quer fortalecer um fluxo comercial de Pequim e da Casa Rosada. Até para enfraquecer a posição dominante de Buenos Aires e Brasília por décadas.

Nova Rota da Seda

E isso inclui a adesão da Argentina à Nova Rota da Seda, antes de Milei, há quatro anos, quando a China passou a financiar grandes projetos de energia renovável, mineração, logística e petróleo e gás — incluindo Vaca Muerta, segunda maior reserva de gás de xisto do mundo.

O problema é que, mesmo sendo fundador do Mercosul, Javier Milei não está a fim de fortalecer o bloco comercial privilegiando tanto a China como os Estados Unidos. Em tempo: importações brasileiras de produtos com origem na China, que alcançaram o recorde histórico de US$ 38,5 bilhões no primeiro semestre de 2026.

Turistas x carros

Isso tem a ver com Pernambuco, que pode se beneficiar dos turistas, mas tende a vender menos carros da Stellantis para a Argentina. No ano passado, apenas no primeiro semestre, Goiana (PE) registrou recorde de exportação com 4.006 unidades embarcadas com destino à Argentina, onde o Jeep Renegade lidera com 26% do volume total de veículos Jeep Compass (25%), Fiat Toro (24%), Ram Rampage (16%) e Jeep Commander (9%). A Stellantis não vai repetir isso este ano.

Na reunião com Lula da Silva, o CEO global da montadora, Antonio Filosa, lembrou que cerca de 95% dos componentes dos veículos fabricados pela companhia são produzidos localmente, e a empresa compra por ano cerca de R$ 60 bilhões de fornecedores brasileiros.

Kits importados

E disse que sua empresa usa peças nacionais em vez de kits importados (SKD), citando uma fábrica em Minas Gerais dedicada a esse processo sem citar o nome da chinesa SAIC Motor.

O problema é que oito montadoras chinesas já confirmaram instalações industriais no Brasil. Além da BYD, com sua fábrica na Bahia, Omoda & Jaecoo, Geely, Leapmotor e GAC fizeram parcerias para usarem as instalações de empresas que estão no Brasil. Os carros da Geely começam a ser produzidos ainda este ano na fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR). Além destas, carros da Chery saem da fábrica do grupo brasileiro CAOA Changan, em Anápolis. E parte desse vai sair daqui para a Argentina.

 

Números de Pernambuco

Pelas contas da Fiepe, Pernambuco vai sofrer com a aplicação de tarifa adicional de 25%. Se por um lado, a decisão apresentou avanços em relação ao cenário do ano passado, ao incluir entre as exceções produtos como mangas, coque de petróleo não calcinado e querosenes de aviação.

Por outro lado, importantes produtos exportados por Pernambuco continuam fora da lista preliminar de exclusões, incluindo açúcar de cana, uvas frescas, chapas de poli (tereftalato de etileno) – PET, barcos e embarcações de recreio/esporte, inhame, mel, peixes frescos e refrigerados, lagostas congeladas e sucos e demais preparações vegetais. Esses produtos representam mais de 69% das exportações pernambucanas destinadas aos Estados Unidos em 2025.

Carros Antigos

No dia 23 de agosto, a partir das 12h, na área externa do Shopping Costa Dourada tem o “Encontro de Carros Antigos”, dentro da programação do Mês dos Pais. Serão exibidos mais de cem veículos originais, das décadas de 1950, 60, 70, 80 e 90, entre eles, o Fusca do filme “O Agente Secreto” e a Kombi “The Mystery Machine”, das animações do Scooby-Doo. Eles pertencem a membros do Clube do Fusca de Pernambuco (UFPE) de cidades como Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Tamandaré, Gravatá, Bezerros e Caruaru.



Exportação de produtos brasileiros para o México sofrem forte taxação – Divulgação

Mexicanos

Apesar do USTR acusar o Brasil de ter taxas preferenciais com o México e a Índia, na verdade, o Programa de Protección para las Industrias Estratégicas, implementado pelo governo mexicano em janeiro de 2026, já causou impactos concretos para o setor industrial do Brasil. Levantamento da CNI divulgado nesta quinta-feira (23) revela que as exportações dos produtos brasileiros afetados pela medida caíram 42,5% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período dos três anos anteriores – o equivalente a US$ 91,5 milhões.

A decisão mexicana aumentou o imposto de importação de 1.463 códigos tarifários, aplicando taxas que, em alguns casos, ultrapassam os 50%. Com a mudança, o Brasil passou a ser o 5º país mais exposto do mundo à medida, considerando as economias que não têm acordo de livre comércio com o México. Segundo a análise, cerca de US$ 665 milhões em exportações brasileiras podem ser diretamente afetadas.

Eletroeletrônicos

O estudo The Sustainable Development Goals Report 2026, publicado pela ONU, revela que apenas 24% dos 65 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos geradas no mundo em 2023 foram formalmente recicladas. E equivale a 8,1 kg por pessoa e coloca os resíduos eletroeletrônicos entre os fluxos que mais crescem no mundo. No Brasil, o sistema para eletroeletrônicos e eletrodomésticos é regulamentado pelo Decreto nº 10.240/2020, e entidades gestoras, como a ABREE, são responsáveis por estruturar e operacionalizar o processo, mas não temos números nacionais.



Lixo tecnológico tem baixa taxa de reciclagem no mundo. – Divulgação

Segundo o presidente da ABREE – Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos, Robson Esteves, o sistema para eletroeletrônicos e eletrodomésticos no Brasil é regulamentado pelo Decreto nº 10.240/2020, e entidades gestoras, como a ABREE, são responsáveis por estruturar e operacionalizar o processo, mas não temos números nacionais.

Solidariedade

Nesta quarta-feira (22), crianças assistidas pela Casa da Criança Marcelo Asfora (CCMA) e pela APAE (organização que presta assistência integral às pessoas com deficiência intelectual e múltipla) puderam conhecer a Fazendinha do Plaza e Mundo Bita, no Plaza Shopping.

Fonte: Clique aqui

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