O segmento das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) foi o principal destino dos recursos, concentrando R$ 2,2 bilhões do total dos recursos
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O volume de financiamentos aprovados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a região Nordeste apresentou um crescimento expressivo no início deste ano. No primeiro trimestre de 2026, as aprovações da instituição alcançaram R$ 3,38 bilhões, o que representa uma alta de 98,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O balanço foi apresentado nesta terça-feira por Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do banco, durante o evento “Nordeste em Pauta”, realizado em Brasília.
O segmento das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) foi o principal destino dos recursos, concentrando R$ 2,2 bilhões do total aprovado. Esses repasses ocorrem por meio de instituições financeiras parceiras, que atualmente cobrem mais de 90% dos municípios do país. No recorte por setores econômicos, a infraestrutura liderou os investimentos com R$ 1,35 bilhão, seguida por comércio e serviços, que recebeu R$ 838,3 milhões. O setor agropecuário contou com a aprovação de R$ 623,6 milhões, enquanto a indústria respondeu por R$ 560,8 milhões.
Segundo a diretora do BNDES, a expansão do crédito na região reflete uma estratégia estruturada desde 2023 para descentralizar as decisões do banco e priorizar o Norte e o Nordeste. Entre as medidas adotadas estão a reserva de orçamento específico para linhas incentivadas, como o programa Mais Inovação e o Fundo Clima, além da oferta de taxas de juros diferenciadas para os tomadores locais. Maria Fernanda destacou, por exemplo, que atualmente o financiamento de máquinas e equipamentos pela linha Finame é mais barato no Nordeste do que no Sudeste.
A articulação com agentes regionais também impulsionou o desempenho do trimestre. O fortalecimento de parcerias com bancos locais, como o Banco do Nordeste (BNB), já resultou em mais de R$ 800 milhões em repasses. Além disso, a recriação do Comitê Regional das Instituições Financeiras Federais (Coriff), sob a coordenação da Sudene, permitiu alinhar a carteira de projetos às demandas específicas dos estados nordestinos.
Essa aceleração consolida uma tendência observada nos últimos anos. Entre 2023 e 2025, o BNDES liberou R$ 53,6 bilhões para o Nordeste, cifra 63% superior aos R$ 32,8 bilhões registrados entre 2019 e 2021. O avanço também abre espaço para projetos de grande porte e transição ecológica, impulsionados pela Chamada Nordeste da Nova Indústria Brasil realizada no ano passado. A iniciativa conjunta entre BNDES, Banco do Brasil, Caixa, BNB e Finep atraiu R$ 127 bilhões em propostas voltadas para áreas como hidrogênio verde, bioeconomia de fármacos, armazenamento de energia, data centers verdes e o setor automotivo.
Paralelamente aos grandes projetos industriais e de infraestrutura, a instituição tem direcionado foco para a sustentabilidade e o desenvolvimento rural. Diante do dado de que o Nordeste abriga quase metade da agricultura familiar do país, o BNDES firmou parcerias para a recuperação ambiental e o fortalecimento do pequeno produtor. Estão em andamento editais de R$ 78 milhões para o restauro de 3 mil hectares de caatinga, além do aporte de cerca de R$ 1 bilhão no programa Sertão Vivo, desenhado para beneficiar 250 mil agricultores familiares em cinco estados da região.

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